E se você tivesse ido pelo outro caminho, como estaria sua vida agora?
Não importa.
O “E se” não importa, mas eu gosto de imaginar como teria sido a minha vida se eu tivesse virado à esquerda ao invés da direita na decisão que eu tomei numa terça-feira chuvosa e fria, num passado não tão distante.
Esse é um pensamento inútil, eu sei, viver no passado já é ruim o suficiente. Ficar tentando criar cenários dentro do passado é pior ainda, é o equivalente a se açoitar.
Mas talvez a minha imaginação seja muito fértil e eu goste de ficar devaneando sobre o que poderia ter sido. Eu gosto de pensar no que estaria fazendo a Bárbara da outra dimensão, a que virou para a esquerda.
Com uma certa frequência tenho a impressão de que ela estaria mais feliz do que eu. Como eu poderia saber? Eu não sou ela.
Ela é um mistério. (E que coisa mais bela é o mistério.)
É sofrimento demais ficar pensando nisso?
Você já sentiu isso também?
Ou mais uma vez eu estou sozinha neste mundo profundo da abstração?
Talvez eu deva logo admitir que eu gosto de sofrer. Sou uma sofredora.
Sou uma sofredora. Gosto de Dostoiévski e Nietzsche. Sinto uma rachadura se abrir no meu cérebro lendo os poemas dos Robert Frost. Meu coração se quebra em alta intensidade por coisas que ninguém nunca ligou e nem sequer enxergou, como um sorriso - não risada - de alguém que acabou de ter o pior dia da sua vida.
A cada passo novo que dou sinto um medo irracional de me perder de mim mesma. Tenho pavor de aranhas mas amo acampar perto da rocha da montanha, onde elas habitam. A vista de lá é melhor, o clima também. Quem é que eu posso culpar por isso?
Sou uma sofredora e o que poderia ter sido me fascina e me amaldiçoa. As portas que eu nunca abri me rondam, mas as portas que eu quase abri me sufocam.
Esses devaneios não se demoram em mim. São breves, logo se desfazem, se despedaçam rapidamente como uma taça cheia de vinho se quebrando, depois viram fumaça, mas sempre deixam um gosto amargo no canto da minha alma.
O “e se” não importa, porque ele não foi. Ele não é.
O que importa é a porta que você abriu.
Mas o que eu posso fazer se meus “e ses” são tão encantadores?
Não consigo evitar de pensar neles nem por um segundo em meus devaneios.
Com amor,
Bárbara Albach
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“Para todos aqueles que já se perguntaram como teria sido a sua vida se tivessem pegado a outra estrada” - Matéria Escura de Blake CrouchNenhuma publicação

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