Nasio inicia seu livro Édipo: o complexo do qual nenhuma criança escapa retomando uma das formulações mais conhecidas da psicanálise: o menino, apaixonado pela mãe, deseja afastar o pai; a menina, por sua vez, direciona seu investimento afetivo ao pai e busca excluir a mãe. Embora essa descrição tenha se tornado quase um clichê da psicanálise, o complexo de édipo não deve ser compreendido como uma simples trama de amor e rivalidade entre pais e filhos.
Trata-se, antes de tudo, de uma experiência ligada à sexualidade infantil, isto é, ao modo como o corpo participa da constituição do desejo e do prazer. O centro da questão não está nos sentimentos de apaixonamento ou hostilidade em si, mas nas fantasias inconscientes, nas manifestações do desejo e nas experiências corporais que marcam a relação da criança com as figuras parentais. Assim, ainda que o amor e os conflitos familiares façam parte dessa dinâmica, é a dimensão do desejo inconsciente que ocupa um lugar fundamental na compreensão do complexo de Édipo.
O complexo de édipo é a irrupção, na infância, de um

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