Escrevo sem intenção de que o que eu escrevo aqui importe, mas escrevo pensando naqueles que um dia levantaram pela manhã, tomaram um café e foram embora.
Jamais diminuirei a dor de quem fica, a conheço bem, para minha desgraça. Sei que quem fica, fica também sem chão. É o que eu sei. É também o que se diz.
Mas é sobre a dor de quem se retira que eu quero falar. Porque a dor de quem se retira é fria e ingrata. E porque nenhum texto diz que quem parte, parte às cegas.
Não há garantias, não há certezas e certamente não há compaixão.
Escrevo para aqueles que, antes de irem embora, tiveram primeiro suas almas estilhaçadas ensaiando a despedida que tinham que dar, pois caso não a fizesse suas almas se estilhaçariam em dobro.
É pela bravura de partir que escrevo, porque quem vai embora sabe que ficar seria pior. Sabe que ficar seria morrer por dentro; e morrer por dentro é a pior das infelicidades.
Quem vai embora numa manhã qualquer já foi embora muito antes. Sobre esse tormento ninguém diz.
Ir embora nunca é súbito. Pelo contrário, é uma decisão que é tomada em aflição, lentamente.
É solitário e requer coragem.
E o grande problema da coragem é que ela nasce primeiro do lado de dentro e só depois dá as caras.
Escrevo sobretudo para aqueles que já foram embora de alma, mas ainda não de corpo.
Que seu tormento seja breve e que você perceba logo que ir embora pela metade é o equivalente a vender a alma para o Diabo.
Pior do que ir embora é ficar, querendo ir embora…
Com amor,
Bárbara Albach

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