Às vezes eu me sinto como um navegante do baleeiro Pequod, à deriva, perdido no mar em uma mistura de marasmo e calor escaldante, na busca pelo grande leviatã branco – a grande oportunidade da vida. Enquanto aguardo, sou jogado pra lá e pra cá, pelas ondas desse infinito oceano.
Talvez eu seja igual ao vingativo e enlouquecido Capitão Ahab, que na sua sede insaciável de vingança, vai às últimas consequências pela oportunidade de finalmente vencer seu grande inimigo. Mas me falta justamente a emoção, o sabor do acontecimento extraordinário a minha Moby Dick, o meu grande objetivo de vida. Talvez me falte a sensação de sentir medo diante de sua presença desafiadora, e a glória da conquista dessa epopeia. Talvez me falte este tempero vital para significar cada ação, cada conquista, cada derrota e cada amanhecer para mais um dia de caça a grande baleia branca.
É que sempre que penso nas mil e uma maravilhas que a navegação pode me proporcionar, o grande medo me consome. O medo de não conseguir enfrentar o grande leviatã branco, ou qualquer desafio que surja no imenso mar. O medo do escárnio e do desrespeito. O medo da morte...
Pois bem, cá estamos em mais um dia nesse infinito mar de oportunidades. E lá longe, vem um grupo trazendo mais uma baleia cachalote em seu pequeno barco à remo, arrastada... Mais uma conquista para a tripulação. Mais um dia nessa luta pela sobrevivência.
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