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DeSmeeOLado · Jul 29, 2026

A Segunda Guerra é Sempre a Mais Importante?

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Guilherme Smee · DeSmeeOLado

Muito se fala sobre a Segunda Guerra Mundial, mas se fala menos sobre a Primeira. Muito se fala sobre a Primeira Guerras Secretas da Marvel, mas nem tanto se fala sobre a Segunda Guerras Secretas da Marvel. É nas segundas Guerras Secretas que conhecemos para valer o Beyonder, o todo-poderoso que originou a primeira das Guerras e agora vem para a Terra para entender o que é ser um humano. Foi uma minissérie bem controversa da Casa das Ideias e teve a assinatura do polêmico chefão Jim Shooter e passou também a ser sinônimo do seu período na Marvel. O review desta publicação está nesta edição de DeSmeeOLado.

Vale avisar também que continua a parceria com o @arquivosxmen lá no Instagram, onde publico bastante material relacionado com os mutantes na conta @guilhermesmee. E aqui trago os últimos vídeos em parceria com o @sergio.cantu no nosso projeto Os Fabulosos X-Perts. Confere aí:

A ABOLIÇÃO DO HOMEM, DE C. S. LEWIS

★ ★

Comprei este livro em oferta nas Lojas Americanas, uma edição bem, bem econômica. Achei o título interessante e me pareceu um pouco ecológica a premissa do livro, ao ler a sinopse. No primeiro texto, C. S. Lewis parece encantado com o conceito oriental de Tao, de integridade, completude, e tenta relacionar isso com a ética humana e a moralidade do homem. No segundo texto, ele se mostra preocupado com a insistência da humanidade no progresso e com quais consequências essa progressividade terá para o conjunto humano. O último texto, então, com o mesmo título do livro, A Abolição do Homem, se preocupa com as “novas” invenções da época: o avião, o rádio e os contraceptivos e como tudo isso pode alterar significativamente o destino da humanidade. Como diz a sinopse do livro, realmente, Lewis teve uma premonição sobre esses três elementos e como eles alteraram drasticamente nossas vidas. Mal sabia ele o que vinha depois...

EDUCOMUNICAÇÃO: O QUE É E COMO FAZER, DE MARCIEL CONSANI

★ ★ ★

Adquiri este livro para saber mais sobre educação midiática. No entanto, segundo o autor, Educomunicação não é Educação Midiática, mas sim algo mais ligado à práxis freireana da educação não-bancária. Sinceramente, não entendo por que alguns autores gostam de separar termos que poderiam ser amigos e até sinônimos. O autor passa mais tempo explicando o campo da educomunicação do que a educomunicação em si: o que é, para que e para quem serve, como é aplicada, como é estudada na teoria e na prática. Em vez disso, somos apresentados a uma galeria de ilustres estudiosos da educomunicação latino-americana, em que se destacam em boa parte os trabalhos do próprio autor. Também percebi pouca interface com a comunicação digital, mostrando que mesmo um livro que foi publicado há apenas dois anos pode ser datado não somente no seu assunto, mas no estilo de escrita.

HUMOR NA ALFABETIZAÇÃO VISUAL, DE BETANIA DANTAS

★ ★ ★ ★

Este livro é dividido em três partes. A primeira delas dá conta das teorias de leitura e alfabetização visual. Embora bastante curta, podendo se aprofundar mais, ela traz bons insights teóricos sobre o tema. A segunda parte fala sobre a utilização do humor gráfico e da composição de narrativas visuais em sala de aula, mostrando algumas possibilidades em exercícios realizados pela própria autora. A terceira parte reúne depoimentos de mais de vinte cartunistas brasileiros que tiveram seus trabalhos publicados nas décadas de 1980 a 2000. Uma das percepções nesse recorte é a quase ausência de artistas negros e a total ausência de autoras mulheres, que poderiam trazer outras subjetividades para a pesquisa. Um destaque que abrilhanta este livro são as artes de Bira Dantas, que inclusive trazem páginas em quadrinhos para destacar os depoimentos dos cartunistas na parte final do livro. Gostei bastante da leitura, mas gostaria também de ler algo com mais profundidade sobre o mesmo tema.

