Ao acordar hoje de um estranho e incômodo sonho, tive a impressão de que as pedras nos caminhos da vida têm se tornado cada vez maiores e mais pesadas de se mover. São tão grandes e os tropeços tão violentos que cada um deles tem o poder de talvez não mais te levantar. Mas o indivíduo humano no ápice de sua resiliência se levanta, aprende a contornar especificamente aquele tipo de pedra e continua a sua jornada.
As piores pedras não são as que encontramos na jornada em si, mas são aquelas que surgem dentro de nossa própria consciência. Nossas dúvidas, nossos medos, nossas angústias, nossa culpa... Estas nos causam os piores tropeços e as dores mais intensas, pois não se sente esta dor nos pés ou nas pernas, e sim dentro da alma. Não há remédio no mundo que alivie esta angústia senão a própria mudança de perspectiva quanto a dor em si. E isso demora... demora..., mas após toda tempestade, vem a bonança do alívio.
Só o fato de tropeçar, de não notar o obstáculo, apenas esse detalhe nos faz refletir sobre aquilo que somos. “Por que não notei aquilo lá antes? Será que eu não poderia evitar?” E quando vemos, já estamos no chão de novo. Tais perguntas são inúteis quando a nossa real intenção não se torna a de levantar e seguir nossa jornada. Mas elas nos martelam e nos fazem refletir sobre quem somos e sobre nossa capacidade de perceber a jornada, as pedras e a nosso próprio ser. O indivíduo humano não é uma rocha, mas costuma agir como uma face ao conflito com si próprio.
Então o que fazer para tentar não mais tropeçar? Ora, priorize-se! Esta é a mais difícil, porém a única maneira possível. Aprenda a pular as pedras. Estude o caminho. Mas principalmente procure superar estes obstáculos que existem dentro de você. Se estes forem um a um sendo eliminados, haverá maior tempo e disposição para vencer o que há fora de você. “Ocupe-se apenas naquilo que você controla”, como já diria o filósofo Epíteto. Quando o obstáculo não residir mais dentro de sua mente, as dores do mundo o farão levantar cada vez mais depressa.
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