A pós-modernidade é marcada por uma sensação constante de que algo está sempre faltando. O sujeito contemporâneo vive sob a promessa permanente de felicidade, sucesso e realização pessoal, mas essa promessa é estruturalmente inalcançável. Quanto mais se oferece, mais se deseja. Quanto mais se alcança, mais se sente a falta.
Freud já falava do mal-estar na civilização como efeito inevitável da vida em sociedade: para viver em grupo, precisamos renunciar a impulsos, aceitar limites e lidar com frustrações. Na pós-modernidade, porém, esse mal-estar não é mais apenas o conflito entre desejo e repressão, mas entre desejo e excesso de oferta.
O problema já não é “não posso”, mas “posso tudo — e mesmo assim não basta”.
O sujeito de desempenho projeta a si mesmo na lida do eu ideal […] se o eu se enreda num eu-ideal inalcançável, vê-se literalmente fatigado ao extremo por ele. Do fosso que se abre então entre o eu real e o eu ideal, acaba surgindo uma autoagressividade.
— Han, 2017
Para Freud, o sofrimento provém de três grandes fontes: nosso próprio corpo, o mundo externo, e

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.