FORMAS DE NARRAR UM CORPO, DE RITA VON HUNTY

★ ★ ★ ★

Rita Von Hunty faz um papel muito importante na cultura queer, que é o de falar sério no meio do escracho. Ela também tem a noção de que falar sério demais acaba afastando as pessoas. Junto com a arte drag e o verve acadêmico, ela consegue dosar e chamar a atenção para o que deve ser dito. É isso que ela realiza neste seu livro de estreia, chamando a atenção para questões não apenas de corpo, mas de identidade, de gênero, de raça e de classe, além da sexualidade, claro. Na minha opinião, como designer editorial, acredito que o livro poderia ser menor e mais acessível, afinal, a cultura e as questões que Rita levanta devem ser acessadas por todes. O livro tem uma fonte de tamanho maior que a média e o mesmo acontece com as entrelinhas e outros respiros do livro, que poderia muito bem ter saído como a coleção Feminismos Plurais, num formato de bolso, fazendo com que a pessoa leitora pudesse comprá-lo com mais facilidade.

UM ESTRANHO TÃO FAMILIAR: TEORIAS E REFLEXÕES SOBRE O ESTRANHAMENTO NA FICÇÃO, DE GEORGE AMARAL

★ ★ ★ ★

Comprei este livro na banca da editora Bandeirola na A Feira do Livro do Pacaembu logo depois de eu ter um artigo falando sobre o adjetivo “uncanny” dos X-Men e como ele se relaciona com teorias freudianas, kristevianas e com o queer. Este livro sobre o entranhamento, de George Amaral, que inclui algumas dessas teorias, também me abriu os olhos para outras formas de encarar o infamilia em outras disciplinas, principalmente na literatura, que é o ponto principal de que o autor do livro parte. Gostei muito do livro e da abordagem, mas principalmente por me fazer perceber que, além de falarmos do que é estranho, precisamos entender por que algumas coisas são familiares ou naturalizadas, para que algumas poucas se tornem as que devem ser estranhadas socialmente.

A CONQUISTA 2099, DE STEVE ORLANDO, IBRAIM ROBERSON, JOSÉ LUIS SOARES

★ ★

Então, eu tinha lido Aniquilação 2099 e tinha achado muito legal a maneira como foi construída, trazendo personagens diferentes e cativantes a cada edição, baseados em personagens originais da Marvel Comics. No fim de cada edição tinha uma pequena história mostrando como Drácula arregimentava seu exército interplanetário para reconquistar o planeta natal dos vampiros. Nesta edição, o que se coloca contra essa reconquista de Drácula é um exército de aranhacidas, que tem diferentes personagens associados, como a Mulher-Aranha 2099, que acaba envolvendo também o Homem-Aranha 2099, o Nova 2099 e os X-Men 2099. Mas a história não tem o mesmo charme do volume anterior, muito antes, pelo contrário, ela perde todo o charme em lutas e pouca construção de personagens. Tinha dado um voto de confiança ao Steve Orlando e ele conseguiu perder no mesmo instante…

DRACULA VERSUS ZORRO: THE COMPLETE SAGA, DE DON MCGREGOR E TOM YEATES

★ ★

Don McGregor é conhecido por sua passagem nos títulos Jungle Action e Black Panther, na Marvel. Aqui, com a ajuda de Tom Yeates, numa arte extremamente detalhada e esmiuçada, trazem o primeiro crossover entre o príncipe dos vampiros, Drácula, e o cavaleiro da Califórnia, Zorro. Li este material em duas edições fac-símile, que foram editadas originalmente pela Toppz em sua linha de quadrinhos dos anos 1990. Vale dizer que a Toppz é atualmente a maior concorrente da PaniniTM. Este quadrinho não tem muita coisa de especial além da arte de Tom Yeates. O roteiro de Don McGregor é simples e até mesmo simplório e muito, muito verborrágico. Então, a não ser que você seja muito fã de Drácula ou de Zorro, não recomendo a leitura.

