Muitos são capturados pela intimidade que a frase “eu te conheço” faz soar, como uma garantia de proximidade. Há realmente algo de reconfortante, e profundamente humano, nessa ideia de que o outro não é mais um enigma, de que tudo que existia de mistério já foi decifrado, de que não há mais risco no encontro. Acalmamos o coração com essa pseudo segurança afetiva, como se o vínculo estivesse protegido da instabilidade, da surpresa e do inesperado… Ledo engano.
Engana-se quem acredita que o outro se esgota, ou, ainda, que tudo nele pode ser totalmente iluminado. Se engana profundamente quem não entende que em cada sujeito existe uma dimensão que resiste à captura — algo que não se deixa ver por inteiro, que não se traduz completamente em palavras, e que nem mesmo para si próprio se apresenta de forma transparente.
Nos iludimos para ter o mínimo de segurança nessa areia movediça que são os encontros.

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