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MVL's Winery · Aug 14, 2026

Vindimas antecipadas e olhos postos no clima

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Margarida Vaqueiro Lopes · MVL's Winery

Este ano Portugal tem-se aguentado à pressão climática, com as vindimas a acontecer dos prazos esperados em praticamente todas as regiões – espera-se, também, mais uvas do que na campanha anterior, porque como não estamos com redução de consumo, aquilo de que precisamos é de mais produção 😊

Mas voltemos ao resto da Europa: aqui ao lado, em Espanha, houve este ano um avanço histórico: as vindimas começaram até 20 dias mais cedo em La Mancha, Penedès, Rioja Oriental, Aragón e Bierzo. As ondas de calor sucessivas em junho e julho aceleraram a maturação e obrigaram os produtores a reorganizar-se. Várias adegas fecharam a porta a visitas – importante complemento à sua faturação – para conseguir dar resposta aos avanços do clima.

Também em Itália já se apanham uvas. Sicilia, Apulia, Veneto eAbruzos começaram a vindimar cerca de 10 dias antes da média dos últimos anos, graças às ondas de calor que têm assolado as regiões.

Em França, os olhos estão postos na próxima semana: espera-se que Champagne, Bordeaux e Borgonha, por exemplo, comecem as suas vindimas entre 20 e 25 de agosto, cerca de 12 dias antes da média habitual. E algumas destas regiões – como Champagne – impuseram limites de produção nesta campanha para tentar contraria a queda significativa de consumo que se regista não apenas no mercado francês, mas em todo o mundo.

Isto acontece devido às significativas alterações climáticas, que enólogos e produtores apontam também como sendo o principal desafio a enfrentar pelo setor durante os próximos anos. A Europa começou o ano com tempestades que varreram áreas significativas de território, e o verão provocou vagas sucessivas de calor. As videiras, árvores resistentes aos humores da natureza, precisam no entanto, de redobrada atenção, numa altura em que os ciclos de maturação se alteram a cada ano que passa.

No mesmo sentido, com o mercado a querer cada vez mais vinhos pouco complexos, com menos álcool e mais frescura, os enólogos e viticultores estão pressionados pelo tempo, para não deixarem os frutos amadurecer demasiado. Mas enfim, são as vicissitudes de uma atividade que arrisca surpreender-nos a cada ano – não podemos ter vinhos novos e que nos animem a cada ano se não acolhermos também estes desafios.

Mas enquanto esperamos ansiosamente para ouvir o que nos têm os especialistas a dizer sobre a qualidade das uvas que farão os vinhos de amanhã, deixo-vos duas recomendações para as vossas férias – ou para aguentarem até lá, se for esse o caso 😊

Uma delas é o Anunciada Velha Branco de 2021, um vinho feito pelo enólogo João Nunes na propriedade de Tomar dos também donos do Morgado do Quintão, no Algarve. Uma referência com intervenção mínima, produzida a partir de Fernão Pires e Arinto, e que faz 32 dias de maceração pelicular. Tem, no nariz, muitos aromas a cascas de citrinos e a ervas aromáticas, e uma boca complexa, com um final longo e fresco que pede uns petiscos ou um peixe gordo a acompanhar. Está à venda em garrafeiras selecionadas por cerca de €40. E é um A+ na minha escala de notação enológica.

O tinto que vos trago desta vez foi lançado muito recentemente: o Antónia Adelaide Ferreira Tinto, de 2022, que nasce dos melhores lotes, escolhidos das melhores parcelas das várias propriedades da Casa Ferreirinha no Cima Corgo e no Douro Superior. Um vinho bastante complexo e untuoso, com aromas a frutos vermelhas, pimentas, especiarias e algum fumo. Perfeito para um bife ou um prato de carne cozinhado no forno. E um AA claro.

À vossa, caros leitores. Mantenham-se hidratados!

This year, Portugal has withstood the climatic pressures, with the grape harvests taking place within the expected timeframe in virtually all regions – we also expect a higher grape yield than in the previous season, because as we’re not seeing a drop in consumption, what we need is more production 😊

But let’s turn our attention back to the rest of Europe: next door, in Spain, there has been a historic shift this year: the harvests began up to 20 days earlier in La Mancha, Penedès, Rioja Oriental, Aragón and Bierzo. Successive heatwaves in June and July accelerated ripening and forced producers to reorganise. Several wineries closed their doors to visitors – an important source of revenue – in order to cope with the changing weather conditions.

Grapes are also already being harvested in Italy. Sicily, Apulia, Veneto and Abruzzo began harvesting around 10 days earlier than the average for recent years, thanks to the heatwaves that have swept through the regions.

In France, all eyes are on next week: Champagne, Bordeaux and Burgundy, for example, are expected to begin their harvests between 20 and 25 August, around 12 days earlier than usual. And some of these regions – such as Champagne – have imposed production limits this season in an attempt to counteract the significant drop in consumption being seen not only in the French market, but worldwide.

This is due to significant climate change, which winemakers and producers also cite as the main challenge facing the sector over the coming years. Europe began the year with storms that swept across large swathes of the continent, and the summer brought successive heatwaves. Vines, though resilient to the vagaries of nature, nevertheless require extra care at a time when ripening cycles are changing with each passing year.

Similarly, with the market increasingly favouring wines that are less complex, lower in alcohol and fresher, winemakers and winegrowers are under time pressure not to allow the grapes to overripen. But then again, these are the vicissitudes of an industry that never fails to surprise us each year – we cannot have new, exciting wines every year unless we also embrace these challenges.

But whilst we wait eagerly to hear what the experts have to say about the quality of the grapes that will make tomorrow’s wines, I’d like to leave you with two recommendations for your holidays – or to tide you over until then, if that’s the case 😊

One of these is the 2021 Anunciada Velha Branco, a wine crafted by winemaker João Nunes at the Tomar estate owned by the same proprietors as Morgado do Quintão in the Algarve. A wine made with minimal intervention, produced from Fernão Pires and Arinto grapes, and undergoing 32 days of skin contact. On the nose, it offers abundant aromas of citrus peel and aromatic herbs, whilst on the palate it is complex, with a long, fresh finish that calls for some nibbles or a fatty fish to accompany it. It is on sale at selected wine shops for around €40. And it’s an A+ on my wine rating scale.

The red wine I’m bringing you this time was released very recently: the 2022 Antónia Adelaide Ferreira Red, crafted from the finest lots, selected from the best plots across Casa Ferreirinha’s various estates in Cima Corgo and the Upper Douro. A highly complex and unctuous wine, with aromas of red fruits, peppers, spices and a hint of smoke. Perfect with a steak or an oven-roasted meat dish. It is on sale for around €100. And a clear AA.

Cheers, dear readers. Stay hydrated!

Read the original on margaridavaqueirolopes.substack.com

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