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asd · Jul 1, 2026

asd :: atualização semanal da diversidade

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4CO I Comunicação e Cultura · asd

Já pode tirar o arco-íris do avatar?

Junho acabou e muitas empresas já devem estar encerrando as ações do mês do Orgulho e voltando para a programação normal. O problema é justamente esse: a diversidade, em muitos lugares, não passa de data comemorativa e some fácil demais quando a pressão aumenta ou quando passa a parecer menos conveniente.

Uma pesquisa da Catho mostrou que metade dos profissionais no Brasil acredita que as empresas promovem a pauta apenas em datas simbólicas, sem ações consistentes ao longo do ano. Entre pessoas LGBT+, 41% afirmam que o ambiente de trabalho impacta negativamente sua saúde emocional.

Outro levantamento, da Gupy, ajuda a mostrar que o problema ainda é profundo nas equipes. Nos estágios, profissionais que não se declaram heterossexuais representam 11,56% das admissões. Nas gerências, esse número cai para 6,24%. A diversidade até entra, mas vai desaparecendo conforme o poder aumenta.

Já é sabido que o governo Trump acelerou o ataque institucional às políticas de D&I e dessa forma, muitas empresas “voltaram para o armário”, mostrando que talvez nunca tenham entendido a inclusão como mudança concreta na forma de contratar, promover, liderar e distribuir poder.

Parece que eles preferem manter as estruturas do que colher os benefícios de equipes diversas: pessoas diferentes enxergam riscos diferentes, fazem perguntas diferentes, entendem públicos diferentes e ajudam organizações a não ficarem presas no mesmo tipo de repertório, com o mesmo tipo de liderança e tomando as mesmas decisões.

na contramão
Espaçolaser, Assaí, Philip Morris Brasil, Alelo, BAT Brasil e Natura apresentam práticas permanentes de inclusão LGBT+, como políticas para pessoas trans, benefícios igualitários, canais de denúncia, letramento interno e metas com acompanhamento. | Exame

no consumo
Pesquisa global da Ipsos mostra que 49% dos brasileiros apoiam marcas que promovem ativamente a igualdade LGBT+, acima da média global de 42%, mas em queda em relação aos 58% registrados no Brasil em 2021. | Meio & Mensagem

na gringa
Após temporadas de recuo diante de pressões conservadoras, marcas como Levi’s, American Eagle, Adidas e Old Navy retomam ações públicas de apoio ao Orgulho LGBT+, com coleções especiais, parcerias e doações a organizações da comunidade. | Metrópoles

estressadas
Pesquisa da Anbima e do Datafolha mostra que 47% dos brasileiros têm alto estresse financeiro. Entre esse grupo, 53% são mulheres, com impactos que atravessam sono, saúde mental, trabalho em excesso e relações familiares. | Folha de S.Paulo

blackwashing
Relatório mostra como empresas usam símbolos, influenciadores e discursos antirracistas para melhorar reputação, enquanto mantém baixa presença negra no topo e lucram com produtos que impactam a saúde da população negra. | Alma Preta

a empresa não viu…
Assaí Atacadista é condenado a pagar R$ 20 mil a ex-funcionária que sofreu ofensas homofóbicas e ameaças em grupo de WhatsApp, após TRT entender que a empresa se omitiu diante da violência no ambiente digital de trabalho. | G1

… a chefia deixou passar…
Empresa do setor alimentício em Minas Gerais terá de indenizar trabalhador em R$ 45 mil por assédio moral, após episódios recorrentes de homofobia no ambiente de trabalho ao longo de quase quatro anos. | Metrópoles

… e o sistema demorou um ano
Itaú é condenado a indenizar homem trans após demorar mais de um ano para atualizar nome e gênero no cadastro bancário, em decisão que reconheceu violação contínua à identidade pessoal do cliente. | G1

a economia prateada…
Agências de viagem investem em roteiros personalizados para o público 50+ em um mercado ainda pouco preparado para a diversidade etária. | Folha de S.Paulo

… está com tudo
Empresas como Prevent Senior, MedSênior, Fleury, Previmune, Eurofarma, Novartis, Roche e Supera ampliam produtos e serviços voltados à prevenção, autonomia e envelhecimento saudável. | Valor Econômico

na gôndola
MAC Cosmetics mantém quase 70 tons de base no Brasil e amplia o portfólio de corretivos e blushes, em um mercado de beleza que passou a reconhecer pessoas negras como consumidoras e a disputar diversidade racial como estratégia de produto. | Estadão

corrida segura
Uber expande para todo o Brasil o Uber Mulher, recurso que permite a usuárias escolher ou priorizar viagens com motoristas mulheres. | UOL

sob ataque
Grandes partidos, do PT ao PL, pedem ao TSE para mudar já em 2026 o cálculo das cotas do fundo eleitoral para mulheres e pessoas negras, tentando excluir campanhas majoritárias da regra que reserva 30% dos recursos a esses grupos. | Folha de S.Paulo

licença que incomoda
Primeira prefeita a tirar licença-maternidade no Japão enfrenta críticas ao anunciar afastamento de quatro meses. | Folha de S.Paulo

