“A existência é corporal.”
— Breton (2006)
Vemos frequentemente na clínica a importância de compreender o corpo a partir dos diferentes contextos históricos e sociais em que ele se inscreve, porque a relação entre corpo, sociedade e discurso é indissociável. Dito de outro modo, as formas de regulação e expressão dos corpos acompanham os modos de organização social de cada época.
Na Idade Média, por exemplo, a forte influência da igreja e a concepção religiosa do homem como criatura divina submetiam o corpo à alma, fazendo dele tanto um instrumento de purificação espiritual quanto de sacrifício e punição. Assim, os modos de socialização do corpo eram orientados pelos princípios morais e religiosos vigentes.
Já no período renascentista, entre os séculos XIV e XVI, o corpo passa a adquirir novas significações, sendo progressivamente associado ao ideal de beleza e

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