A inclusão por si só não muda nada se as estruturas permanecerem as mesmas
A frase acima foi dita por Angela Davis na última Flip e cabe bem demais no contexto das organizações, já que contratar pessoas de grupos minorizados sem mexer em quem decide, quem é promovido e quem ocupa os espaços de poder, acaba não transformando a empresa profundamente.
Vale perguntar: depois que essas pessoas entram, elas conseguem crescer ou só ajudam a organização a parecer mais diversa na foto?
Hoje existem programas formando mulheres para ocupar conselhos e cargos de liderança, mas os números não avançam na velocidade necessária: uma pesquisa apontou que elas compõe apenas 14% da alta liderança e outro estudo mostrou que 57% das empresas com conselho de administração não têm nenhuma mulher nesses colegiados.
E quando o assunto são mulheres negras, a conversa fica ainda mais complexa. Muitas buscam estabilidade e segurança para crescer profissionalmente e sso significa poder errar sem serem descartadas, serem vistas como competentes e sem precisar provar o dobro, além de ter alguma previsibilidade para seguir."
Muitas empresas até abrem a porta, mas estranham quando começa a se questionar sobre promoção ou sobre dinâmicas desiguais que acontecem lá dentro. A diversidade costuma ser mais confortável quando melhora a imagem do que quando se exige uma descentralização de poder.
Parece que muitas organizações preferem manter as estruturas do que colher de verdade os benefícios de equipes diversas, já que exigiria abrir mão de parte do controle, rever critérios, mexer em privilégios e aceitar que as pessoas não estão ali para baixar a cabeça e aceitar tudo.
era lenda
Estudo derruba a ideia de que mulheres são naturalmente melhores em multitarefa: o desempenho foi semelhante ao dos homens, com diferença apenas na capacidade de manter a comunicação verbal sob pressão. | Exame
CEP da inclusão
Relatório da Gupy mostra que vagas afirmativas para profissionais LGBT+ representam 2,37% das ofertas em São Paulo e apenas 0,78% no Centro-Oeste. | Estadão
poucas
Mulheres ocupam apenas 22% dos postos ligados ao desenvolvimento de inteligência artificial. | Você RH
abordagem seletiva
Shopping Pátio Higienópolis pagará R$ 1 mi e irá rever protocolos de segurança após adolescentes negros serem tratados como suspeitos enquanto circulavam com colegas brancos. | UOL
racismo em modo automático
O Globo publica matéria sobre a cientista Nina da Hora usando uma foto de outra mulher negra. | Alma Preta
equidade com método
Farmacêutica Pierre Fabre chega a 63% de mulheres na liderança com revisão semestral de aumentos, listas de candidatos com equilíbrio de gênero e acompanhamento da permanência após a licença-maternidade. | Exame
menos barreira
L’Oréal abre processo de seleção de trainee com 50% das vagas destinadas a pessoas negras e sem exigência de inglês. | Valor Econômico
na lata
Baly lança edição de 1 milhão de latas de energético e destina 100% do lucro a projetos de empreendedorismo e fortalecimento de mulheres. | Exame
só cresce
Grupos de viagem exclusivos para mulheres ganham espaço em um mercado no qual as buscas por viagens solo cresceram 30% e mais de 60% delas já desistiram de viajar por medo ou insegurança. | UOL
justiça sem espelho
Com apenas 5% de mulheres negras na magistratura, CNJ amplia bolsas para candidatos negros e indígenas e adota protocolos de julgamento interseccional. | Veja
na publicidade
P&G e Publicis abrem vagas gratuitas de formação para pessoas negras no mercado publicitário, com bolsa-auxílio no Cria da Quebrada e prioridade de contratação para mulheres pretas e pardas no Entre. | PropMark e Meio & Mensagem
e para as mulheres
Bradesco apoia programa com 800 vagas gratuitas para mulheres, enquanto a EY abre inscrições para mentoria de empresárias à frente de negócios em expansão. | Valor Econômico e Exame
constância
Natura lidera pelo segundo ano o Top of Mind Inclusão, com 23% das menções, e também o primeiro lugar em igualdade de gênero e inclusão racial e étnica. | PropMark
a conta fecha?