O CREPÚSCULO DOS SUPER-HERÓIS, DE DAVID CAMPITI, BILL ANDERESON, KEVIN JUAIRE, RON LIM E JOHN R. STATEMA

★ ★

Na época da Crise nas Infinitas Terras, Alan Moore tinha um projeto de revitalização da DC Comics que envolvia batalhas de casas, dinastias ou famílias de super-heróis se enfrentando. Esse projeto se chamaria Crepúsculo dos Super-Heróis, mas ele nunca saiu do papel. Aproveitando o frisson sobre essa ideia, a EBAL lançou seu último título com o mesmo nome, embora nada tivesse a ver com a DC Comics e sim com a Hero Alliance, um quadrinho de super-heróis nos moldes de Watchmen, encabeçado por David Campiti e Ron Lim. No entanto, a história que a EBAL trouxe para o Brasil era a terceira da Hero Alliance, que tinha sido apresentada em uma graphic novel e aqui saiu só o segundo número. Eu pude ler essa história, que achei bem qualquer coisa, com muitos pulos entre narrações, através de um fac-símile. Não tinha feito falta na minha formação de fã de super-heróis e parece que não fará mesmo.

MISTER NO: AS NOVAS AVENTURAS, VOLUME 3: O PRISIONEIRO DA SELVA, DE LUIGI MIGNATO E MARCO FODERÀ

★ ★

Muitas vezes fico impressionado com os desenhos incríveis que a Sergio Bonelli Editore contemporânea tem empregado para seus quadrinhos. É o caso dos desenhos de Marco Foderá nestas As Novas Aventuras de Mister No. No entanto, os roteiros não têm me agradado tanto quanto a maioria das histórias que pude ler do personagem, principalmente aquelas do criador original, Guido Nolitta, que trazem momentos muito mais aventureiros e surreais. Nesta aqui, por exemplo, temos uma aventura mais, digamos, indigenista, em que Mister No enfrenta desafiantes indígenas, em que caça queixadas no meio da floresta. E o mesmo aconteceu nos volumes anteriores desta publicação projetada para sair em quatorze edições aqui no Brasil. Infelizmente para mim não funcionou esta iniciativa.

NATHAN NEVER: ESPAÇO PROFUNDO, DE MIRKO PERNIOLA, SILVIA CORBETA, IVAN CALCATERRA, MASSIMO DALL’OGLIO

★ ★

Gosto bastante do personagem Nathan Never e suas aventuras policialescas no futuro. No entanto, a minissérie em três edições compiladas aqui neste encadernado trazido para o Brasil pela Red Dragon Publisher não me encantou como as outras histórias de Nathan Never. Uma das razões para que isso tenha acontecido é que o foco não é no protagonista, mas em um alienígena que cruza o tal espaço profundo para chegar à Terra e se salvar de um conflito. Porém, nessa situação, acaba trazendo o conflito para a Terra e enganando não apenas a agência alfa, mas também provocando a morte daquela que seria sua principal aliada e defensora na Terra, sua própria amante humana. Então, apesar de gostar muito das histórias de Never, esta aqui não me capturou como as demais.

GEA, VOLUME 2, DE LUCA ENOCH

★ ★ ★

Dos trabalhos de Luca Enoch que li até agora, Gea é o que tem um tom mais juvenil, mesmo que não seja voltado exatamente para um público juvenil, e sim para um público mais adulto. O quadrinho lida com o sobrenatural, tem nudez, tem piadas bobas, a cultura juvenil (e até a cultura gay) sendo trabalhada, e tem muitas coisas sobrenaturais acontecendo regadas a muita música. Esta segunda edição não me capturou tanto quanto a primeira, já que não tem tantos acontecimentos pontuais e a trama se adensa, ficando mais complicada de entender quem é quem nesse jogo cósmico/mitológico que Enoch aprontou para os leitores. A arte e a narrativa do autor são de tirar o chapéu, só não sei se o tom da publicação funcionou tão bem para mim.

