RSS Amplifier

Deb GPT · Jul 23, 2026

O novo segredo para enriquecer com IA é trabalhar sozinho

0
Sign in to vote or save

Deborah Folloni · Deb GPT

Os melhores profissionais do mercado estão recusando promoções.

Gente que passou dez anos construindo carreira pra virar diretor, VP, C-level, hoje está pedindo pra voltar a colocar a mão na massa. E o mais louco: está ganhando mais por isso.

O que me fez gravar um vídeo inteiro sobre isso foi um artigo da Elena Verna, VP de Growth do Lovable, uma das startups de IA que mais crescem no mundo. O título é direto: “IC work is the new career flex”. IC significa individual contributor, que aqui a gente chamaria de especialista. Ou seja: a nova ostentação de carreira é ser especialista, não ser chefe.

IC work is the new career flex | Elena Verna

E eu acredito que essa vai ser a maior transformação que as carreiras vão sofrer nos próximos anos.

Eu brinco que é isso: trabalho de estagiário com salário de diretor. Parece piada, mas olha os números.

A Elena abriu mão de um cargo de liderança pra ser IC no Lovable, e conta que nunca ganhou tanto dinheiro na vida. O Tobi Lütke, CEO do Shopify (uma empresa de 150 bilhões de dólares), disse que está colocando tanto a mão na massa que produziu mais nas últimas semanas do que na última década inteira.

E eu quase caí pra trás quando descobri que o time de growth marketing inteiro da Anthropic é uma pessoa só. Uma empresa avaliada em quase um trilhão de dólares, e o time de growth é um cara.

Até pouco tempo atrás só existia um jeito de crescer de verdade na carreira: virar gestor.

Algumas empresas de tecnologia criaram a trilha de especialista, mas você sabe o que acontecia: chegava um momento em que você batia no teto. Sem gente respondendo pra você, não tinha VP, não tinha C-level. Ponto.

E aí rola aquele filme que todo mundo já viu: a empresa pega o melhor vendedor, o melhor designer, o melhor engenheiro, e promove pra gerenciar gente que muitas vezes é bem pior naquilo do que ele. Tira o cara da zona de genialidade dele e coloca num trabalho que ele talvez odeie, e ele aceita porque era a única forma de crescer.

A Elena conta dois casos que doem de tão reais: ela foi cortada de um processo na Netflix porque tinha “só” três pessoas respondendo pra ela, e num outro emprego o chefe disse que só ia promovê-la no dia em que abrisse o Jira (ferramenta de gestão de projetos) e não visse nenhum card com o nome dela. Ou seja: pra ser promovida, ela precisava parar de fazer.

Durante décadas, a definição de sucesso esteve grudada numa métrica só: quantas pessoas respondem pra você.

IC versus management career fork decision framework for AEs
IC versus management career fork decision framework for AEs

Eu comecei como especialista. Sempre fui designer. Se você quer me ver feliz, me coloca numa sala, tira todas as reuniões do meu calendário e me deixa trabalhando sem ninguém me interromper.

Só que chegou o momento em que eu não dava mais conta sozinha, então contratei. E aconteceu o previsível: eu deleguei justamente o trabalho que eu amava fazer, e sobrou pra mim a gestão, que era exatamente a parte que eu odiava. Meu dia virou reunião. Eu fiquei infeliz.

Se você já passou por isso, sabe que não é frescura. É uma armadilha estrutural da carreira.

A principal mudança que a IA trouxe foi permitir que as pessoas sejam especialistas por mais tempo. Antes, assim que você batia no seu teto de produtividade, não tinha escolha: era contratar. Hoje tem.

E olha o ponto mais importante: a IA privilegia quem já tem expertise. Ela não substitui o seu bom gosto, ela amplifica. Se você é muito bom em design, você bate o olho e sabe se ficou bom ou ruim. Com IA trabalhando pra você, esse julgamento vira sua maior vantagem, porque você consegue orientar, corrigir e fazer curadoria do trabalho dela. E é bem mais fácil influenciar uma IA a trabalhar do seu jeito do que treinar alguém a trabalhar do seu jeito.