qualificação
Petrobras abre 150 vagas gratuitas em cursos técnicos, com prioridade para mulheres, pessoas trans, indígenas, quilombolas, pessoas negras, migrantes, refugiadas e pessoas com deficiência. | G1

a conta só muda de lugar
Em artigo, Inez de Barros Lisboa discute como maternidade, carreira e desigualdade de gênero seguem atravessadas por “escolhas” que o mercado trata como individuais, enquanto premia disponibilidade total e ignora o trabalho de cuidado. | Folha de S.Paulo

divisão
Em entrevista, a historiadora Stephanie Coontz defende que redução da jornada e licença-paternidade fortalecem relações ao enfrentar o ponto que segue corroendo casamentos por dentro: a divisão desigual do trabalho doméstico e do cuidado. | Folha de S.Paulo

IA contra o racismo
Aplicativo brasileiro Fair Play, criado para identificar e facilitar denúncias de racismo on-line, conquista dois Leões em Cannes ao transformar inteligência artificial em ferramenta de acesso à justiça e combate ao discurso de ódio. | Meio & Mensagem

Todos nós desconhecidos, filme disponível na Disney+

Em Todos Nós Desconhecidos, Andrew Haigh faz um filme sobre amor, luto e solidão sem nunca precisar explicar demais o que está em jogo. Acompanhamos Adam, um roteirista que vive isolado em Londres e que, ao mesmo tempo em que se aproxima de Harry, seu vizinho, passa a reencontrar os pais mortos exatamente como eram quando ele ainda era criança. A premissa poderia levar o filme para o território do fantástico, mas o que interessa aqui não é o mistério: é a possibilidade de conversar com aquilo que ficou interrompido.

O filme é especialmente forte quando olha para a experiência de crescer gay em um mundo que nem sempre oferece linguagem, acolhimento ou proteção. A dor de Adam não vem apenas da perda dos pais, mas também de uma infância em que talvez ele não tenha podido ser visto por inteiro. Por isso, cada diálogo com eles parece carregar uma pergunta silenciosa: quem eu teria sido se tivesse recebido esse amor do jeito certo, no tempo certo?

Delicado, triste e profundamente humano, Todos Nós Desconhecidos vai além do romance tradicional para se tornar uma elegia sobre ausências, desejos e reparações impossíveis. Andrew Scott e Paul Mescal sustentam o filme com uma vulnerabilidade rara, criando uma história que fala da experiência LGBT+ de forma íntima.

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, livro de Benjamin Alire Sáenz

Em Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, Benjamin Alire Sáenz constrói uma história de amadurecimento delicada, daquelas que vão abrindo espaço para grandes questões: quem sou eu, o que faço com o que sinto e como encontro meu lugar no mundo? Ari é um garoto fechado, atravessado por silêncios familiares e por uma dificuldade imensa de nomear as próprias emoções. Dante, ao contrário, chega com uma sensibilidade mais aberta, curiosa e luminosa e é desse encontro que nasce uma amizade capaz de transformar os dois.

O livro fala sobre descoberta afetiva e identidade LGBT+ sem pressa, respeitando o tempo interno dos personagens. Nada aparece como uma revelação brusca ou como uma “lição” para o leitor. O que existe é o movimento bonito, e muitas vezes confuso, de crescer: perceber o próprio corpo, entender o desejo, lidar com expectativas familiares, confrontar modelos de masculinidade e descobrir que amor também pode ser um espaço de coragem.

É uma leitura especial para jovens leitores porque acolhe a dúvida em vez de exigir respostas imediatas. Há dor, medo e conflito, mas também há ternura, humor, família e possibilidade de futuro.

#acessibilidade: a metade superior da capa mostra um céu noturno em tons de azul-escuro, preenchido por ilustrações ornamentais que lembram desenhos feitos à mão, com caveira, sol, raios, flores, livros, símbolos e padrões decorativos. No centro, o título aparece em letras grandes e brancas com estilo caligráfico. Na parte inferior, uma caminhonete vermelha está estacionada em um campo gramado sob o céu estrelado. O nome do autor aparece em letras verdes na base da capa.

Vitor Martins

Escritor, ilustrador, tradutor e criador de conteúdo, ele fala com o público sem subestimar seus sentimentos, aproximando literatura, cultura pop, afetos e representatividade LGBT+ com leveza e inteligência.

O mais interessante em seu conteúdo é que a diversidade surge no cotidiano: nos livros que ele escreve, nas histórias que comenta, nas referências que compartilha e no jeito como valoriza personagens que vivem dúvidas, paixões, inseguranças e descobertas. Para quem cresceu sem se ver muito nas prateleiras, esse tipo de presença importa e muito.

Em um momento em que tantas pessoas buscam repertórios para nomear o que sentem, Vitor Martins oferece algo precioso: narrativas em que existir fora do padrão não é sinônimo de tragédia. É também possibilidade de humor, amizade, afeto, família, desejo e futuro. Um convite delicado para ler o mundo - e a si mesmo - com mais liberdade.

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