GUERRAS SECRETAS II, DE JIM SHOOTER E AL MILGROM

★ ★ ★

Mais uma publicação da PaniniTM que cantei a pedra que viria por aí. Tá certo, muita gente sabe que a segunda versão de Guerras Secretas, quando o Beyonder vem para a Terra experimentar como é viver como um humano, é ainda pior do que a primeira. Mas é inegável que ela se alastrou por todos os títulos da Marvel na época e teve um impacto significativo em várias histórias. É interessante, então, poder ler essa minissérie em novas edições na íntegra, já que na época da Editor Abril ela foi espalhada por um sem-número de revistas. Ficam faltando as histórias relacionadas com Guerras Secretas II aqui neste encadernado, porque nele elas são apenas referenciadas. Tem alguns erros de nomes de personagens e da marca editorial PaniniTM no encadernado também. Guerras Secretas II é um quadrinho muito fruto de seu tempo; é interessante analisar as soluções buscadas por Jim Shooter e Al Milgrom para desenvolver a história. Não é uma história boa, mas ela prende nossa atenção por tantas coisas curiosas que tem.

ULTIMATE WOLVERINE, VOLUME 1: O SOLDADO INVERNAL, DE CHRIS CONDON, ALESSANDO CAPPUCCIO E ALEX LINS

★ ★ ★

O mote desta versão Ultimate de Wolverine é que, em algum momento durante sua rebeldia contra O Criador, ele foi capturado e sofreu lavagem cerebral para servir de arma para os imperadores da Eurásia, Peter e Illyanna Rasputin. Assim, Logan, o Wolverine, se tornou o Soldado Invernal, encarregado de cometer os serviços sujos e mortíferos para os governantes a serviço do Criador. A história acompanha então Wolverine Invernal nesses serviços, mas também encontra a resistência mutante e começa a entender que foi tornado uma arma assassina. Para aqueles que gostam do Wolverine cruel e raivoso, esse é um prato cheio. Mas não é para mim porque a história me pareceu desnecessária, seja para o personagem, seja para o próprio Universo Ultimate, como vem sendo construído.

VENOM, VOLUME 8, DE AL EWING E IBAN COELLO

★ ★ ★ ★

A Guerra Venom começa aqui! E ela está colocando o pai Eddie Brock contra seu filho Dylan, bem como os aliados que os dois conseguiram arrebanhar para esse momento profetizado para os dois pelo destino do planeta. Mais ainda, Dylan recebe uma visita de sua versão futura, que dá algumas instruções sobre como deve agir. Enquanto isso, nas corporações, os executivos são visitados por um Meridius disfarçado. A história começou bem e vai ditar o rumo da revista do Venom aqui no Brasil por alguns meses, mesmo com a revista do personagem sendo a mais atrasada, a mais defasada em cronologia comparada com o restante das publicações Marvel. Mas isso vocês já sabem, afinal, eu repito isso aqui todo mês, né? Acho que só a PaniniTM não percebeu…

DESTINO 2099, VOLUME 1: RENASCIDO, DE JOHN FRANCIS MOORE, PAT BRODERICK, ÉRNIE COLÓN E ENRIQUE ALCATENA

★ ★ ★ ★

Quando os astros se alinharam, ou seja, a publicação de Homem-Aranha e X-Men 2099 e a aproximação do filme Vingadores: Doutor Destino, eu cantei a pedra de que a PaniniTM iria publicar Destino 2099. Na trama, o Doutor Destino do século XX vai parar, por alguma razão que ele mesmo desconhece, em 2099. Lá, ele percebe que outro déspota, Tyger Wylde assumiu seu reinado na Latvéria e então busca retomar não apenas o território, mas a glória do passado de seu país. Para isso, passa a agir junto com alguns aliados na cibernética, ou, mais especificamente, nas tecnologias de inteligência artificial. É curioso como a briga de magnatas pela tecnologia de IA era tão distante trinta anos atrás e como é tão próxima hoje em dia. É bem interessante tentar ler Destino 2099 tanto com os olhos dos anos 1990 como com os da nossa realidade atual, como se John Francis Moore e companhia estivessem mesmo prevendo esse nosso futuro.

