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asd · Aug 5, 2026

asd :: atualização semanal da diversidade

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30 de julho a 5 de agosto de 2026 I Nessa edição: mulheres ainda longe da alta liderança em diversos setores, Instituto Natura e Avon contra a violência de gênero, Afropunk está com tudo e muito mais!

🔍 EM NÚMEROS

pobreza com cor e gênero
Atlas da Mobilidade Social mostra que 69% das mulheres não brancas nascidas entre os 25% mais pobres permanecem nessa faixa na vida adulta, índice superior ao de mulheres brancas e mais que o dobro do registrado entre os homens. | Folha de S.Paulo

fora da mesa
No mercado financeiro, mulheres representam 35,4% dos profissionais. A presença cai para 21% nas diretorias e chega a apenas 5,5% entre os CEOs. | Valor Econômico

fora do conselho
Mesmo sendo 54,4% da força de trabalho em seguros, as mulheres ficam com 28,5% dos cargos executivos e só 18,5% dos assentos nos conselhos de administração. | Forbes

fora do poder
No setor público, menos de 40% dos cargos de chefia são ocupados por mulheres, enquanto pessoas brancas seguem concentrando 78% das posições de liderança. | Você RH


💣 COMITÊ DE CRISE

humilhação
Supermercado é condenado a pagar R$ 40 mil a repositor negro submetido a ofensas racistas recorrentes da gerente diante de colegas e clientes. | G1

absurdo
Justiça reverte justa causa aplicada por rede supermercadista a uma mãe que não conseguiu retornar ao trabalho, após a empresa deixar de oferecer condições adequadas para conciliar a jornada, com a amamentação. | Metrópoles

licença só nó papel
Goldman Sachs é condenado a pagar 1,45 mi de euros a ex-executivo demitido ao voltar de seis meses de licença-paternidade. | Folha de S.Paulo


🎯 EM AÇÃO

na luta
Instituto Natura e Avon lançam movimento com metas até 2035 para combater a desinformação sobre violência de gênero e ampliar o acesso a orientações sobre agressões, leis, canais de denúncia e redes de apoio. | Meio & Mensagem

na bolsa
B3 abre estágio em tecnologia exclusivo para mulheres, reservando ao menos metade das vagas para estudantes pretas e pardas. | Forbes


🎤 SHOWBIZZ

com tudo
Banco do Brasil, Visa, Heineken, Coca-Cola e GOL Smiles patrocinam a expansão do Afropunk, que movimentou R$ 130 mi em Salvador e exige diretrizes antirracistas de marcas e fornecedores. | Meio & Mensagem


🏛 PODER PÚBLICO

justiça branca
Brancos são 83,8% dos magistrados e ocupam 89,5% dos cargos de desembargador, enquanto apenas 0,5% dos juízes em atividade ingressaram por cotas raciais. | Poder 360


✍️ PONTO DE VISTA

pasteurização do negro
Jornalista Ana Cristina Rosa parte da troca da foto de Nina da Hora para discutir como imprensa, empresas e instituições apagam identidades negras ao tratar pessoas diferentes como se fossem intercambiáveis. | Folha de S.Paulo

potencial
Luiza Helena Trajano defende que ampliar para 50% a presença de mulheres nos altos cargos até 2030 pode transformar as empresas e o país. | Exame


Dia 9 de agosto é o Dia Internacional dos Povos Indígenas, então fizemos uma seleção especial sobre a pauta por aqui :)

Tecnologias de resistência + programação especial do Sesc São Paulo

Quando falamos em tecnologia, é comum pensarmos imediatamente em computadores, inteligência artificial ou equipamentos de última geração. Mas a tecnologia também está nos conhecimentos transmitidos entre gerações, nas formas de cultivar e preservar a terra, no uso consciente dos recursos naturais e nas soluções criadas coletivamente para sustentar a vida.

É essa compreensão mais ampla que orienta o Agosto Indígena, programação realizada pelo Sesc São Paulo entre os dias 6 e 16 de agosto. Nesta edição, artistas, lideranças e representantes de diferentes povos originários apresentam tecnologias ancestrais e contemporâneas por meio de conversas, oficinas, cinema, música, moda e performances.

A abertura, intitulada Tecnologias de Resistência, reúne intervenções artísticas, desfile, pocket show e bate-papo. A programação convida o público a reconhecer povos originários como produtores de conhecimento, inovação e futuro e não apenas como personagens de um passado distante ou guardiões da floresta.

Serviço: abertura em 6 de agosto, às 19 horas, no Sesc Pompeia. Atividade gratuita. A programação segue até 16 de agosto em mais de 30 unidades do Sesc São Paulo. Consulte as atividades aqui.


Não quero ser índio, livro de Mayra Sigwalt, com ilustrações de Tai Silva

Durante muito tempo, escolas brasileiras ensinaram as crianças a “comemorar” os povos indígenas usando tinta no rosto, cocares improvisados e uma imagem genérica que apagava diferenças, histórias e de identidade. É justamente essa representação que o livro Não quero ser índio, de Mayra Sigwalt, coloca em questão.

Na história, um menino indígena volta da escola intrigado com a personagem que lhe foi apresentada como “índio”. Ao conversar com a mãe, ele tenta compreender onde ele e sua família se encaixam naquela caricatura. A partir dessa inquietação, o livro constrói uma conversa delicada sobre identidade, pertencimento e o direito de cada povo contar a própria história.

Com ilustrações de Tai Silva, a obra ajuda crianças e adultos a perceberem que não existe uma única cultura indígena. Existem centenas de povos, línguas, territórios, conhecimentos e maneiras de estar no mundo.

#acessibilidade: na capa há uma ilustração de uma criança indígena com cabelos pretos, expressão séria e pintura corporal em faixas nas bochechas. Ela usa um cocar colorido com penas em tons de azul, verde e marrom. O fundo é um degradê em tons de azul e verde que lembra um céu noturno. Na parte superior, o título aparece em letras grandes, com a palavra “Índio” em tipografia inspirada em grafismos indígenas.


@sioduhi e @sioduhistudio

Ancestralidade e inovação não ocupam lados opostos. No trabalho de Sioduhi Waíkhᵾn, designer do povo Pira-tapuya, originário do Alto Rio Negro, elas se encontram para propor outras formas de pensar a moda, a produção e a relação com a floresta.

À frente do Sioduhi Studio, ele desenvolve peças que articulam design contemporâneo, conhecimentos indígenas e materiais amazônicos. Seu trabalho questiona uma indústria acostumada a extrair referências de povos originários sem reconhecer seus criadores e mostra que sustentabilidade não pode ser apenas uma estética ou um discurso de ocasião: ela envolve território, colaboração, remuneração e respeito aos saberes de cada comunidade.

Sioduhi trabalha com o conceito de futurismo indígena amazônico, recusando a ideia de que os povos originários pertencem somente ao passado. Em seu perfil, a moda aparece como linguagem política e espaço de afirmação, mas também como possibilidade concreta de imaginar futuros que não dependam da destruição daquilo que nos mantém vivos.


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