Do descanso ao convívio social, todos os aspectos da existência viraram pretexto pra performar e buscar o rendimento máximo. É esse fenômeno que vem sendo chamado de “maxxing”.
À primeira vista, pode parecer só mais um termo gringo de internet. Mas ele remonta a alguns cantos sombrios das redes e resgata uma obsessão bastante contemporânea: a otimização da vida.
O termo nasceu nos games, como estratégia pra extrair o máximo dos atributos de um personagem, custe o que custar. Nos anos 2010, migrou pra fóruns incels com o “looksmaxxing”: otimizar a aparência física a qualquer preço, inclusive martelando os ossos do rosto, na aposta de que isso definiria quem seria aceito ou rejeitado. Hoje, a versão feminina dessa lógica já circula no TikTok.
Mindmaxxing — Seu cérebro rendendo cada vez mais.
Catholicmaxxing — Quando devoção religiosa vira meta.
Solomaxxing — Tirar o maior proveito possível da vida solo.
Smellmaxxing — Busca pela fragrância “autoral”.
Careermaxxing — Trajetória profissional acima de tudo.
“Esses novos hábitos e crenças respondem a uma certa naturalização da dinâmica do mercado e do espetáculo, como se fossem as únicas possibilidades existenciais hoje disponíveis. Ou seja, só vale o que monetiza, em vários sentidos, mas esses parâmetros são ditados pela cotação flutuante dos mais diversos mercados.”
“Convenhamos: estar bem sozinha, gostar da própria companhia, ter amor próprio e ver a vida acontecendo sem depender de um amor romântico não é descoberta de 2026. Pra muitas mulheres da minha geração, isso é maturidade conquistada com tempo, sem precisar de sufixo, hashtag ou carinho do algoritmo.”
Vivemos hiperconectados e, paradoxalmente, mais desconectados do que nunca: intimidade em crise, confiança abalada, vínculos superficiais. E não é só nas relações — a mesma lógica vale pro corpo, pra fé, pro trabalho: quanto mais a gente otimiza, menos espaço sobra pra dúvida, pra vulnerabilidade e pra imperfeição.
Saiba mais: “‘Maxxing’: entenda o que há por trás da onda de maximizar tudo, da aparência à fé” (O Globo); “Gen Z Singles Are Trying to Make ‘Solomaxxing’ Aspirational” (Wired); “Solo-maxxing: gen Z is embracing single life – for a very sad reason” (The Guardian).

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