LILITH, VOLUME 5, DE LUCA ENOCH

★ ★ ★ ★

Estamos chegando ao volume final de Lilith que vai revelar muitos dos mistérios que vínhamos acompanhando até aqui. Se Lilith conseguiu alterar o futuro do mundo através de suas ações com os triacantos, nem todas as coisas parecem ter mudado. Neste volume temos uma das histórias mais interessantes e impactantes que pude ler da série, que se relaciona com a resistência do Império Asteca à invasão espanhola. As outras duas histórias do encadernado, na minha humilde opinião, não são tão interessantes, mas mostram mais pistas sobre a missão de Lilith e sobre o seu futuro. A segunda história se passa na Segunda Guerra Mundial e a presença da personagem altera drasticamente o rumo do mundo. Já a terceira e última história do encadernado se passa em 2015 no Afeganistão e deixa mais públicas a presença e as alterações que a personagem vem fazendo no mundo. Agora é aguardar a última edição!

AS LENTILHAS DA BABILÔNIA, DE ROMANO SCARPA

★ ★ ★ ★

Tendo lido O Destino de Patinhas, considerada uma das melhores histórias dos Patos depois de Barks e DeRosa, fiquei com vontade de ler a trama que deu origem ao destino depauperado e trágico do maior ricaço dos quadrinhos. A PaniniTM lançou recentemente essa história, intitulada As Lentilhas da Babilônia, desenvolvida por Romano Scarpa. É um quadrinho bastante divertido que mostra como o Tio Patinhas é enganado pelos Irmãos Metralhas por causa de seu apetite de avestruz, que acha que lentilhas estocadas por milhares de anos na Mesopotâmia são extremamente saborosas. Assim, ele mexe mundos e fundos para estabelecer um negócio com esses grãos sem saber das arrimanhas dos Metralhas, que vão mudar o destino de Patinhas. Um quadrinho bem diferente e bastante ousado numa linha de quadrinhos em que mudar o status dos personagens é praticamente impossível.

VOTOS VENCIDOS, DE MÁRIO CÉSAR

★ ★ ★ ★

Em diversos países, a relação entre os indivíduos que organizam a política e aqueles que regem os veículos de comunicação é estreita, complexa, cheia de segredos e, de repente, de revelações. Votos Vencidos, de Mário César, é um retrato de como essa relação se estabeleceu no Brasil após a redemocratização. O mais interessante é ler o posfácio da história em quadrinhos e entender em que histórias reais o quadrinista se inspirou e como, no seu entendimento, políticos de esquerda e de direita têm tratamento diferenciado pela imprensa hegemônica do nosso país. Mais que isso, o prefácio de Gabriela Borges, do Mina de HQ, ressalta o quanto o papel da mulher é importante para os jogos políticos, já que a sua marca de moral ilibada é também uma forma de garantir que o político também possua essa qualidade: a mulher representa a família, elemento tão decisivo nas últimas eleições. Assim, ter uma mulher desviada ou desviante do modelo bela, recatada e do lar, ou outros tipos de incongruências com o normativo, pode fazer com que toda uma campanha possa ruir, independentemente do comportamento do homem que é casado com ela. Isso Mário mostra muito bem, apostando em uma narrativa que retrata o cinismo e a hipocrisia da sociedade brasileira.

