(Dedico este texto ao Gabriel)
Você sabe que eu evito clichês em meus textos, fujo deles como o Gatinho foge do Senecão nas manhãs de sábado, antes do passeio mais longo.
Mas não posso deixar de usá-los quando escrevo sobre você, ainda que eu os camufle para que fiquem menos tediosos, no final do dia será sempre eu escrevendo que você me salvou.
Um tanto parecido com o que eu digo dos meus livros mais preciosos, exceto que você é o melhor deles.
Entre tantas coisas, você é para mim a mão que eu procuro no escuro, quando estou com medo.
É que há em você (e em sua mão maravilhosa) um efeito calmante, que diz que todas essas minhas angústias não têm fundamento, que dos transtornos da vida, o mais grave é não conhecer o amor, portanto estamos salvos.
Fomos dispensados da maldição do desamor, de modo que podemos caminhar por aí, radiantes, apontando os não-amores dos outros, desejando que eles escolham os detalhes bonitos em vez das grandezas infundadas.
Torcendo para que, pelo menos os amantes da leitura, enxerguem que o remorso de Raskolnikov em Crime e Castigo não era seu pelo seu crime, era por não ter com quem contar.
E aqui está uma entrelinha belíssima, que diz que quem não sabe amar só sabe coisas pequenas.
Suponho que falo de amor como quem sabe o que fala, mas é porque agora certamente eu sei.
Conheço o amor. Sei disso pois sou incapaz de explicá-lo, isso já diz tudo.
Sei disso porque eu estava aqui na sala, te olhando ler Goethe sob a meia luz, enquanto eu tomava o meu segundo café do dia, sorrindo. Você olhou de volta, como se soubesse que eu estava te olhando, e sorriu também.
Juro que é assim o amor, simplesmente, pois basta-me esta cena.
Pouco me importa as montanhas atrás de mim, pouco me importa qualquer cenário, meus olhos sempre vão procurar os seus. E isso me basta.
Com amor,
Bárbara Albach
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