Historicamente, todo produto que você conhece foi desenhado para uma pessoa usar. Alguém abre, olha a tela, clica, decide, paga. Simples assim.
Agora responde uma pergunta comigo: o que acontece quando o usuário do seu produto não é uma pessoa, e sim um agente de IA?
Eu sei que parece papo de ficção científica. Mas para de ler por dois segundos e pensa direito: se o usuário não tem olho pra ver interface, não tem juízo pra desconfiar de um gasto absurdo, não tem memória de ontem e roda 24 horas por dia sem cansar… quase tudo que existe hoje quebra.
E cada coisa que quebra é uma categoria inteira pra ser reconstruída.
Eu fui atrás do que já está sendo construído lá fora e achei 6 negócios que estão levantando dezenas de milhões de dólares fazendo exatamente isso. E o mais louco: eu não vi absolutamente ninguém fazendo nada parecido aqui no Brasil.
Depois de 10 meses ensinando milhares de pessoas a construir soluções com IA, eu decidi fazer algo que eu nunca fiz: construir pra você.
Nesse mês, eu vou escolher 5 empresas para construir a solução de IA que o seu negócio precisa para vender mais ou gastar menos.
A sua parte é uma só: nos explicar como a sua operação funciona e onde está o gargalo. A nossa parte é entrar com o que falta na equação: com o tempo, a dedicação e a expertise pra tirar essa solução da sua cabeça e colocá-la pra rodar dentro da sua empresa.
Funcionários digitais que respondem clientes, fornecedores e a sua própria equipe, dentro do WhatsApp, Telegram ou Slack, 24 horas por dia
Sistemas com IA dentro : em vez de você trabalhar pro sistema (preenchendo, atualizando, conferindo), o sistema trabalha pra você
O seu próprio sistema : o CRM, o painel ou a ferramenta do jeito exato que a sua operação funciona (e que nenhum software de prateleira entrega)
Tudo 100% customizado para a sua empresa. Tudo o que você precisa fazer para se inscrever é clicar no botão abaixo e preencher o nosso formulário.
A aplicação leva apenas 5 minutos.
Você conhece GetNinjas, Workana, Fiverr. Todos funcionam igual: pega um humano com uma demanda de um lado, conecta com um humano que tem a habilidade do outro.
Agora imagina seu agente trabalhando. Ele resolve quase tudo sozinho, até esbarrar no mundo físico. Ele não levanta um livro, não carrega um saco de cimento, não busca sua encomenda nos Correios. Em algum momento, ele vai precisar de um corpo com bracinho e perninha.
Aí surge a Rent a Human (startup do Y Combinator) e o nome já entrega: um marketplace de freelancers invertido, onde a IA contrata seres humanos pra fazer tarefas no mundo real.
Funciona assim: você delega uma tarefa pro seu agente normalmente. Quando ele trava em algo físico, ele mesmo publica a tarefa na plataforma com uma recompensa: “preciso de alguém pra testar o atendimento dessa cafeteria, US$ 200” ou “entrega esse presente nesse endereço, US$ 45”. Recebe propostas, escolhe a pessoa, e pronto.
E olha o detalhe mais inteligente: o pagamento fica travado numa conta escrow (conta de garantia). Só quando a tarefa é comprovada (foto, recibo, comprovante) o dinheiro é liberado. Porque agente nenhum consegue confiar no “pode deixar que eu fiz”.
Aí a IA contratou o humano. E agora vem a parte que interessa: como é que ela paga?
Todo mundo tem cartão de crédito. Só que quando você precisa que o seu agente use o seu cartão, começa o problema. Eu já vi história demais na internet de gente que entregou o cartão pro agente e ele torrou um dinheiro que não devia, e não teve como reaver, porque pra Visa e pra Mastercard pouco importa se foi você ou o robô que passou. A própria Mastercard publicou um artigo sobre isso, dizendo que precisamos criar formas de controlar gastos feitos por agentes. Não é um caso isolado, é uma categoria de problema.
“Mas é só criar um cartão virtual, né?” Não. Dois furos:
Ele não escala. Toda vez que o agente quiser comprar algo, ele vai ter que te cutucar pra você gerar um cartão. Adeus autonomia.
Ele é genérico. Aquele cartão serve pra qualquer loja, qualquer valor. Até você lembrar de deletar (ou ele expirar em 24, 48 horas), o agente pode passar N transações que você nunca autorizou.
A Allowance (também YC, hoje com parceria com a Visa) resolveu isso invertendo a lógica: o cartão nasce sob medida para uma compra específica. O agente quer comprar uma passagem? Ele pede autorização, você aprova, a Allowance emite um cartão de uso único, com teto de gasto, travado naquela loja e com validade. Ele compra. E o cartão morre.
Esse é elementar: o e-mail é o CPF da internet. Sem e-mail você não cria conta em lugar nenhum, não recebe código de confirmação, não existe online.
Agora tenta criar uma conta do Gmail pro seu agente. Uma até vai. Cinco, você já apanha: pede celular pra verificar, pede captcha (literalmente pedindo pro robô provar que não é robô 😂). Eu mesma tentei criar o e-mail do próprio agente esses dias e o Google barrou porque meu telefone já estava em outros e-mails. Agora imagina fazer isso pra 50 agentes.
A AgentMail vende exatamente isso: email inboxes for AI agents. Pensa num Gmail sem interface, só terminal, só texto. Porque interface bonitinha é coisa de ser humano; pra IA, design só serve pra queimar token.
