
Dá para fazer cyberpunk no Brasil?
Escrever cyberpunk no Brasil não significa trocar Tóquio pelo Rio de Janeiro e manter o resto igual. O desafio é imaginar como tecnologia, desigualdade, política e cultura brasileira podem transformar
Escrita criativa, livros de fantasia e mercado editorial.
Live Last read · last published · next check

Escrever cyberpunk no Brasil não significa trocar Tóquio pelo Rio de Janeiro e manter o resto igual. O desafio é imaginar como tecnologia, desigualdade, política e cultura brasileira podem transformar

Criar personagens adolescentes exige equilíbrio: eles não são adultos prontos, nem crianças ingênuas. São pessoas tentando descobrir quem são enquanto o mundo cobra respostas que ainda não possuem.

Ter dúvidas ao escrever não é sinal de falta de talento. Na maioria das vezes, é parte do amadurecimento de quem começa a levar a própria escrita a sério.

Transformar folclore em terror exige mais do que colocar uma criatura conhecida na história. É preciso compreender os medos, conflitos e silêncios que deram origem à lenda.

Usar o gótico na escrita não significa copiar castelos, vampiros clássicos ou cenários vitorianos. Significa trabalhar com transgressão, excesso, desejo, crise e tudo aquilo que insiste em voltar.

Foto de Vitaly Gariev na Unsplash

Dragões, fadas, sereias, vampiros e outras criaturas já apareceram em inúmeras histórias. O desafio é encontrar um novo contexto sem apagar aquilo que faz o leitor reconhecê-las.

O suspense pode aparecer na fantasia, no romance, no drama e em qualquer outra narrativa. Basta existir uma pergunta que realmente importe.

Escrever fantasia não exige profecias, guerras gigantescas ou personagens destinados a resolver todos os problemas.

O futebol ocupa nossa linguagem, nossas memórias e nossos conflitos, mas ainda aparece pouco nos romances brasileiros. Talvez estejamos ignorando uma das matérias narrativas mais férteis do país.