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um palpite a qualquer hora. · Jun 2, 2026

o gozo, a ginga, a luz

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duda travalin · um palpite a qualquer hora.

O cabelo marsala era recém-nascido, um bebê arisco que estava meio imóvel por conta dos cremes e óleos do salão, com as áreas de pele próximas à raiz ainda meio manchadas, escondidas pelo penteado com presilhas. E, mesmo assim, ele saiu pra curtir — e cobrir — sua primeira Virada Cultural.

Sentia nas madeixas o sol escasso, a vibração das caixas de som e, claro, a chuva. Desde o começo do dia, bem de manhãzinha, ele já se arrepiava com o vento frio e se preocupava com as gotas de água que poderiam cair durante os shows, fazendo escorrer a tinta pela testapescoçoblusabranca. Mas não importa, afinal, daqui a pouco Marina Sena subia ao palco, seguida de Seu Jorge, e muitas pessoas precisavam ser entrevistadas, muitas imagens precisavam ser feitas.

mapa interativo maneiríssimo da virada cultural

A maior parte do tempo o cabelo ficou embaixo de um capuz de plástico transparente, mas logo o sol voltou a surgir para exibir direito a novidade. E, olha, ele chamou atenção. Boa e ruim. Cumpriu, afinal, seu papel como cabelo novo.

hair is everything

— fleabag, 2ª temporada

Assim como meu cabelo molhado, o público também sofria com as intempéries e as não-tão-intempéries-assim. Apesar do vento gelado, o amontoado de gente transformava o frio em algo mais caloroso. Fervo, gritos e roupas lindas. São Paulo estava preparada para fazer história em um final de semana.

E se você foi entender o nome do festival de última hora ao ver os horários dos shows que gostaria de ir, não se preocupe, é bem normal. Mesmo que tenha tido várias edições, ninguém estava preparado para receber uma enxurrada de arte, literatura, cinema, teatro e música em uma tacada só durante a madrugada.

Cada palco com um público, cada artista com uma animação diferente. E no palco do Anhangabaú, a diversidade é o que lhe definia. Uma única música na playlist, ouvinte casual de rádio (hello, Novabrasil!) ou consumidor ávido do TikTok, todos estavam preparados para receber Por Supuesto e Mina do Condomínio no mesmo lugar. Estilos diferentes? Talvez. Mas isso não impediu os dois cantores se juntarem e realmente darem um novo significado e um novo rumo para a música brasileira.

Seu Jorge e Marina Sena no Palco Anhangabaú no domingo (24)

Nas grades as pessoas podem até ter mudado, com rostos novos surgindo no início da maré de gente depois do fim da setlist de Marina, e, mesmo assim, as todos cantarolaram “hoje cê pode me esquecer / é carnaval no Brasil” e “ô Carolina isso é muito natural / ô Carolina eu preciso de você” em um ínfimo intervalo de tempo.

A Virada comprovou que a música brasileira é múltipla e seu público mais ainda.

Read the original on dudatravalin.substack.com

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