Depois dos ruídos, vem o silêncio. Ou vice-versa.
No caso desse programa, veio assim.
Um tanto por coincidência, um tanto por ser um dos meus assuntos preferidos.
No último episódio do ano, mergulhei na calma como gesto artístico e na potência do fazer sem pressa, para isso convidei meu avô, Egas Cominato para me contar sobre o silêncio, a graça, a calma e a importância da tranquilidade como forma de sustentar a criação artística.
Foi ele, vovô, quem me ensinou arte, quando ainda era um brotinho de gente.
E tudo o que ele me ensinou me trouxe a essa pesquisa maluca sobre a meditação ativa, que há pelo menos 15 anos me acompanha.
Não a toa o laboratório experimental que criei se chama “Silêncio, ruído”: uma forma de calar os pensamentos mais barulhentos, que sem querer podem nos atrapalhar no caminhar da vida. Acabei nem falando disso nesse episódio, esqueci mesmo, mas estava tão empolgada com outra partícula do desdobramento da pesquisa que esqueci de comentar.
Em 2024, tive a oportunidade de ir lá para a Índia, oferecendo e articulando oficinas de escrita assêmica para comunidades marginalizadas, onde o simples ato de riscar um papel se torna um gesto revolucionário. Ali descobri novas possiblidades de existir, e junto com mulheres e crianças, aprendi mais um pouquinho sobre como podemos nos expressar quando as palavras nem sempre podem aparecer.
É sobre isso o episódio e que condiz com o tema que acabou acontecendo.
Logo no início do episódio eu re-reescrevi a introdução do meu TCC, onde já havia reescrito o texto “Peso” do escultor norte-americano Richard Serra, publicado no livro Escritos e entrevistas (1967-2013), mas dessa vez, depois de quase 10 anos formada, esse texto ficou muito mais condizente com tudo o que faço hoje em dia.
Essa época de fim de ano sempre acaba me deixando nostálgica, acho que por isso que, intuitivamente, acabei falando do silêncio, esse lugar de busca que não cessa, e que ensina um tanto de novas perspectivas para a gente adentrar e aprender um pouquinho mais.
Então, pronto, vou deixar aqui alguns desenhos do meu avô para vocês verem também:
Desejo a todos vocês um excelente final de 2025.
A rádio que me cede espaço estará de férias até fevereiro, então o podcast volta por aí, no mês 02/2026. Até lá, nos falamos.
No instagram o contato é mais direto,
e por ali tem alguns registros da primeira edição de Corpografias - um evento que uniu música experimental e escritas dançadas, sonho que brotou em 2020 e só agora consegui realizar. Em breve também tem mais.
Aqui você pode assistir o trailer do filme que contei no episódio.
E aqui você pode ler sobre a experiência de forma mais profunda.
É isso, não esquece de me dizer o que você achou desse episódio, tá?
Gosto muito de ler os comentários de vocês - e quando você comenta, me ajuda a chegar em mais pessoas. Não demora nem um pouquinho, né?
Então, beleza,
Até já.
ASSEMIAS
captação, edição, criação e idealização: Lia Petrelli.
trilha sonora: Filipe Ignatius.
apoio e distribuição: Function FM.
🎧 Disponível nas principais plataformas digitais.
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