Nesta semana, retomei um projeto pelo qual sou apaixonada: o meu podcast. E o retorno foi em grande estilo, em uma conversa com Ediane Ribeiro, psicóloga e especialista em trauma — uma pessoa que admiro, que me inspira e com quem aprendo. Ediane é autora do livro Os tesouros que deixamos pelo caminho, lançado pela Editora Planeta.
A conversa foi potente, mas prefiro que você tire suas próprias conclusões ouvindo o primeiro episódio desta nova temporada do Palavra, que agora ganha também um novo sobrenome: Da pele pra dentro. No episódio, explico melhor essa mudança, que mantém o Substantivo Feminino como premissa, mas traz o mundo interior para pulsar em primeiro plano.
Depois de um bom tempo sem publicar novos episódios, cheguei a considerar criar um podcast do zero. Aos poucos, porém, percebi que o projeto não havia se esgotado — havia amadurecido, mesmo em silêncio. As pausas são parte essencial da criação e também da sustentação do que é verdadeiramente importante, ainda que não sejam bem aceitas na dinâmica acelerada do mundo.
Em tempos desafiadores, somos convocadas a fazer escolhas. E, talvez, a compreender a beleza que a suficiência carrega. Reconhecer aquilo que basta, experimentar a sensação de contentamento — algo cada vez mais raro, já que a vida contemporânea parece girar movida por desejos sem fim. A sensação de falta se tornou o combustível do mundo.
Ao mesmo tempo, seguimos nos perguntando como dar conta de tudo. A resposta é simples — e desconfortável: não vamos. Diante dessa constatação, o caminho não é a aceleração, mas uma investigação mais profunda. Uma escuta que nos leve ao lugar onde moram os sonhos, onde habitam os valores que carregamos, onde a alma cultiva o sentido e o mistério da vida.
Esse lugar não é acessado pelo pensamento, mas pelas sensações. É isso que nos diferencia das máquinas: podemos sentir. E é no corpo — ou naquilo que sentimos através dele — que encontramos pistas sobre o que precisamos escolher, abandonar ou sustentar, em vez de insistir na ilusão de dar conta de tudo.
Foi exatamente sobre isso que eu e Ediane conversamos: sobre o chamado da vida para a conexão com os sentimentos, que pedem companhia, tempo e observação, nesse laboratório existencial de sensações que é o corpo.
Por isso, te convido a ouvir essa conversa e, se fizer sentido, voltar aqui para me contar como ela te atravessou. Talvez ela desperte em você, assim como despertou em mim, a vontade de recuperar seus tesouros sensoriais — essas bússolas internas capazes de apontar o que é inegociável. Quem sabe, assim, possamos encontrar a única conciliação possível: não entre os desejos múltiplos e contraditórios do mundo, mas entre nós e a nossa alma.
Feliz ano novo!
Seguimos juntas!
Um beijo grande!
Dani Moraes
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