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Newsletter do Lona · Feb 24, 2026

O feliz no simples é difícil.

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Desde o começo do ano estou lendo Desejo, de Luke Burgis, fascinado pelo estudo da mimética e por como somos macacos copiando uns aos outros, buscando a própria identidade no comportamento do grupo.

Desde o começo do ano estou lendo Desejo, de Luke Burgis, fascinado pelo estudo da mimética e por como somos macacos copiando uns aos outros, buscando a própria identidade no comportamento do grupo.

“Depois de satisfazer as necessidades básicas como criaturas, entramos no universo humano do desejo. E saber o que se quer é muito mais difícil do que saber o que se precisa.” — Luke Burgis

Eu não sei há quanto tempo você está aqui nessa newsletter. Sempre dediquei esse espaço aos bastidores, como diz na descrição — mas aqui, bastidor também se refere ao meu íntimo; a como eu lido com meu trabalho e minha vida.

Há 10 anos eu buscava uma vida que, na verdade, não era a que eu queria.

Me lembro de uma fala de Leandro Karnal em uma palestra: “as pessoas me perguntam se sou feliz. Eu não sei dizer se sou, mas posso afirmar com certeza que já fui infeliz.”

Porque quanto mais nos distanciamos de algo que costumava ser o “normal”, menos normal aquilo fica. É como se o tempo removesse toda a embriaguez do momento e deixasse apenas a sensatez da realidade como ela é.

Quando decidi empreender no mercado de design, largar a agência e começar meu estúdio, meu ideal era trabalhar com aquilo em que eu acreditava, do jeito que acreditava. Um objetivo genuíno, que continuo perseguindo até hoje.

O problema é que, junto disso, havia muito mais forças miméticas me controlando do que eu podia perceber. Eu queria pertencer. Eu queria ser aceito. Eu queria ser visto como foda. Mas essa busca acabou me afastando daquilo que realmente importava para mim.

A linha que separa “trabalhar com o que acredito” de “trabalhar do jeito que acho que os outros esperam de mim” é mais fina do que parece.

Depois de alguns anos construindo meu estúdio até ele se tornar uma consultoria de marca, percebi que havia navegado para um caminho que não me satisfazia, não me preenchia.

Eu precisei vencer e conquistar algumas coisas que, lá no fundo, eu mesmo duvidava que conseguiria, para perceber que não queria essas coisas. Eram apenas provas para sentir que estava à altura daqueles que eu imitava.

A terapia ajudou muito. Aprender sobre si mesmo é o único caminho.

E, para mim, terapia é isso: um treino sobre como saber ser você mesmo melhor. É adquirir autoconsciência e deixar de agir no modo reativo. É se tornar consciente de si.

A verdade é que viver feliz no simples é muito mais complexo do que viver uma vida que não é a sua.

Mais ou menos nessa época foi quando comecei a me comunicar na internet. Esse foi o divisor para dar voz àquilo que nem eu mesmo entendia direito, mas que era genuíno.

Se passaram 5 anos. Hoje eu sei que sou mais feliz. Porque me pego em momentos felizes com mais frequência. Porque sou capaz de perceber que, mesmo nos períodos difíceis, estou lidando com problemas que fazem parte da vida que eu quero viver.

Ontem, conversando com um cliente, ele disse algo parecido. Mesmo tendo milhões de seguidores e negócios bem-sucedidos, ele se sente o “famoso mais anônimo do mercado”. Porque criou um personagem. Viveu achando que não podia ser ele mesmo para construir as coisas que queria construir.

Existe prisão pior?

Por isso concordo com Luke Burgis: somos macacos copiando uns aos outros, tentando encontrar a própria identidade no grupo.

E o que sempre percebemos, em algum momento, é que essa identidade e esse lugar no grupo só valem se estivermos sendo quem realmente somos.

O grupo vai te valorizar quando você unir suas habilidades com seus interesses reais. O mercado vai te premiar quando você conectar sua identidade com sua oferta.

Ou seja, vão te achar foda quando você for você mesmo.

Dá trabalho? Dá. Assim como dá trabalho construir algo por imitação.

Olhar para o lado e copiar nossos pares é como estamos acostumados a nos desenvolver como espécie. Ao mesmo tempo, é a pior forma de encontrar nossa própria identidade.

Por isso, hoje eu digo: você é o seu nicho.

Escute o que sua bússola interna diz. Percorra os interesses que te cativam. Aprenda o que é necessário para explorá-los. Permita-se gostar do que você gosta.

Dessa forma, você será capaz de contribuir melhor com o grupo que tanto quer que te aceite.

E quando isso acontecer, você terá sido aceito por quem você realmente é.

E isso, para mim, é sucesso.

Read on andrelona.substack.com

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