ORBITAL, DE PEDRO VÓ

★ ★ ★ ★

Pedro Vó nos apresenta uma bela história autobiográfica nesta graphic novel que explora as cobranças que nos impomos a partir das demandas sociais pelas quais somos atravessados. Esse tipo de conjunção de ansiedades gera diversos distúrbios, entre eles depressão, burnout, perda de apetite, entre outros problemas relacionados com o cotidiano urbano. Esse cotidiano opressivo é muito bem apresentado por Pedro Vó, que, além de mostrar como é caótico o trânsito de São Paulo, ainda compara essa experiência à condição mental relatada, como vagar sozinho em uma nave espacial. Essa nave gira em órbita de algo que não se sabe exatamente o que é, mas que é imprescindível para todos que vivem nessa organização social que o façam. Aos poucos, Pedro vai contando como reencontrou seu caminho, seu centro, depois de algumas crises psicológicas e existenciais, em um quadrinho sutil, mas que mostra a realidade de muitas pessoas ao redor do mundo.

A SAGA DO SUPERMAN, VOLUME 17 (41), DE DAN JURGENS, ROGER STERN, LOUISE SIMONSON, JERRY ORDWAY, JON BOGDANOVE, KERRY GAMMILL, TOM GRUMMETT, JACKSON GUICE, DENNIS JANKEN, DOUG HAZLEWOOD, KEITH GIFFEN

★ ★ ★ ★

Segundo o editorial desta edição de A Saga do Superman, todas as revistas aqui contidas são 100% inéditas no Brasil. Assim, o leitor pode acompanhar o Superman em um campo de desafio um pouco diferente daquele em que costuma atuar: o campo do sobrenatural e da magia. Nesta edição, ele se vê envolvido com vampiros e com demônios no meio da Guerra Blaze/Satanus, entre dois lordes infernais do Universo DC. Também nesta edição faz a estreia a entidade cósmica que rivaliza com o Eternidade da Marvel: Kismet, que apresenta realidades em que o Superman seria outro se não seguisse sua bússola moral. Uma edição bem boa de se ler, um arco intrigante que revela esse lado tão curioso da DC Comics, que é relacionado com a mitologia cristã.

INVENCÍVEL, VOLUME 13: DORES CRESCENTES, DE ROBERT KIRKMAN, RYAN OTTLEY E CORY WALKER

★ ★ ★ ★

Mais uma ótima edição de Invencível. Ela começa com duas edições mostrando os desafios de Omni-Man e Allen, o Alien, no espaço sideral, se preparando para a guerra contra os viltrumitas. Mas na Terra, Invencível tem outros problemas com os sequids e outros alienígenas, mas talvez a maior confusão se encontre na cabeça de Eve Atômica, que se descobre em um estado especial. Esta edição também conta com o especial Invincible Returns, que faz um apanhado daquilo que acompanhamos até aqui nas aventuras de Mark Grayson, e não foram poucas coisas nesses treze volumes. Mais uma vez, um encadernado de Invencível entrega muita aventura, complexidade e as dores humanas que fazem parte de nosso crescimento.

SOCIEDADE DA JUSTIÇA DA AMÉRICA: A NOVA ERA DE OURO, DE GEOFF JOHNS, TODD NAUCK, MARCO SANTUCCI, MIKEL JANÍN

★ ★ ★ ★

Depois de parecer que a PaniniTM tinha esquecido que tinha começado a publicar a Sociedade da Justiça por Geoff Johns, o segundo e último volume surgiu no checklist. Este título sofreu muitos atrasos e intempéries em sua publicação nos Estados Unidos, muito em função dos compromissos de Johns com sua própria linha de quadrinhos. No entanto, as histórias aqui publicadas são bem legais, envolvendo a Legião dos Super-Heróis e a busca da Caçadora do futuro para encontrar seus parceiros, atuais vilões, que se tornariam membros importantes da Sociedade da Justiça da América. Os desenhos de Marco Santucci e Mikel Janín complementam a revista e a capacidade dos três de trabalharem com uma ampla gama de personagens que conseguem se relacionar bem entre si e desenvolver uma história interessante e bem conclusiva. Cabe ainda uma homenagem aos vinte e cinco anos de criação da Stargirl, trazida às páginas da DC Comics também por Johns.

