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Erro 404: saúde mental não encontrada ✹ por Neris · Jul 28, 2025

Plataformas de saúde mental: elas ajudam mesmo ou só precarizam quem cuida?

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Mayara Neris · Erro 404: saúde mental não encontrada ✹ por Neris

“Você já tentou usar alguma plataforma?”

É a pergunta que sempre faço quando converso com profissionais de psicologia que estão buscando atrair mais pacientes de forma sustentável.

Algumas hesitam, outras riem antes de responder.

  • 90% das que começaram a atender depois de 2019 dizem que sim. E que se arrependeram.

Elas entraram buscando resolver um problema real de preencher a própria agenda sem precisar entender de marketing, posicionamento ou aquisição, mas por que tanta gente se arrepende?

Por que o discurso de praticidade se transforma tão rápido em tanto ressentimento?

Abra o Instagram e digite “terapia online”, você vai se deparar com startups de nomes suaves, fontes arredondadas e slogans: “Você cuida da clínica. A gente cuida do resto”.

Mas que resto todo é esse? Ninguém sabe direito.

O que sabemos mesmo é que nada disso não é por acaso, o mercado de saúde e bem-estar no Brasil passa de US$ 90 bilhões.

Essa proposta acaba atraindo, principalmente, três perfis:

  1. Quem acabou de sair da faculdade e tem pavor de parecer antiética ou “comercial demais”

  2. Quem já atende há anos, mas não aguenta mais ter que dar conta de tudo e resolve “delegar” justo a captação de paciente

  3. Quem está entre dois mundos — maternidade, transição de carreira, outros projetos — e ter preocupação é a única forma de seguir

Só que nenhuma dessas pessoas está procurando escala. Elas estão procurando uma forma de não desistir.

Das mais de 1.500 profissionais e 30 plataformas que analisei, o padrão se repete:

  • Agendas que não são preenchidas tão rápido quanto prometem

  • Repasses ou propostas de valor que priorizam pacientes ou empresas

  • Falta de transparência, suporte e autonomia sobre o próprio trabalho

Nos depoimentos coletados no Reddit, X e Threads, o tom vai de frustração até burnout clínico.

Exemplo real: psicóloga com mais de 5 anos de formação cadastrada em plataforma que cobra R$ 30 por sessão.

Tem como a frustração não ser o resultado disso?

Não, se você souber o que esperar e como lidar no curto, médio e longo prazo.

Mesmo porque vimos muitos relatos de pessoas que só conseguiram atender rápido por causa de algumas delas.

É preciso entender algumas coisas.

A primeira delas é que o modelo de negócio da maioria já nasce com foco em volume, não em reter quem atende. É um marketplace verticalizado, ou seja, atua de forma nichada.

A segunda é entender que só por isso já configura um foco diferente do seu. Para elas, você apenas faz parte de uma linha de produção.

Quem entra achando que vai resolver a insegurança de não ter pacientes pra sempre, muitas vezes só troca de problema.

Além disso, é preciso entender que, ao entrar nessas plataformas, você:

  • Não vai escolher quem quer atender

  • Pode ou não definir o próprio valor de sessão (depende de qual)

  • Nem sempre tem acesso logo de cara a quem te procura, sendo a plataforma responsável por esse intermédio

  • Perde um pouco da sua autonomia para negociar valores, horários e condições gerais

  • Perde protagonismo, porque a pessoa não necessariamente quer ser atendida por você e sim por alguém daquela plataforma que pareça legal

Agora em números da pesquisa própria:

  • Das 1.500 profissionais que analisei, 82% atendiam por menos de R$ 90 por sessão

  • Em 31% dos casos, tinha algum problema, seja falta de transparência, problemas com experiência ou dificuldade de cancelamentos

  • Dos 300 relatos, 61% relataram uma sensação de que prejudica a própria reputação estar nessas plataformas

E esses dados nos levam para algumas reflexões: será que pacientes que vêm de plataformas estão buscando apenas preço? Será que vêm valor, de verdade, em “profissionais de plataforma”?

Entrar com consciência de que isso é um estágio.

Encarar como uma ponte para construir experiência clínica, aí sim pode funcionar, desde que você coloque um prazo para sair.

O problema é que muitas ficam presas.

Quanto mais tempo você passa dentro da plataforma, mais difícil é sair dela sem ter aquela sensação de perder tudo o que construiu.

Pensa assim: é o mesmo mecanismo de redes sociais, você alimenta o algoritmo, mas não leva a audiência com você.

Essas plataformas não falham por descuido. Elas entregam exatamente o que prometem, só que pra quem paga a conta, não pra quem atende.

Enquanto você tenta criar vínculo com uma paciente, a plataforma mede sua eficiência pedindo avaliações como se fosse uma corrida de aplicativo.

Essa dissonância pode ser sutil no começo, mas no médio ou longo prazo se torna insustentável.

Um olhar pragmático para o você deseja para si mesma e para a sua carreira é o primeiro passo para tomar sua decisão.

Sair do amadorismo da profissão é entender que a única pessoa responsável por construir e defender a sua carreira é você.

🎉 Em breve, inicia as vendas para a imersão que presta: nada de fórmulas prontas, promessas infladas ou frases de efeito. Só o que funciona, documentado.

Você vai construir a clínica possível pra sua realidade, com base em dados, pesquisa e prática de quem já fez dar certo do próprio jeito.

Não quero perder

— Espero que seja útil 📎
  • Este relatório da McKinsey sobre nosso comportamento como consumidores, inclusive para corroborar como ainda somos bem influenciados por indicações de parentes e amizades

  • Este reality show de pessoas desconhecidas reunidas para montar uma banda. É maravilhoso para você desopilar a sua mente. Eu sei que você precisa!

  • Este fórum no Reddit com muitas respostas sobre sobre riqueza e psicologia 👀

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