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António Tadeia · Aug 21, 2026

A era das parcerias estratégicas

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António Tadeia · António Tadeia

Graeme Souness, Virgil Van Dijk e Jamie Carragher juntaram-se esta semana para uma conversa de capitães transmitida pelo canal de televisão do Liverpool FC. São referências de um clube que se abre mais ao capital (Foto: Facebook Liverpool FC)

Palavras: 1610. Tempo de leitura: 9 minutos (áudio no Telegram).

O Fenway Sports Group, dono do Liverpool FC, tornou público que chegou a acordo para a venda de 38 por cento do clube a um consórcio intitulado 1892 Holdings, que inclui Jeff Bezos, fundador e dono da Amazon e terceiro homem mais rico do Mundo, Eduardo Saverin, que é co-fundador do Facebook, e Amit Bhatia, o líder do grupo e cunhado de Lakshmi Mittal, um bilionário indiano do setor do aço que está por trás do financiamento. Por esta parcela não-controladora do gigante inglês, este grupo de investidores pagará um pouco mais de dois mil milhões de libras (2.333 milhões de euros). Bhatia entra como vice-presidente, Elaine Saverin, que é a mulher de Eduardo, também passa a sentar-se no Conselho de Administração, mas nada muda quanto às grandes decisões, que ficam na mesma nas mãos do FSG. Os novos investidores terão preferência – chamam-lhe direito de recusa – caso os atuais donos queiram sair, coisa que estes negam. Mesmo que tenham comprado o Liverpool FC por 300 milhões de libras em 2010 e o pacote total de ações esteja agora valorizado por este negócio em 5.500 milhões, isto é, cerca de 18 vezes mais. O negócio torna-se, ainda assim, um exemplo do novo futebol, o futebol visto por investidores como oportunidade de lucro muito para lá da compra e venda ou da direção de operações, porque mexe com muitos setores além da formação de plantéis ou das mais-valias. O Liverpool FC acredita que com a operação cria oportunidades nos negócios globais, na tecnologia e no investimento, incluindo os mercados da Índia e da Ásia. E os que entram acreditam que com isso podem não apenas valorizar a posição que vão ocupar como favorecer outros interesses extra-futebol. É o chamado ‘win-win’, desde que haja entendimento. E isso nem sempre se consegue, como se percebeu no Chelsea. O Financial Times reporta (aqui) a existência de conversações para a saída de Todd Boehly e Mark Walter, sócios minoritários, desavindos com a maioritária Clearlake Capital de Behdad Eghbali e José Feliciano. Seja como for, o que a tomada de posição do 1892 Holdings no Liverpool FC grita é que está aí a era das parcerias estratégicas em que toda a gente tem algo a dar e, depois, a retirar, e no âmbito da qual os clubes procuram mais do que financiamento imediato. Falta perceber quando é que a coisa chega aos grandes portugueses, todos eles com margem para alienar capital sem perderem as suas maiorias qualificadas, como pode avaliar na última edição dos Donos da Bola (aqui). Enquanto isso não acontece, vale a pena ler o que escreveu Paul Hayward no The Observer de domingo (aqui) acerca da entrada de Bezos no futebol inglês.

O rocambolesco caso que opõe o 1º de Dezembro ao Sacavenense a propósito da vaga na Série 4 do Campeonato de Portugal, quarto escalão do futebol nacional, é uma metáfora para os dilemas habituais da justiça aplicada a realidades que andam bastante mais depressa do que ela, como o futebol. Não sou, evidentemente, competente para dizer quem tem razão, se o 1º de Dezembro, equipa que desceu da Liga 3 para o CdP mas viu a inscrição rejeitada pela Federação Portuguesa de Futebol, por não estar a cumprir os critérios de licenciamento, se o Sacavenense, equipa do distrital de Lisboa que devia ocupar o lugar dos sintrenses se eles acabassem por não ser aceites. Os órgãos da FPF que têm de zelar por estas coisas, no entanto, acharam que devia ser o Sacavenense. E não sou também, como é evidente, contra o estado de direito e a possibilidade de recurso, que foi o que o 1º de Dezembro utilizou. Tudo somado, isso levou a que, um dia antes do jogo de estreia, em Albufeira, contra o Imortal, o Tribunal Central Administrativo do Sul tenha aceite a providência cautelar apresentada também pelo 1º de Dezembro e determinado a imediata reintegração desta equipa, que assim foi quem foi ao Algarve apanhar 5-0 do Imortal. Em causa estava o irreparável prejuízo que seria causado caso o recurso – naturalmente ainda não julgado – venha a obter provimento. E não há aqui novidade nenhuma. Este é o mesmo tribunal que o futebol já celebrizou por atrasar ou até anular o cumprimento de suspensões automáticas que são alvo de recurso para o TAD, o Tribunal Arbitral do Desporto. Se há inocentes que passam dias, meses, anos na prisão antes de se lhes dar razão, por que razão não há-de um campeonato que até é amador – ainda que envolva muitos profissionais – ficar à espera de uma decisão dos tribunais? A justiça, infelizmente, anda sempre mais lenta do que a vida.

