Pensar na morte de pessoas que ainda estão vivas é um jeito muito deprimente de se viver. Esperar o pior, dar a primeira notícia com os fatos mais apurados sobre a causa do falecimento e aguardar os comentários sofridos. Nunca é sobre escrever o texto mais lindo da vida daquela pessoa, é sempre sobre aquela nota de rodapé e “Fulano, [insira profissão], morre aos X anos em [cidade], [SIGLA DO ESTADO EM CAPS LOCK]”.
Dito isso, estou encarregada dos obituários do Gilberto Gil e Caetano Veloso, ambos com 83 anos no momento. Eu nunca escrevi um texto fúnebre e, por mais que tenha modelos disponíveis que eu possa seguir, me sinto travada. Na minha cabeça vem aquelas cenas ou recortes de livros em que jornalistas iniciantes produziam notas no jornal físico e, com elas, chamavam a atenção de seus editores, mas como eu, uma mera estagiária de 20 anos, pode homenagear figuras tão relevantes e que faça a família e o finado sentirem “poxa, essa garota o conhecia de verdade”?. Estou divagando porque é bem mais simples do que parece, mas não acho que deveria ser, porque se eu morresse agora, não gostaria que as pessoas que me amam achassem fácil escrever sobre mim em dois mil/quatro mil caracteres.
Esse texto foi, infelizmente, uma nota de rodapé.
they don’t know ‘bout us
how your voice can calm the sea
i can show you love, i can show you
if you wanna know me, what can i do for you
— BTS

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.