BATMAN, VOLUME 8, DE MATT FRACTION, JORGE JIMÉNEZ, TOM TAYLOR E LEE GARBETT

★ ★ ★ ★

Matt Fraction na revista do Batman foi uma aposta bem feita da DC Comics. Aqui, ele parece estar investindo em pequenos contos enquanto também vai tecendo uma rede de acontecimentos maior levando em conta a ascensão do comissário Vandal Savage no departamento de polícia de Gotham. Nesta edição, que eu gostei bastante, e mais que a primeira, Fraction e Jiménez focam no Robin Tim Drake, de uma forma que fazem o Robin parecer tão cheio de preparo e fodão como o Batman e como nunca outros escritores permitiram que ele fosse mostrado. Depois, temos Detective Comics, por Tom Taylor e por Lee Garbett. Essa atração da revista já não me agradou tanto, embora o Pinguim ao lado do Batman nesta história tenha sido uma bela adição a um enredo morno. A questão é: vale a pena comprar a revista de um personagem de quem não sou fã para ler apenas uma atração do mix que me agrada?

ABSOLUTE CAÇADOR DE MARTE, VOLUME 3, DE DENIZ CAMP E JAVIER RODRIGUEZ

★ ★ ★ ★

Absolute Caçador de Marte continua sendo um dos quadrinhos mais inovadores dos últimos anos na indústria de quadrinhos estadunidense de super-heróis. Ele não faz isso apenas no roteiro e nos desenhos, mas também na forma como a narrativa visual e a forma de contar a história são feitas, que envolvem também as cores, os balões, além de algumas brincadeiras com a própria fisicalidade da revista em quadrinhos. Claro, nessa edição deu uma cansadinha na forma como a história está sendo contada, no primeiro número dos dois trazidos aqui. No entanto, logo no segundo, a coisa vira e aquilo que era cansaço já nos convida para entrar na trama de novo com a mesma vontade que tínhamos no começo e começar a explorar novas dimensões da história, dos personagens e das ameaças que espreitam o leitor e o Universo Absolute da DC Comics.

DAMPYR ESPECIAL, VOLUME 1: DRÁCULA PARK, DE MAURO BOSELLI E STEFANNO ANDREUCCI

★ ★ ★ ★ ★

Já tivemos histórias que imaginaram um parque temático com dinossauros trazidos de volta à vida para o encanto dos pagadores de ingresso? Mas o que aconteceria se uma empresa muito suspeita resolvesse criar, nos Cárpatos, um parque temático de vampiros, mas específico sobre o Conde Vlad Tepes, o Drácula. É essa iniciativa que Dampyr e seus aliados vão investigar, primeiro passando por uma floresta em que iria ser construído determinado parque, depois em um castelo, onde são abertas as portas para um público de demonstração pela primeira vez. Ao mesmo tempo que as portas se abrem para o público, também soltam as assombrações nele contidas, que são muito mais reais do que se poderia imaginar. Uma história cheia de aventura, terror e reviravoltas emocionantes. Gostei bastante!

O MISTÉRIO DO LAGO, DE FABRIZIO ACCANTINO E TOMMASO BIANCHI

★ ★ ★ ★ ★

Primeiro, preciso elogiar a adaptação do logotipo e do design da capa que a Red Dragon Publisher fez da edição original de Le Storie para essa one-shot de O Mistério do Lago. Trata-se de uma história única, com um ótimo roteiro de Fabrizio Accantino, ambientada na Itália medieval. Fala sobre a lenda de um dragão que mora em um lago e que tem adoecido e feito as pessoas adoecerem e morrerem na cidade que margeia as águas. Tudo isso até que um cavaleiro e um escudeiro surgem para encerrar esses problemas. Mas a história não é tão simples como possa parecer; muitas reviravoltas vão acontecendo e, junto com os desenhos de Tommaso Bianchi, vão surgindo muitas revelações sobre essa lenda, o que deixa o quadrinho, de pouco mais de cem páginas, muito potente e gostoso de se ler e de se surpreender ao mesmo tempo. Gostei bastante!

Era isso, pessoalzitcho!
Abram seus miolos!
T+!

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