Com alguns comandos o agente cria a própria caixa, envia e recebe. Sem captcha, sem celular, sem ban. E melhor: quando chega um e-mail, a AgentMail manda um ping pro agente, igual notificação no seu celular. Ele não precisa ficar checando a caixa de tempo em tempo (o que, de novo, é token queimando à toa).
E fica o aviso que vale por toda a edição: nunca dê seu e-mail pessoal pro seu agente. Ali chega senha de banco, código do cartão, coisa da sua vida. Trata ele como você trataria uma secretária: conta própria, acesso próprio, coisas separadas.
A IA tem e-mail. Tem cartão. Agora vem a pergunta de todo dono de empresa: quem está olhando pra fatura dessa turma toda?
Hoje empresa controla despesa com ferramentas tipo a Ramp (a principal concorrente da Brex, dos brasileiros Henrique e Pedro). Pra humano, funciona lindamente: a pessoa gasta, o financeiro vê no dashboard.
Com agente, quebra em três lugares:
Velocidade. Aprovação de despesa por e-mail leva horas. A IA gasta em milissegundos. Quando o financeiro viu, já foi.
Loop. O agente travou insistindo no mesmo erro por horas e torrou US$ 500 em token. Ninguém foi avisado.
Escala. Com 50 agentes rodando, você precisa saber quem gastou, no que e por quê.
A Skyfire ataca isso funcionando como uma carteira pré-paga pro agente. A lógica é dar mesada pro filho: você deposita US$ 500 na carteira daquele agente e é isso que ele tem. Dá pra colocar limite por compra, limite de token, limite por período. Estourou? Acabou. E você vê o gasto em tempo real, sabendo exatamente pra onde o orçamento está indo.
Eles levantaram quase US$ 10 milhões com o braço de investimento da Coinbase e a a16z.
Toda empresa organizada tem um Notion com políticas, manuais e processos. Serve pra treinar funcionário e ensinar as regras da casa.
Só que quando o funcionário é um agente, aparecem dois problemas que humano não tem:
Amnésia. Por definição, cada sessão começa do zero. Não é que você ensina uma vez e pronto. Você ensina, ele esquece, você ensina de novo.
Memória limitada. Mesmo que você entregue toda a documentação da empresa, ela não cabe de uma vez na cabeça da IA (o famoso limite de contexto).
Por isso, dar o Notion pro seu agente quase nunca funciona. O que essa categoria precisa é de um segundo cérebro otimizado pra IA, que guarda o que importa e devolve só o pedaço certo na hora certa.
Uma das empresas que vi levantou US$ 24 milhões e virou a memória oficial do kit de agentes da Amazon, se posicionando como a camada de memória persistente. E tem outra com uma sacada linda: enquanto seus agentes trabalham (e você corrige eles), a ferramenta anota tudo. Depois, ela faz o que o seu cérebro faz enquanto você dorme, reflete sobre o que aconteceu e escreve um resumo com as conclusões. Na próxima vez, o agente não puxa a bagunça inteira: puxa só o aprendizado.
Preciso ser sincera com você: essa categoria ainda é incipiente. Tem gente promissora, mas ninguém fincou a bandeira. E no Brasil? Nada. Zero.
Você conhece a frase: não se gerencia o que não se mede.
Pra dados a gente tem Google Analytics e Power BI. Pra gente, a gente tem avaliação de desempenho. E pra agente?
Imagina um agente de suporte que, pra responder o cliente, precisa consultar no banco a qual plano ele pertence. Deu pau, ele não conseguiu acessar. O que acontece? Ele não fica calado. Ele responde. Só que responde errado, e ninguém fica sabendo.
Esse é o ponto que muda tudo: software convencional quebra e mostra erro. Agente falha em silêncio.
Por isso está surgindo a categoria de observabilidade de agentes. Pensa num Google Analytics com câmera de segurança: um painel que grava tudo o que o robô fez, ação por ação, com replay da sessão inteira. Qual ferramenta ele chamou, qual decisão tomou, onde deu erro, pra onde foram seus tokens. Você volta na fita, encontra exatamente onde ele errou, e impede que aconteça de novo.
Repara que todos seguem exatamente o mesmo movimento:
Pega uma categoria que já existe pra humanos → faz o flip dela para agentes.
Freelancer → IA contrata humano. Cartão → cartão que morre depois da compra. E-mail → inbox sem interface. Gestão de gastos → mesada com guardrail. Notion → segundo cérebro. Analytics → câmera de segurança do agente.
E o motivo de a empresa incumbente não conseguir simplesmente se adaptar é sempre o mesmo: o agente não tem juízo, não tem memória, e é rápido e escalável demais. Toda vez que um produto feito pra humano esbarra em um desses três, tem um ângulo ali. Provavelmente um negócio.
Então o exercício é esse, e você pode fazer hoje, com qualquer produto que você usa: “se só agentes usassem essa plataforma, ela atenderia? Onde ela quebraria?” A resposta pode ser o começo de uma empresa.
E não, eu não tô dizendo que é fácil. Tô dizendo que é cedo. E geralmente quem chega cedo bebe água limpa. 💜
Assista o meu vídeo completo no Youtube 👇🏽
Me responde esse e-mail contando qual das 6 categorias você construiria primeiro aqui no Brasil. Eu leio todos e respondo sempre que posso!
Até a próxima edição da DebGPT! 💜
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