Hoje é quase automático abrir o GPS antes de sair pra um lugar que não conhecemos.
A tecnologia facilita (e muito) a vida. Mas, quando sabemos exatamente onde estamos e pra onde vamos o tempo todo, será que também não deixamos algumas coisas pelo caminho?
Afinal, o que o excesso de controle nos impede de viver?
Seja na sua cidade, seja durante uma viagem, andar sem destino faz você esbarrar em restaurantes, praças, lojas e outros endereços que nunca teria encontrado de outra forma. Eles não estão nas listas de “imperdíveis”, às vezes nem têm redes sociais, mas podem se tornar seus cantinhos favoritos.
Não saber exatamente onde estamos indo também é capaz de nos fazer trocar algumas palavras com estranhos. Estudos já mostraram que a small talk — a famosa conversa fiada — aumenta o bem-estar e a sensação de pertencimento. E vai que o papo engata? Pode surgir um flerte, uma amizade…
E não estamos falando só de geografia. Às vezes, é na confusão dos próprios pensamentos que nos percebemos insatisfeitos com o percurso que estamos seguindo. E dessa inquietação podem surgir novos desejos — e a coragem pra colocá-los em prática.
Nem sempre temos clareza sobre pra onde queremos ir ou até mesmo pra onde estamos indo. E tudo bem. Em um momento em que tentamos controlar tudo, fazer as pazes com a incerteza abre espaço pra algo cada vez mais raro: ser surpreendido pelo que não estava nos planos.

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