Artigo do The Economist questiona se o avanço das punições por injúria racial no Brasil reduz o racismo estrutural ou apenas amplia processos, sem enfrentar desigualdades de renda, educação e violência policial. | The Economist (em inglês)
geração sanduíche
Ilana Trombka defende que mulheres de 40 a 60 anos podem mudar a cultura do cuidado nas empresas e nas famílias, embora essa transformação recaia justamente sobre uma geração já sobrecarregada. | Folha de S.Paulo
vai chegar a conta
Suzana Coelho, especialista em diversidade, direitos humanos e desenvolvimento organizacional, alerta que o corte de políticas de inclusão pode ampliar o racismo no trabalho e defende que a agenda seja incorporada à gestão e às oportunidades de crescimento. | Alma Preta
mil tons
L’Oréal premia pesquisas sobre pele, couro cabeludo e cabelos de pessoas negras, indígenas e trans, ampliando a produção científica para públicos ainda pouco contemplados pela dermatologia. | Alma Preta
DTF St. Louis, minissérie disponível na HBO Max
O que acontece quando a sensação de que a vida ficou pequena demais se encontra com a vontade de começar tudo de novo, sem abrir mão de nada? DTF St. Louis parte de um triângulo amoroso entre três adultos atravessados pelas frustrações da meia-idade, mas logo transforma essa premissa em algo muito mais estranho, divertido e inquietante. Entre desejos, mentiras e decisões desastrosas, a trama mistura humor ácido, drama e investigação criminal sem se acomodar completamente em nenhum desses gêneros.
A minissérie fala sobre infidelidade, solidão, envelhecimento e a busca quase desesperada por se sentir desejado novamente. Seus personagens fazem escolhas difíceis de defender, mas nunca são tratados como caricaturas: por trás do absurdo, há pessoas tentando recuperar alguma vitalidade em vidas que já não reconhecem.
A produção também incorpora a língua de sinais à narrativa por meio de Floyd, interpretado por David Harbour, que trabalha como intérprete de ASL (American Sign Language) em um telejornal. Além da presença orgânica dessa linguagem na história, a HBO disponibilizou uma versão integral da minissérie com interpretação em língua de sinais americana - um recurso que amplia o acesso de pessoas surdas à experiência audiovisual.
Cor, excesso, religiosidade, desejo e resistência se encontram em La Chola Poblete: Pop Andino, primeira exposição individual da artista argentina no Brasil. Mulher trans e descendente de povos indígenas, Poblete transforma em identidade o termo “chola”, historicamente usado como injúria racial contra mulheres de ascendência indígena no Peru e na Bolívia. A partir desse gesto, questiona os estereótipos construídos sobre corpos trans e racializados e reivindica o direito de representá-los fora das expectativas coloniais.
A mostra reúne 31 trabalhos entre aquarelas, fotografias, vídeos, esculturas e performances. Há virgens andinas, figuras mitológicas, referências à cultura pop e esculturas feitas de pão, em uma produção que mistura o sagrado e o profano, a tradição e a invenção. Além de falar sobre identidade, La Chola cria um universo próprio, no qual herança indígena, sexualidade e liberdade não precisam se adequar a categorias bem-comportadas. É uma exposição vibrante, provocadora e visualmente arrebatadora.
Últimos dias! Ela fica em cartaz no MASP somente até 2 de agosto. O museu funciona de quarta a domingo, das 10h às 18h, e na sexta-feira, das 10h às 21h. Nesta sexta, 31 de julho, a entrada é gratuita a partir das 18h e haverá uma visita mediada gratuita à exposição, às 19h. O agendamento on-line é obrigatório.
Quanto custa transformar um sonho distante em possibilidade concreta? No perfil @jan.satere, Janilson Silva dos Anjos compartilha sua trajetória do interior do Amazonas até o curso de Medicina da Universidade Federal do Pará. Indígena do povo Sateré-Mawé e criado na comunidade Aninga, em Boa Vista do Ramos, ele mostra a rotina universitária, os aprendizados da formação e os desafios de construir uma nova vida longe de sua comunidade.
Seu conteúdo vai além de uma história individual de perseverança. Ao ocupar a universidade e narrar essa experiência com a própria voz, Jan também torna visíveis as desigualdades que ainda afastam jovens indígenas do ensino superior e a importância das políticas de ações afirmativas para transformar esse cenário. Sem abandonar suas origens para tentar se sentir parte do ambiente acadêmico, ele mostra que os povos indígenas também estão nas universidades, na ciência e na medicina, levando consigo outros conhecimentos, experiências e maneiras de compreender o cuidado.
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Até a semana que vem!

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