A Elena tem um conceito ótimo pra isso: average intelligence. A IA sozinha entrega performance mediana. Comparada a um profissional muito fora da curva, ela perde. Mas quando você coloca a IA na mão desse profissional, aí ele produz muito mais e muito melhor.

Eu falo por experiência própria: hoje eu mantenho conteúdo em quatro plataformas (newsletter com 22 mil inscritos em oito meses, YouTube batendo quase 70 mil, Instagram e LinkedIn), além de design de produto, marketing e palestras. Alguns anos atrás isso aqui seria eu e mais três pessoas. No organograma da minha empresa tem um monte de vaga que eu simplesmente nunca precisei abrir.

Lovable. A Elena é VP de Growth e o time é ela mesma. Fecha parcerias, constrói protótipos, roda campanhas. A página de pricing do Lovable? Foi ela quem fez. Eu já vi empresa muito menor, cheia de burocracia, onde VP não toca em nada.

Shopify. No GitHub (plataforma onde desenvolvedores publicam código) dá pra ver o gráfico de contribuições de cada pessoa. O do Tobi era esporádico até ele descobrir que dava pra programar com IA. Depois disso não parou mais, e não são commits aleatórios: são contribuições relevantes pro produto, feitas pelo CEO.

tobi (Tobias Lütke) · GitHub

Anthropic. Eles publicaram uma entrevista com o Austin, o “non-technical team of one” do growth marketing, explicando como ele usa Claude Code pra dar conta sozinho do que seria um time inteiro.

Historicamente, pra montar uma empresa você precisava de três cabeças: o hacker (engenharia e produto), o hipster (design e marketing) e o hustler (comercial).

Agora olha: as buscas por “solo founder” cresceram 900% em comparação aos cinco anos anteriores. E não é só busca. A Carta (empresa super respeitada no meio de investimento) mostra que a fatia de empresas do portfólio fundadas por uma pessoa só saiu de 23% e chegou a 36%, com a curva se acentuando depois do ChatGPT. E esse dado ainda é do primeiro semestre do ano passado.

image2
Solo Founders Report 2025 | Carta

A Elena chama esse grupo de HI-C: High Impact Contributor. O especialista de alto impacto, que produz por cinco, por dez pessoas. É exatamente esse profissional que as empresas vão caçar daqui pra frente.

Ela dá duas recomendações. A primeira é democratizar o acesso à informação, e eu concordo 100%: não tem como alguém entregar output de VP sem receber o input de um VP. A segunda é recrutar líderes pra ocupar cadeiras de especialista, e aqui vai uma ressalva sincera: isso funciona pro Lovable, que tem employer branding pra convencer qualquer diretor. Pra empresa normal, não cola.

Na prática, o que eu acredito que você precisa (seja pra virar um HIC, seja pra formar um no seu time) são três coisas:

1. Alinhamento. Eu uso muito esse exemplo: precisamos atravessar essa ponte. O objetivo é esse, claríssimo pra todo mundo.

2. Autonomia. Se você vai montar um caiaque, fazer uma tirolesa ou construir uma ponte, pouco importa. A gente só precisa chegar do outro lado. E olha: autonomia sem alinhamento vira gente correndo rápido em direções diferentes.

3. Obsessão por IA. Você quer perto de você quem tem curiosidade genuína, não quem torce o nariz. Eu sempre falo: cabeça de cientista, não de juiz. O juiz dá veredito (”não ficou bom mesmo”). O cientista faz pergunta (”não ficou bom, como a gente faz ficar melhor?”). Adivinha qual dos dois extrai resultado de IA.

  • O teto do especialista caiu, e dá pra crescer sem virar gestor

  • A IA amplifica quem já tem expertise, ela não substitui bom gosto

  • Solo founders deixaram de ser exceção

  • A receita é: alinhamento + autonomia + obsessão por IA

O Brasil está sempre um passinho atrás, mas na bolha onde eu vivo já vejo muita gente operando assim. Isso chega aqui, e quem se preparar antes ocupa o melhor lugar.

Agora é com você.

Eu gravei um vídeo no Youtube destrinchando esse tema! Confere lá! Tenho certeza que você vai adorar. 👇🏽

Até a próxima edição da DebGPT! 💜

Nenhuma publicação

Read the original on dfolloni.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.