Todas as redes sociais já estão mudando seus algoritmos para que a quantidade de seguidor seja cada vez menos relevante em questão de alcance.
Mas ainda tem profissional da saúde mental achando que captação é sinônimo de ter mais seguidor.
Como se mais post automaticamente significasse mais paciente.
Como se ser vista garantisse ser escolhida.
Se fosse assim, a creator economy não precisaria movimentar trilhões pra fazer alguém lembrar de uma marca específica no momento da decisão.
A captação de pacientes começa muito antes de qualquer post.
Você está na área da saúde, então já começa na forma como você constrói sua reputação, posiciona sua autoridade e ocupa espaço na memória das pessoas no offline.
Só que atenção não é confiança.
Muita gente tem buscado a IA para apoio emocional por causa da disponibilidade 24/7, mas na hora de escolher profissionais, a decisão nunca acontece por impulso.
Leva tempo, exige confiança, pede segurança e dá muito trabalho.
Nos últimos anos, a saúde mental deixou de ser um assunto escondido.
Segunda a rede PBS, a hashtag #mentalhealth, por exemplo, já passou de 90 milhões de postagens no Instagram e no TikTok.
Termos como “gaslighting”, “relacionamento tóxico”, “limites” e “transtorno de ansiedade” entraram no vocabulário popular.
A Geração Z — e também boa parte de nós, millennials, — segue cada vez mais obcecada por explicações para o que estamos sentindo.
E vão procurar onde for mais fácil mesmo, nas redes sociais, no ChatGPT, no YouTube. Ainda no Google, ter uma resposta, ainda que errada, é o que importa!
Aí já começa a jornada informal cheia de atalhos perigosos.
E aqui entram alguns dados que reforçam o cenário:
62% das pessoas brasileiras mudaram a forma de pensar sobre saúde mental por influência de conteúdo digital
Mas a decisão de buscar atendimento ainda vem, em maioria, por indicação, por repetição e por confiança
A Geração Z já faz buscas por saúde no TikTok e no ChatGPT, mas o critério final ainda é: quem parece mais confiável?
Ou seja, a captação não começa quando alguém te encontra no feed.
Começa quando você já era uma boa ideia antes disso.
Já falei sobre isso outras vezes, principalmente lá no Threads:
Oferecer seus serviços de terapia em um post de paciente reclamando do próprio psicólogo NÃO é captação de paciente.
Não é oportunidade, é oportunismo.
Outro exemplo que vejo muito acontecendo:
Colocar na bio: “+1000 vidas transformadas” não passa nada de autoridade.
Quem te lê não sabe se esse número é bom ou ruim, porque não tem contexto da sua prática e, honestamente, não quer saber quantas vidas você atendeu.
Ela quer saber se você pode ajudar na dor dela.
E números assim, quando desconectados de sentido, soam mais como promessa vazia do que reputação consolidada.
Ter clareza de quem você quer alcançar, do que você resolve e de como você constrói pontos de contato que sustentem sua reputação com o tempo.
Criação de conteúdo sem intenção não constrói nada.
Fazer sentido é opcional para os outros, para quem está na área de saúde mental é necessidade para quando lembrarem de você quando decidir agir.
A captação estável é uma maratona. Não vai adiantar ir e voltar algumas vezes.
Aparecer e sumir abre espaço para o esquecimento e tudo o que você precisa é ser lembrada pela coisa certa no momento certo.
Por isso, escolha o ritmo e a rede social que mais faz sentido para você.
Qual é a forma de criar que você mais se sente confortável e longe de desistir?
Se for vídeo, o Instagram, YouTube e o TikTok são os caminhos principais
Se for texto, Threads, Twitter e Substack podem ser seus caminhos principais
Captação é sobre ser uma boa ideia no tempo certo.
E agora você precisa decidir de vez: qual caminho você consegue seguir sem parar nos próximos seis meses?
Quem aparece sempre, gera confiança e quem passa confiança, nunca fica sem paciente.
Se quiser, vem com a gente construir a sua própria forma de captar pacientes.
— Espero que seja útil.
Obrigada por ler Erro 404: saúde mental não encontrada ✹ por Neris! Compartilhe com quem pode gostar também.
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