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Bárbara’s Substack · Jan 26, 2024

Há em mim o pavor de me tornar como aqueles que acham que a vida é uma linha reta.

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Bárbara Albach Ricartes · Bárbara’s Substack

Das habilidades que a humanidade tem, uma das que mais me entristece é o talento de possuir todas as respostas e fazê-las incontestáveis. 

Somos apaixonados em possuir certezas absolutas, endeusar certas opiniões e meter o dedo em cada escolha alheia como se nossa convicção fixa fosse a única coisa efetivamente transformadora, o único caminho possível. 

Esquecemos, no entanto, que negar todas as outras possibilidades é se apequenar diante da vida, como se já não fôssemos pequenos o suficiente. 

Sabendo disso, eu sempre me propus a tentar enxergar as coisas de outro ângulo, para que eu não ficasse bitolada, amarga; para que eu não chegasse um dia, no café da manhã, cheia de respostas e esquecesse das perguntas. 

Sabendo disso, eu fiz mais perguntas.

Porque há em mim o pavor de me tornar como aqueles que acham que a vida é uma linha reta. 

Como eu faço para não ser assim?”. 

Esta foi a pergunta que eu mais fiz ao longo de toda a minha vida. 

Ela é minha bússola, pois temo muito me tornar uma pessoa lamentável, de modo que vejo as pessoas que me são intragáveis com certa admiração, elas me dão as chaves para trancar as portas que me levariam ao deslize iminente. 

A verdade é que elas facilitam a minha vida: ao observá-las, me torno menos insignificante, tenho mais motivos para sorrir.  

Creio que vivo num looping de questionamentos, pois de fato nunca parei de indagar. 

Tanto perguntei, que percebi que as respostas não importam, como os filósofos dizem, porque as respostas trazem consigo mais perguntas. 

E assim vivo em perpétuo ponto de interrogação. É um deleite. 

Nunca obtive nenhuma resposta que me fosse realmente convincente, mas isso não tem importância alguma, porque eu nunca quis ser o tipo de pessoa que enxerga o mundo como uma evidência. 

Eu gosto das dúvidas e das imprecisões, não as tenho como vilãs. 

As uso para medir o brilho dos meus olhos, para que eu não fique desabitada, fixa, escassa. 

Ontem mesmo eu vi alguém que fingia ser feliz. 

Como eu faço para não ser assim?". Eu perguntei novamente. 

E muitas portas que me apequenariam se fecharam. 

Com amor, 

Bárbara Albach

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