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Descobertas por Sari Fontana · Aug 13, 2026

Queda de cabelo: queria ser Maria Bethânia

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Sarita Fontana · Descobertas por Sari Fontana

Uma vez por mês, trago uma edição de temas variados. Esta fica no meio do caminho, porque cabelo, embora não seja meu tema central, também tem a ver com saúde e alimentação.

Eu cresci em conflito com meu cabelo. Nasci em 84, o que significa que minha adolescência começou na segunda metade dos anos, 90, e isso explica muita coisa. O “padrão de beleza” capilar estava nos extremos: de um lado, tinha o liso escorrido à lá Jennifer Aniston; de outro, os cachos de Julia Roberts, aquela abundância em movimento, que fica tão bem nela. E eu estava lendo as revistas Capricho, lamentando por não ter sido contemplada com nenhum tipo de cabelo “certo”. Na verdade, eu tinha todos os tipos, só que na mesma cabeça.

Na era pré-chapinha, a gente descobriu que o ferro de passar também servia para alisar o cabelo — cada uma luta com as armas que tem. Funcionava, desde que não chovesse. Desde que a umidade relativa do ar estivesse nas CNTP, algo raro num país tropical. As ondas suaves com balanço natural só foram autorizadas (desde que sem frizz) no final daquela década, com o sucesso da Gisele nas passarelas. Mas eu também não era a Gisele.

Cabelo era uma coisa que eu tinha até demais. Em quantidade, em volume, num formato indefinido que não sabia domar. E Maria Bethânia1, embora me inspire pela maravilhosa voz, não conseguiu me influenciar no estilo capilar (quem sabe um dia eu evolua nesse sentido). Não sabia como lavar, quais produtos usar, muito menos o que ficava bem na moldura da minha cabeça. Mas uma coisa eu sabia: se deixasse secar livremente, ficaria metade liso, metade enlouquecido.

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Adamastor Pitaco

Tipo isso, só que tudo misturado, sem a linha que divide metade pra lá, metade pra cá.

Com o passar do tempo, comecei a ganhar meu próprio dinheiro e investi muito em cabelo: em ferramentas para alisar, enrolar, modelar e em produtos para tentar obrigar cada fio a obedecer ao meu comando. Hoje quero crespo. Amanhã, liso absoluto. Semana que vem vou querer um rabo de cavalo, porque não terei tempo para pensar. E assim os anos foram passando, entre escovas progressivas com formol e o sonho de transformar minha autoimagem a cada ida ao cabeleireiro.

Quando comecei a emagrecer (inicialmente, com remédios malucos e dietas que ninguém deveria fazer), meu cabelo começou a cair. Em determinado momento, cheguei a colocar um aplique de volume, porque não aguentava encarar no espelho uma imagem que não reconhecia. Cabelo é identidade.

A queda dos fios é uma resposta relativamente comum do corpo ao emagrecimento. Chama-se eflúvio telógeno (ET) agudo, uma condição que vim a tratar corretamente só mais tarde (e já me alimentando bem), orientada pela dermatologista Dra. Juliana Boza, com quem converso nesta edição.

“Eflúvio telógeno agudo ocorre em torno de 3 meses após um estresse físico/emocional: pode ser algo infeccioso, como influenza ou Covid, cirurgia, pós-parto, emagrecimento ou uso de medicações. O uso dos agonistas do GLP1, levando ao emagrecimento, tem sido uma causa frequente de eflúvio telogeno agudo.”

Dra. Juliana Boza, dermatologista

A situação piorou muito em 2020, quando tive Covid (antes de termos acesso a vacinas). O vírus maldito roubou meu olfato: fiquei 6 meses com anosmia, sem sentir gosto de nada (o café era só amargo), e ainda hoje tenho sequelas disso. Ele também levou o meu cabelo. Caiu tanto, mas tanto, que passei a ter medo de encostar a mão. Tinha medo de lavar e tudo ir embora pelo ralo. O rabo de cavalo já não enchia uma chuquinha, daquelas de bebê (mais adiante tem foto).

Eu estava ficando careca2. Enquanto isso, os poucos fios que restavam eram cada vez mais brancos.

Isso não era exatamente uma novidade, porque meus primeiros fios brancos vieram aos 19 anos. Eles sempre estiveram lá, mas depois dos 30, apareceram mais. E depois que mais da metade caiu, tive a impressão de que o que restou era quase todo branco, arrepiado e ainda mais revoltado.

Parece piada, mas foi o que aconteceu. E não me diga que existe coisa pior, porque, obviamente, sei que na escala dos dramas da vida o cabelo é uma bobagem estética. Pessoas vivem felizes sem cabelo e também vivem felizes com cabelos de diferentes cores e tipos. Mas eu não sou uma monja desapegada, gosto de ter cabelo e gosto que ele me obedeça. Cabelo fino e branco, pra mim, em mim, não estava na cartela de opções desejáveis aos 30 e poucos anos. E, aos 42, ainda não está.

Fui pedir socorro para a dermatologista, e tenho a sorte de contar com uma profissional que baseia suas condutas em evidências, não em vendas. Ainda na época, comecei o tratamento medicamentoso e um conjunto de ações que vou detalhar a seguir.

Mas antes, preciso contar algo importante que aprendi: queda de cabelo é multifatorial. Existem muitas possíveis causas, por diferentes mecanismos, então antes de sair testando o que sua amiga ou a influenciadora disse que funciona como tratamento, é preciso entender a causa da sua queda, que pode ser diferente da outra. Isso é fundamental para direcionar o tratamento.

Se você fizer o tratamento errado, o pior que pode acontecer não é apenas perder tempo e dinheiro. O pior que pode acontecer é perder ainda mais cabelo.

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Se você está passando por isso, antes de mais nada, consulte um dermatologista sério para investigar por que o seu cabelo está caindo.

Meu diagnóstico inicial foi de eflúvio telógeno agudo. O que consola é que, geralmente, depois de um tempo tudo volta ao normal. Só que, no meu caso, não voltou — ao menos não voltou ao que eu achava “normal”. Meu ET foi considerado crônico.

Read the original on sarifontana.substack.com

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