Se houve coisa que nos disse a abertura da temporada em Inglaterra, com o tradicional Community Shield a sorrir ao campeão Arsenal, foi que o Manchester City ainda não está pronto para competir. O baque foi duro, com a saída de Pep Guardiola e a entrada de Enzo Maresca, mas também com as perdas de Rodri e Bernardo Silva, os dois médios que colavam o jogo da equipa e seguiram, um para o FC Barcelona e outro para o Real Madrid, para animar a Liga de Javier Tebas no desafio à Premier. Um golo no primeiro minuto, outro a meio da primeira parte e um terceiro a abrir a segunda foram suficientes para acabar com a conversa e deixar os adeptos que foram de Londres a Cardiff à espera de um passeio na Premier League, de algo que, no entanto, ninguém faz desde 2018/19 – ganhar a Supertaça e o campeonato que começa a seguir. Bruno Guimarães, que veio do Newcastle United, chegou até para que Rice começasse a partida no banco, ao lado de Saka, Zubimendi ou Gyökeres. O mesmo banco para o qual se calhar ficará remetido Ezri Konsa, esta semana contratado ao Aston Villa por 60 milhões de euros. Do outro lado, continua a haver Haaland, Foden, Doku, chegou Anderson mas falta ainda muita consistência. E falta perceber se o clube terá com Maresca a paciência que o Arsenal teve de ter com Arteta.

Cristiano Ronaldo disse à Vogue que provavelmente esta será a última época dele em campo. A revelação, feita no âmbito do exclusivo que vendeu do casamento com a sua companheira de há vários anos, a argentina Georgina Rodríguez, foi a forma de garantir que mesmo naquele dia se falava mais dele do que do brilho da noiva. Mas com Ronaldo, já se sabe, quer ele queira quer não, tudo acaba por ser acerca dele. Aos 41 anos, o avançado do Al Nassr está a 24 golos dos mil, objetivo que não quererá deixar escapar. A jogar na Arábia Saudita, é bem possível que os alcance mesmo sem prolongar mais a carreira: em 2025/26, por exemplo, marcou 30, menos cinco do que na temporada anterior, a de 2024/25. Se repetir a quebra gradual (cinco golos a menos), em sinal de envelhecimento, chega aos mil e um. E isto sem contar com a seleção, porque nem ele nem ninguém esclareceu o mistério. Será que Jorge Jesus o convoca para Setembro? E estará ele disponível? Pode ser que venha aí um batizado para ficarmos todos a saber...

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É às 12h30, em direto apenas no Substack – e recomendo que usem a app, que podem instalar já aqui. A gravação do programa será depois colocada no meu canal de YouTube. Todos podem ver o direto, só os subscritores Premium podem comentar e interagir. Hoje, o programa será sobre a semana europeia e as perspetivas de quadro final das provas da UEFA. Vamos falar sobre o Benfica e o SC Braga, mas também acerca do que aparenta vir a ser a Liga dos Campeões para FC Porto e Sporting. E não deixaremos de antecipar o início do futebol internacional a sério, com o pontapé-de-saída da Premier League, da Serie A, da Ligue 1 e da Liga Espanhola que conta, que os candidatos adiaram os jogos da primeira jornada. Apareçam!

Premier League paranoia driving Spanish spending, lançamento da Liga Espanhola feito por Ian Hawkey, no The Times, com atenção dada à entrada de craques, numa tentativa de dar seguimento ao título mundial da seleção com capacidade para combater a cada vez maior popularidade e competitividade da Premier League.

Los técnicos vascos se disputan la Premier que legó Guardiola, constatação de Diego Torres, no El País, para o arranque da Premier League. Há quatro bascos aos comandos de quatro aspirantes ao título: Arteta no Arsenal, Iraola no Liverpool FC, Xabi Alonso no Chelsea e, se quisermos alargar o crivo, Unai Emery no Aston Villa. A propósito, vale bem a pena ler a reportagem de Daniel Taylor e Laia Cervelló Herrero, no The Athletic, acerca do mesmo assunto: Inside the basque ‘dream’ factory that produced Iraola, Arteta and Alonso mete mesmo os pés ao caminho e vai ao bairro de Antiguoko, em San Sebastian.

Why is it no poisoned chalice following Guardiola, conta Chris Bascombe, no The Sunday Telegraph. E para antecipar a tarefa que aguarda Enzo Maresca no Manchester City não só foi buscar a experiência de Tito Vilanova em Barcelona como recupera as sucessões que correram bem, de Michels-Kovacs no Ajax de 1971, a Klopp-Slot no Liverpool de 2024.

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