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Vamos Escrever de FUm · Dec 9, 2025

Tentativa de Compreensão

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Vamos Falar de FUm 🏁🎙🔊 · Vamos Escrever de FUm

Na semana passada, a Hyundai Motorsport anunciou os pilotos da sua equipa para atacar a temporada de 2026. Foi criada muita expectativa com a saída de cena, repentina aos olhos do público, de Ott Tänak e a equipa sul coreana anunciou que Thierry Neuville e Adrien Fourmaux se mantêm a tempo inteiro para a próxima temporada, sendo o terceiro carro partilhado entre Dani Sordo, Esapekka Lappi e Hayden Paddon. As reações foram mistas, com uma tendência de descrença e estupefação. Mas, qual foi a lógica que levou a Hyundai a tomar este rumo?

Equipa da Hyundai em 2026 | Créditos Hyundai Motorsport

A próxima temporada, 2026, marca o final do ciclo atual de regulamentos dos carros Rally1, que serão substituídos por carros WRC27 – máquinas com conceitos de construção e utilização totalmente diferentes. Preencher o vazio deixado pelo Ott Tänak nunca seria uma tarefa fácil, mas havia alguns nomes no plantel do WRC e do WRC2 que poderiam dar o ar de sua graça e potencialmente atingir os níveis de desempenho do piloto estónio. Mārtiņš Sesks, Yohan Rossel ou até Nikolay Gryazin são pilotos com qualidade suficiente e que poderiam perfeitamente assumir o terceiro carro da Hyundai. O Yohan Rossel e o Nikolay Gryazin teriam um pendor maior para provas de asfalto e o Mārtiņš Sesks tem demonstrado uma maior aptidão para provas de terra, especialmente provas rápidas.

Ainda assim, a Hyundai Motorsport deu preferência ao caminho da experiência. Dani Sordo e Esapekka Lappi são dois nomes bem conhecidos dos adeptos de ralis e ambos estiveram neste mesmo lugar em 2024, quando dividiram o terceiro carro com o Andreas Mikkelsen.

O Esapekka Lappi é inevitavelmente uma promessa “falhada”. Um piloto que prometeu tanto quando apareceu com a Toyota em 2017, e nunca conseguiu provar todo o potencial que lhe era atribuído. Ainda assim, é mais do que capaz de fazer umas gracinhas e volta e meia surpreende-nos a todos, como na Suécia em 2024. A sua experiência pode ser importante para ajudar a Hyundai nas provas de terra rápidas, algo que o Thierry Neuville elogiou em 2023.

O Dani Sordo, apesar da idade, continua a ser uma mais-valia para qualquer equipa, tendo a capacidade de conquistar sempre pontos para a equipa. É provavelmente dos melhores “segundos pilotos” que o WRC teve neste milénio, e aos dias de hoje vai conseguindo disfarçar a idade com a posição de partida nas provas de terra e com a consistência que o caracteriza. Nas últimas duas temporadas que participou com a Hyundai tem quatro pódios em dez provas, tendo marcado pontos em oito, excetuando uma desistência por problemas mecânicos e um acidente no Japão em 2023. Os números não enganam e os quase vinte anos de experiência no WRC, podem ser fundamentais para a marca sul coreana subir o rendimento.

Já Hayden Paddon foi a cartada surpresa nesta apresentação. O piloto neozelandês, tem estado afastado do mais alto nível do WRC desde 2018 e, apesar disso, tem-se mantido relevante com vários títulos continentais conquistados nas últimas temporadas aos comandos de um Hyundai i20 Rally2. O ritmo competitivo está lá e o piloto parece finalmente ter ultrapassado os problemas psicológicos após o acidente em Monte Carlo em 2017. O Hayden pode ser um piloto muito útil para a Hyundai, e além de trazer mais experiência às fileiras da marca, o seu conhecimento dos carros Rally2 pode ser fulcral para o desenvolvimento do carro WRC27, cujo nível competitivo será pouco superior aos atuais Rally2, e o piloto neozelandês tem sido o único piloto a conseguir manter o Hyundai i20N Rally2 consistentemente competitivo nos palcos internacionais.

Hayden Paddon campeão Europeu em 2023 | Créditos ERC

Mas nem tudo é um mar de rosas.

O Hayden Paddon apesar de mostrar rapidez nos pelotões de Rally2, vai ter de mostrar se ainda consegue ser competitivo no Rally1 e o desconhecimento de muitas das provas do calendário de 2026, é mais uma dificuldade para este regresso. Mas , segundo alguns rumores, também parece haver relutância de alguns pilotos do pelotão do WRC2 em subir apenas um ano aos Rally1, visto que iriam passar um ano de aprendizagem para depois tudo mudar, correndo o risco de mancharem a sua imagem para as marcas potencialmente interessadas em entrar em 2027 e em diante.

E esta estratégia de ter três pilotos a dividir um carro já foi testada pela Hyundai em anos anteriores, incluindo em 2024 onde estiveram presentes dois dos três pilotos mencionados. Apenas Dani Sordo conseguiu bons resultados nessa época, com Esapekka Lappi e Andreas Mikkelsen a terem dificuldades a mostrar ritmo competitivo com a consistência necessária ao participarem em provas esporádicas e não consecutivas. Será mais do mesmo? Ou a Hyundai Motorsport sabe algo que nós ainda não sabemos?

A marca sul coreana toma muitas vezes decisões que são difíceis de compreender e, no papel, contratar pilotos experientes pode ajudar a elevar o nível da equipa, ainda que tenha desapontado muitos fãs que, eu incluído, preferiam ver o lugar dado a pilotos jovens e em ascensão.

Mas a verdade também é que a Hyundai Motorsport não vive para agradar, vive para resultados e o pragmatismo aplicado na última década tem dado alguns, ainda que escassos para o potencial apresentado. Mas isto vem muito do estilo sul coreano com poder mais centralizado e hierárquico, bem diferente do estilo japonês que vemos na Toyota.

A marca foi um dos estandartes da ditadura de Park Chung Hee, entre 1962 e 1979, que deu poder a empresas estratégicas de forma a alavancar o crescimento do país e cujas famílias, os chaebol, possuem imensa influência até aos dias de hoje.

Na Coreia do Sul, a Hyundai não tem concorrência. Juntamente com a KIA, o Hyundai Motor Group possui uma fatia a rondar os setenta por cento das vendas de carros no país. É por isto, que não vemos a marca a investir em programas de pilotos locais, que não os vemos a fomentar o gosto pelo desporto automóvel localmente. O monopólio é tão grande, que apenas interessa crescer lá fora. E na visão sul coreana, o crescimento é pensado em resultados mais imediatos.

E talvez isto ajude também a compreender melhor muitas atitudes ao longo da última década e também estas contratações.

Read the original on vff1.substack.com

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