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Newsletter do Lona · Apr 7, 2026

O design das coisas que realmente importam.

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André Lona · Newsletter do Lona

3h da manhã. Steve Jobs te liga para dizer que o parafuso padrão de mercado não serve.

Não é um parafuso visível. Não faz parte da estética externa do produto. Fica escondido dentro da máquina, num lugar que quase ninguém jamais veria. Ainda assim, Jobs queria um parafuso próprio.

Essa história é verdadeira, e aconteceu com David Kelley, (designer e fundador da d.School e da IDEO, centros de pesquisa e consultoria de Design Thinking) enquanto ele trabalhava com Jobs na criação do computador da NEXT, empresa que Jobs criou depois de ter sido expulso da Apple).

E isso diz muito sobre como as grandes mentes enxergam design.

Essa não é uma história de Steve Jobs sendo só um perfeccionista obsessivo.

O que essa cena revela, na verdade, é uma forma de pensar. Uma forma de olhar para o mundo que se recusa a aceitar a solução padrão só porque ela já existe.

Uma forma de raciocinar que não se satisfaz com o “bom o suficiente”, principalmente quando esse “bom o suficiente” é apenas a repetição automática do que todo mundo já faz.

É aí que essa história começa a ficar interessante para nós, designers.

Porque, no fundo, ela não fala sobre parafuso. Ela fala sobre mentalidade.

Carol Dweck, psicóloga e pesquisadora, ficou conhecida por organizar esse raciocínio em duas ideias: mentalidade fixa e mentalidade de crescimento.

A mentalidade fixa parte do pressuposto de que as coisas são como são. Você nasce com certos talentos, certas limitações, certas capacidades, e seu papel é operar dentro disso.

Já a mentalidade de crescimento parte de outro lugar. Ela assume que habilidade pode ser desenvolvida. Que problemas podem ser observados por novos ângulos. Que o potencial humano não está totalmente determinado. Que existe espaço para evolução, invenção, refinamento e descoberta.

E, para mim, é impossível olhar para o design sem perceber que essa segunda mentalidade sempre esteve ali.

O bom designer não olha para um problema como alguém convencional olha.

Ele não parte apenas da lógica do costume. Não pergunta só “como isso costuma ser feito?”

Ele pergunta: “E se…?”

Foi isso que Steve Jobs fez ao discutir um parafuso que ninguém veria.

E é isso que o design thinking, antes de virar buzzword de workshop, sempre tentou praticar: uma postura de investigação criativa diante da realidade.

Não é sobre post-it colorido. Não é sobre parecer inovador. É sobre treinar o olhar para perceber que o padrão, muitas vezes, não é a melhor resposta, só é a resposta mais repetida.

E talvez seja exatamente por isso que design nunca foi sobre estética. Ou melhor: a estética importa, claro. Mas ela vem depois.

A estética é consequência de uma forma de pensar. Ela segue a função. Ela segue a intenção. Ela segue o raciocínio. Ela segue a visão.

Quando o designer reduz o próprio trabalho a “deixar bonito”, ele abandona justamente a parte mais valiosa da profissão.

Porque o valor do design não está em enfeitar a superfície. Está em enxergar o que os outros não enxergaram ainda.

Está em formular melhor o problema.

Está em propor uma solução que não seria encontrada por alguém preso à lógica mais óbvia.

E isso vale ainda mais para quem trabalha com marcas.

O designer de marcas não está apenas organizando elementos visuais. Ele está tentando traduzir uma mensagem que não pode ser traduzida de qualquer jeito.

Está tentando dar forma a uma percepção, tornar visível uma intenção.

Está tentando criar clareza onde antes existia ruído.

É por isso que marcas fortes não são construídas apenas com bom gosto.

Elas são construídas com a capacidade de perceber o que merece ser preservado, o que precisa ser refinado e de que maneira uma mesma verdade pode ser contada de formas diferentes ao longo do tempo.

No fim, o segredo das marcas fortes não é inventar uma nova história toda semana.

É encontrar uma história que vale a pena ser contada e passar o resto da vida buscando novas formas de contá-la.

É isso que Steve Jobs fazia. E é isso que você, como designer, deveria buscar no seu trabalho.

Porque o mercado está cheio de gente capaz de reproduzir estética.

Está cheio de gente capaz de referenciar tendências, montar composições bonitas e entregar algo visualmente aceitável.

Mas ainda é raro encontrar quem pense de verdade. Quem investigue de verdade. Quem olhe para um problema comum e se recuse a resolvê-lo da forma comum.

No fundo, é isso que separa o designer que apenas executa do designer que realmente cria valor.

Um aceita o padrão. O outro questiona até o parafuso.

É por isso que digo que estratégia de marca salvou minha vida (e carreira). Porque ela me colocou no caminho do design thinking; em usar o design da forma correta para construir marcas impossíveis de serem ignoradas.

O estratégia de marca me fez ser um designer melhor, porque ela é um método para voce usar o design como método de pensar, não só a como ferramenta visual.

Design como método, não como como ferramenta superficial.

No Marcados você aprende o método que uso há 10 anos. A mesma mentalidade, sendo polida a cada novo projeto, hoje sendo usada por milhares de designers.

Faltam poucos dias para encerrar as inscrições. Clique aqui para entrar nessa turma.

Ótima semana,
LONA

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