O ser humano não apenas sofre pela própria história, como a repete, a sustenta e, em certo sentido, a escolhe — inconscientemente. A fidelidade à sua própria tragédia é o que organiza psiquicamente o sujeito, ainda que às custas da própria felicidade.
A tragédia pessoal retorna sempre sob novas roupagens, o que faz com que nem sempre consigamos perceber as próprias repetições. Quantas vezes nos enganamos ao pensar que dessa vez vai ser diferente? Mas não temos o luxo de fechar os olhos para aquilo que, secretamente, nos constitui. O sujeito permanece fiel à sua tragédia porque ela constitui um núcleo traumático em torno do qual sua identidade se organiza.
O abandono, o fracasso, a humilhação e a perda podem se transformar na base com que firmamos toda uma vida, caso não consigamos elaborar. É como se o psiquismo buscasse dominar retroativamente aquilo que saiu do seu controle.
Vemos isso em Fleabag, série criada e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge. A série é quase um estudo clínico sobre a ideia de que a dedicação à própria tragédia pode organizar o sujeito, rs. Fleabag não é apenas uma personagem “autodestrutiva”. Ela é alguém profundamente fiel à sua dor. O fato da personagem se apaixonar por um padre não é um detalhe excêntrico do roteiro, afinal o padre encarna, ao mesmo tempo, a possibilidade de amor e a impossibilidade de realizá-lo.
Apaixonar-se por alguém estruturalmente interditado — como um padre ou alguém casado,

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