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Catedral vazia · Mar 11, 2026

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Maíra Dal'Maz · Catedral vazia

a vigília começa: somos
a mesma farda, a mesma lida
arma muda, facho de luz no escuro do rito

passo.

piso devagar,
paro
um silêncio de ferro me habita: sou
pacto e peso de falar sozinha
serviço que não finda

a arma dorme no couro: é
o Corpo
que resiste em afundar barcos

a ferida neste vidro é um milagre disputado, sim.
ainda estou viva
e é inútil pensar no vento
que sopra como sempre ao movimento das andorinhas

eu apenas teimo com uma cicatriz no punho
como um mato qualquer
este ventre que é verbo
e fúria

a memória
dos passos do meu avô vigilante
me encara no reflexo da porta

desejo de liberdade: ainda somos

as que andam por aí
vadiando

escrevendo
com o pensamento nas meninas
adubo para tamareiras cada vez mais doces
ao sul do Irã.

não é uma bomba. ainda.

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