Palavras: 1587. Tempo de leitura: 8 minutos (áudio no Telegram).
O documentário A Beautiful Obsession, que foi esta semana lançado no Reino Unido e não está ainda disponível na Amazon Prime em Portugal, retrata os últimos dois anos de Pep Guardiola no Manchester City, da desgraça que foi a época de 2024/25 à ligeira retoma de 2025/26, com duas taças ganhas antes da despedida do catalão. Valerá – que ainda só vi pequenos excertos disponibilizados no Twitter por alguns adeptos – pela possibilidade de espreitar para um dos balneários mais consagrados do futebol mundial e para reforçar uma ideia que eu já tinha e que, creio, qualquer psicólogo confirmará: a de que o ambiente do futebol de alto rendimento é marcado por discursos de profunda codependência e que a toxicidade se explica porque esta é uma zona de individualismo amplamente marcado pela elevada recompensa, em nome da qual tudo se suporta. O que se tira dos discursos de Guardiola aos jogadores é que ali se dizem (e se engolem) coisas que não são minimamente saudáveis nem próprias de adultos responsáveis, mas que o facto de elas serem vistas como indispensáveis para o sucesso de um dos mais geniais líderes que este desporto viu não implica necessariamente uma infantilização do futebolista ou a menorização do seu caráter. O futebol é assim, tóxico, mas todos sabem disso e o aceitam, porque a verdade é que estariam muito pior fora dele.

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