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Catedral vazia · Mar 22, 2026

Lendo Patti Smith e destravando memórias

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Maíra Dal'Maz · Catedral vazia

Lendo o livro mais recente de memórias de Patti Smith, preciso lidar com algumas das memórias constrangedoras que me formaram: a descoberta de Rimbaud.

Prestei vestibular para um curso que não queria fazer, engenharia química, entrei. Covardemente, ocultei dos meus pais que não assistia mais às aulas naquele curso. Comecei a pagar disciplinas em letras. Isso foi do primeiro para o segundo semestre, eu tinha uns 18 anos.

Em uma disciplina de letras, fomos solicitados a escolher um autor para escrever o trabalho que computaria como a nota do semestre. Filha da classe trabalhadora, sem amplo acesso ao estudo de outras línguas, lutando com ansiedade e depressão não diagnosticadas (época em que, inclusive, escrevi uma carta de suicídio aos prantos e depois, envergonhada por minha forte moral cristã, ficcionalizei, fingindo que não era sobre mim), deslocada, tímida patológica, vinha lendo migalhas de Rimbaud que encontrava na precária Internet do ano de 2010.

Rimbaud e Hilda Hilst.

Disse à professora que tinha escolhido “Rimbáudi”, ao que ela me pediu para repetir um par de vezes.

De uma forma nada sutil, ela me corrigiu falando: ah, “Rambô”. Pois é.

Rambô.

E a cara da professora que me dizia apenas pena. E algo estranho que ainda não entendo. Vivendo uma mentira e querendo desesperadamente saber quem eu era, qual caminho tomaria, o que eu romperia com a minha “corcova rebelde”.

Nunca me esqueci e acho que também nunca superei esta temporada no inferno.

Mas está na minha lista.

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Read the original on mairadalmaz.substack.com

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