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Ruído Cinza · Jul 13, 2026

Ruído Cinza #49 (13/07)

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Vinicius Corrêa · Ruído Cinza

Bom dia/tarde/noite, leitores. Vamos falar de Kelela? Acompanho a diva desde 2017 e fiquei muito contente com o lançamento de “new avatar”, em que ela se reinventa mas continua fazendo o que sabe de melhor: fazer música boa. Nesta última sexta-feira, também teve o novo álbum do querido Bruno Berle, com “Sem Fronteiras”, lançamentos de Jack White, Xiu Xiu e Frost Children. Na Ruído desta semana, edição #49, também recomendo alguns títulos antigos de Akina Nakamori (que completa 61 anos hoje) e The Durutti Column (que eu achei que lançaria álbum semana passada, mas foi adiado para o final do mês). Uma ótima leitura e até a edição #50.

R&B Alternativo

“new avatar” não é exatamente a coleção de indie rock psicodélico nos moldes dos surpreendentes singles “linknb” e “idea 1” que Kelela lançou nos últimos meses. Na verdade, metade do disco é isso mesmo: experimentações com guitarras misturadas com as raízes do r&b — gênero do qual a artista orgulhosamente reconhece como o mais experimental e inventivo da atualidade. “new avatar”, misturando o uk garage de “the bridge” e “don’t piss me off” com o rock psicodélico de “crystalize” e “goin down”, acaba criando uma unidade com a performance e personalidade de Kelela que, mesmo em instrumentações distintas, tem uma mesma alma que as liga. Isso cria mais um coeso trabalho de Kelela, que está em seu terceiro álbum de estúdio. — ★★★★½

MPB

Bruno Berle lançou um disco que poderia se chamar “No Reino dos Afetos 3” e isso não seria o menor problema. “Sem fronteiras”, apesar de ter suas particularidades — alguns destaques são “Você sabe que eu te amo”, com sua ambiência guiada pela guitarra brasileira, e “Não posso viver sem você” que tem uma melodia pop deliciosa. Berle, que escreveu “Sem Fronteiras” sobre suas experiências viajando pela Europa com a dobradinha de “No Reino dos Afetos”, não apresenta versatilidade em seu terceiro disco. Porém, o artista alagoano se destaca ao criar refrões populares e deixa de fazer melodias instrumentais repetitivas. — ★★★★

Blues Rock, Hard Rock

Em sua carreira solo, Jack White sempre pareceu tentar se afastar da agressividade de suas bandas The White Stripes e The Raconteurs. Apesar de algumas canções cruas em discos como “Lazaretto”, a experimentação sempre foi o principal foco. Isso foi diferente com seu último e mais aclamado disco solo, “No Name” de 2024, que é um escândalo de álbum de hard rock, blues e o bom e famigerado rock de garagem que o artista é conhecido. Essa dose de urgência se repete em “Frozen Charlotte” que é praticamente uma continuação adequada ao último registro do artista. — ★★★★

Experimental

Falar que um filme ou uma música é “lynchiano” já se tornou batido. Porém, Xiu Xiu, um dos mais interessantes grupos de música experimental, capta perfeitamente a dissonância lúdica das trilhas do diretor surrealista. Apesar do título, “Eraserhead Xiu Xiu” é uma criação inédita para o duo Jamie Stewart e Angela Seo guiada pela trilha de “Eraserhead”, primeiro longa de Lynch com score do próprio com Alan Splet. Esse disco é reproduzido junto de um show imersivo que aconteceu em novembro de 2025 em Varsóvia, Polônia. Esse trabalho do Xiu Xiu, diferente do jazz-rock industrial de “Plays the Music of Twin Peaks” de 2016, está mais ligado a texturas obscuras e industriais de discos como “Ignore Grief” de 2023. — ★★★★

Frost Children - Tweaker Poem Lyrics and Tracklist | Genius
Hyperpop, EDM

Após lançarem seu melhor álbum de estúdio em 2025 e produzirem quase que inteiramente o mais novo e ótimo álbum da Kim Petras, Frost Children, a dupla formada por Angel e Lulu Prost, estreiam em uma gravadora grande. “Tweaker Poem”, novo EP do duo, marca uma virada para a carreira das artistas de edm e hyperpop no selo RCA. Elas despontaram nos últimos anos com álbuns como “Speed Run” de 2023 e principalmente “Sister” de 2025 que ampliou seu público a ponto de alguns fãs perseguirem a dupla de produtoras. Isso rendeu um EP fervilhante com seis faixas que caminham entre o trance e o hardcore eletrônico com letras sobre obsessão e a idolatração de artistas. — ★★★★

Imagem
Sophisti-Pop, R&B

Muito bom esse disco lançado há quase 4 meses e que eu só peguei agora para escutar. “F.I.G.” é a estreia como artista pop de Naomi Scott, que trabalhou sempre como uma “atriz que canta” e nunca lançou nenhum disco que não pertencesse à um de seus filmes. O álbum conta com uma penca de referências ao pop sofisticado e refinado dos anos 1980 que foram replicados no início dos anos 2010 por Dev Hynes e Solange. É um álbum que peca em ser derivativo em estilo mas que não deixa de ser interessante e diferente do que está acontecendo no pop atual. — ★★★★

Synthpop, Ethereal Wave

Hoje, 13 de julho, a maioral do pop japonês Akina Nakamori completa 61 anos. Em agosto, sua obra-prima gótica e experimental “Fushigi” completa 40 anos de lançamento. Este foi o primeiro álbum de uma das mais antigas idols que eu peguei para escutar e, desde a primeira ouvida, fico impressionado com toda a construção. São dez faixas obscuras e dark em que não dá para escutar exatamente tudo que Nakamori canta por conta das camadas de reverb em sua voz. Isso combinado com a atmosfera gótica, ritmos e guitarras de post-punk e influência da darkwave — trazidos pelos arranjos da banda japonesa Eurox — impulsionou Akina para além de ser uma idol do Kayokyoku para, de fato, uma artista, em seu primeiro disco auto-produzido.

FIDELITY | Amazon.com.br
Downtempo, Trip Hop

Por um equívoco, achei que o álbum novo do The Durutti Column, “Renascent”, iria ser lançado nessa semana. Porém, foi adiado para o final do mês, no dia 31. Eu acabei pegando alguns dos discos da banda de Vini Reilly para ouvir e me preparar e o que ficou mais guardado no meu coração entre os ótimos álbuns foi “Fidelity” de 1996. Reilly já tinha explorado a música eletrônica atmosférica em outro disco, “Obey the Time” de 1990, mas, aqui, ele se aprofunda nos drum loops carregados do trip hop e até experimenta os ritmos da house music. Com certeza, um de seus trabalhos mais marcantes que foi redescoberto como uma joia na vasta discografia do artista britânico.

Vinicius Corrêa tem 25 anos, é repórter de música, crítico musical e colunista da Agência UVA. Tem gosto eclético e variado, e está sempre disposto a descobrir artistas, bandas e estilos diferentes. Nas horas vagas, gosta de comprar discos e CDs e preparar listas específicas de discos.

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Read the original on ruidocinza.substack.com

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