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Por dentro da comunidade
A economia de serviços está passando por uma mudança estrutural.
O que antes era construído por consultorias e estruturas intensivas em pessoas começa a ser redesenhado por startups que têm IA como camada central de execução.
É nesse contexto que lançamos a 4ª edição do Matchmaking, agora com foco em AI-Native Services. Um programa de 4 semanas que conecta dois perfis complementares: domain operators 💼 , profissionais com experiência profunda em um setor, e AI Talents 👨🏻💻 capazes de transformar esse conhecimento em sistemas escaláveis.
A tese é simples, mas poderosa.
Os melhores negócios dessa nova geração não nascem apenas de tecnologia, nem apenas de mercado: nascem da combinação dos dois. De um lado, quem entende o problema por dentro. Do outro, quem sabe automatizar o job to be done.
Ao longo das últimas edições, +40 founders deram match, +30 startups foram criadas e 40% dos times seguiram juntos após o programa. Nesta edição, 100% da construção da turma será pensando para potencializar as chances de conexão entre domain operators e AI talent para à construção de AI-Native Services startups.
⏳ As inscrições estão abertas até o dia 28 de maio.
⭐ Para talentos de IA, haverão Full-Tuition scholarships.
Seguimos apoiando a próxima geração de startups onde o produto não é apenas software, é execução de serviços em escala com IA como espilha dorsal.
IA pelo mundo
A Anthropic anunciou uma joint venture com Blackstone, Hellman & Friedman e Goldman Sachs para lançar uma empresa de serviços enterprise de IA. O deal tem $1.5B em capital comprometido, com $300M de cada um dos três sócios fundadores. Apollo, General Atlantic, GIC, Leonard Green e Sequoia também estão dentro.
O modelo não é consultoria tradicional. Engenheiros da Anthropic serão embedded diretamente dentro das empresas para identificar onde o Claude gera mais impacto, construir soluções customizadas e dar suporte no longo prazo. O target é o middle-market: redes de saúde, bancos comunitários, manufaturas e empresas de médio porte que querem frontier AI mas não têm time para buildar internamente.
A lógica financeira é clara. Para cada $1 que empresas gastam em software, gastam $6 em serviços. A Anthropic está indo atrás da fatia maior do bolo. E tem o pipeline pronto: centenas de portfolio companies das gestoras parceiras como base de clientes inicial, além do Claude Partner Network, que já inclui Accenture, Deloitte e PwC.
O timing também não é acidental. Horas antes do anúncio, o Bloomberg reportou que a OpenAI está montando uma estrutura quase idêntica, chamada The Development Company, com TPG e Bain Capital. Os dois maiores labs do mundo decidiram, no mesmo dia, que o futuro da receita em IA não é licença de software. É serviço. 🧩
IA no Brasil
A Enter, startup brasileira de IA aplicada ao setor jurídico, atingiu um valuation de US$ 1,2 bilhão em sua nova rodada, entrando para o grupo de unicórnios e reforçando uma tese que vem ganhando força: IA vertical é onde valor real está sendo capturado.
No jurídico, um dos setores mais intensivos em conhecimento e processos, a empresa aposta em automação de ponta a ponta: não como ferramenta auxiliar, mas como infraestrutura operacional. O ganho não é incremental, é estrutural: menos tempo, menor custo e maior escala em atividades críticas.
O movimento posiciona o Brasil em um lugar mais interessante no cenário global. Não apenas como mercado consumidor, mas como origem de empresas que estão redefinindo categorias com IA aplicada. Em um ciclo onde modelos se commoditizam, quem domina contexto, workflow e distribuição começa a construir vantagem real.
Pesquisa
A partir do GPT-5.1, os modelos da OpenAI começaram a mencionar goblins, gremlins e outras criaturas com frequência crescente. Engraçado no início. Preocupante quando o uso da palavra “goblin” subiu 175% e o modelo começou a se referir a si mesmo como um “Goblin-Pilled Transformer.” A OpenAI precisou adicionar uma linha no system prompt do Codex proibindo explicitamente menções a “goblins, gremlins, raccoons, trolls, ogres, pigeons, ou outros animais e criaturas.”
A investigação revelou a causa raiz: ao treinar a personalidade “Nerdy”, a OpenAI inadvertidamente deu recompensas altas para metáforas com criaturas. O RL fez o resto. A personalidade Nerdy, com apenas 2.5% de todas as respostas do ChatGPT, era responsável por 66.7% de todas as menções a goblins. E porque reinforcement learning não garante que comportamentos aprendidos fiquem contidos onde foram ensinados, os goblins se espalharam para outros contextos. Inclusive para o Codex, que, nas palavras da própria OpenAI, “é afinal bastante nerd.”
O caso é engraçado. A lição não é. Um único reward signal mal calibrado gerou um comportamento que se propagou por múltiplas gerações de modelos antes de ser identificado e contido. E isso era apenas linguagem, visível e rastreável.
Venture Capital
A Sierra, startup de Bret Taylor, fechou uma rodada de $950M liderada por Tiger Global e GV, com valuation acima de $15 bilhões. A empresa saiu de 4 design partners há dois anos para ter mais de 40% das Fortune 50 como clientes, com agentes processando bilhões de interações, de refinanciamento de hipotecas a campanhas de captação de ONGs.
O crescimento de receita é o dado mais revelador: $100M em ARR em novembro, $150M em fevereiro. Quatro meses, 50% de crescimento. O capital vai para consolidar o que Taylor chama de “padrão global” para experiências de clientes com IA.
O case da Uber, compartilhado no StrictlyVC, mostra onde o mercado está: a empresa estourou o budget de IA logo após adotar ferramentas agênticas, mas 10% de todo o código produzido pelos 8 mil engenheiros já é gerado autonomamente. Um projeto de hotel booking que levaria um ano foi entregue em seis meses com workflows agênticos.
A Sierra também lançou o Ghostwriter, ferramenta que constrói outros agentes a partir de linguagem natural. A tese de Taylor é direta: a maioria dos softwares enterprise é subutilizada porque exige navegação complexa. O futuro é um onde o usuário nunca precisa abrir o sistema, apenas pedir ao agente.
Achados na internet
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