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The Magic Letter · Mar 20, 2026

A pergunta que mais me assombrava na infância

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Patricia Putz · The Magic Letter

“Erhm…”

Isso era tudo o que eu conseguia responder para minhas amigas, que nunca entendiam minha vida, ou minha mãe.

Morávamos numa casa muito legal, com pais divorciados, uma babá maravilhosa, e uma mãe que estava lá, mas também tinha sua vida e suas coisas.

Foi depois de ouvir essa pergunta novamente, dessa vez da mãe de uma amiguinha, que eu parei para perguntar para a minha.

“Mãe, o que respondo quando falarem isso?”

“Você pode dizer que sou jogadora profissional de poker!”

“Erhmmm…” Estava aí a bendita onomatopeia mais uma vez.

“É, ou que sou autônoma.”

“Autônoma?”, perguntei sem ter o mínimo fio de compreensão para tecer algum visual do que isso significava.

“Sim. Eu jogo poker profissionalmente, mas faço meus horários, escolho meus jogos. Sou autônoma.”

“Mãe, mas todas as outras mães são advogadas, ou médicas, donas de lojas… Eu não posso falar isso.”

“Patricia, tem coisa mais legal do que ser autônoma? Não têm. Eu sou dona de mim.”

Foi isso, ou uma variação disso que ouvi, mas a mensagem ficou reverberando em minha mente, ecoando pelo vazio da falta de entendimento, enquanto eu só desejava que minha mãe fosse normal.

2022, 31 de Julho
O dia em que me tornei mãe.

Obrigada, mãe, por sempre ter sido você.
Obrigada, mãe, por sempre ter sido autêntica.
Obrigada, mãe, por sempre ter criado e feito espaço para que você existisse.
Obrigada, mãe, por sempre ter me mostrado que a vida foi feita para ser vivida. Sendo mãe, sendo mulher.

Essa foi a energia que me acompanhou durante a gestação, e que reverbera e reverberou pelos anos seguintes.

Que me encontrou no meu segundo pós-parto, e que me abençoa diariamente.

Essa energia, de ter tido uma mãe tão fora da curva, uma infância tão batizada de acontecimentos mágicos que o conceito de magia na vida não me é fantasioso, mas real, e por ter recebido uma criação com tanta liberdade, autonomia e confiança que escutei do meu médico (especialista em pessoas com superdotação/altas habilidades) que sou 1% dos clientes dele — por não ter sofrido nunca com isso e, pelo contrário, por ter sempre tido espaço para desabrochar como é ainda mais necessário em pessoas SD/AH).

Every summer soul (sun), every winter evening.
Every spring to come, every autumn leaving;

Estava há umas semanas meio afastada da escrita, e agora à tarde recebi uma mensagem da minha mãe que me fez vir aqui transbordar isso.

Era sobre o final de semana, que iremos à São Paulo, e ela disse que provavelmente estaria jogando.

“Classifiquei para um torneio ao vivo”, a mensagem dizia, acompanhada de uma foto de sua mão segurando o ticket da inscrição.

Me lembrei do quanto isso já foi pesado para mim.

E no quanto isso hoje sustenta a força que tenho como mãe, como ser, como mulher.

Ever close your eyes?
Ever stop and listen?
Ever feel alive?
And you've nothing missing.

Escrevo isso emocionada, ouvindo “Wild Child” de Enya (cantora que sempre me lembra a mim mesma, e minha mãe), e pensando no quanto nossa jornada é particular, única, mas se dermos a ela o significado correto, ela é também exatamente tudo aquilo que a gente precisa.

Jan/26 — @ home. Mali (minha mais velha), eu, minha mãe, e Mia (lab)

Oioi, sou a Pati Putz, e estou numa imensa reconstrução de vida, transbordando uma nova fase.

Sempre fui fascinada pela construção de mundos. Sejam eles de tijolos, ou de palavras :)

Sou paulistana, 33 anos, formada em Arquitetura e Urbanismo, e é aqui que as coisas ficam interessantes: dediquei a última década ao empreendedorismo criativo e fui pioneira na criação da "Arquitetura Noética", uma metodologia inovadora que uniu projetos físicos a estudos de fluxo energético, astrologia e bem-estar, tendo ministrado cursos e workshops para centenas de pessoas incríveis.

Me tornei mentora de mulheres, na vida e nos negócios, e fui imensamente feliz fazendo isso! Mas… Em Dezembro fechei esse capítulo da minha vida para me dedicar integralmente à escrita!

Sigo meu coração com força, e acredito que a leitura, especialmente do meu gênero preferido (fantasia romântica), não seja uma fuga da realidade, mas uma ferramenta de expansão: escrevo para fazer o outro sentir, questionar, e se apaixonar ainda mais pela vida e suas nuances.

Read the original on patiputz.substack.com

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