RSS Amplifier

Cadê Anderson Lopes · Feb 6, 2024

Tem todo ano, mas nem sempre

0
Sign in to vote or save

This page did not load. You can still read it on the original site — the toolbar below keeps your place in the directory.

[014] CadêAndersonLopes de Carnaval

Para ler ouvindo Tá escrito, Grupo Revelação.

Lembro que nos últimos anos, quando tocava essa música em alguma roda de samba, na hora do refrão, geral gritava: “Manda o Bolsonaro embora”. Mandamos, mas não é só sobre isso. É muito mais. É sobre a nossa hora que chegou. 

— 

É Carnaval, 

Tem aqueles que reclamam simplesmente por não gostar das músicas, de aglomerações e das coisas que acontecem na folia (e tá tudo bem), mas diz aí se num é bom demais, esses quatro (às vezes cinco) dias sem trabalhar? 

Você que está me lendo pode até não gostar da festa, mas provavelmente, na medida do possível, vai fazer algo legal nesse período. 

De alguma forma você acaba fazendo o seu Carnaval. Seja maratonando séries, seja saindo das capitais e indo para lugares mais calmos ou, simplesmente, não trabalhando, que é o que acontece com a maioria das pessoas neste período. 

Então, me corrija se eu estiver errado: Gostando ou não, de blocos e multidões, podemos dizer que é maravilhosa, a existência do Carnaval, né? 

— 

Eu sou apaixonadíssimo por essa época do ano. 

Em 2023 eu larguei Portugal, arriscando meu processo de imigrção naquele país, para vir aqui brincar Carnaval depois de dois anos sem. 

Tu lembra, que passamos dois anos sem ter? 

Semana passada eu estava entre Tailândia e Vietnã, uns lugares bonito arretado, e mais uma vez troquei para vir para o melhor Carnaval do mundo. 

É muito amor, né não? 

—  

Agora deixa eu mexer com a memória rapidinho.

Num sentido macro eu posso imaginar e poderia listar uma dezena de coisas que sofremos juntos nos últimos anos, porque eu também passei. Passamos juntos. Sofremos no coletivo.

O número 700.000 pode te lembrar, ou o cercadinho daquele fila da puta que todo dia minava um pouco nossa esperança daquele inferno que parecia que não ia acabar nunca. Mas acabou. Glória a Deus. 

Mas além do dano coletivo, só tu sabe como foi dar conta disso tudo. Só tu sabe como administrou a dor no peito, que em algumas pessoas chegava a faltar ar só de assistir as notícias na TV. 

Enquanto isso te atravessava de um jeito bem particular (e tu sabe bem), uma série de problemas pessoais vinham como consequência. Pessoas queridas que perdemos. Empresas que sumiram. 

Tu lembra como foi amar no meio disso tudo? As relações? 

Como foi trabalhar no meio disso tudo? 

Ou Não trabalhar, pois foi a realidade de muitos. 

Doeu.

Doeu pra caralho! 

— 

Sifudê, Anderson!!! 

Lembrar dessas coisas na semana do Carnaval?!?! 

Mas é justamente esse o objetivo. Para te dar um sacode. Uma provocação para a gente não achar que Carnaval é coisa pouca. Para a gente não achar que paz é coisa pouca. 

O Brasil tá bom? Tá não. 

Sabemos. Mas tá infinitamente melhor que nos últimos anos. 

Podemos respirar um pouco de estabilidade institucional. 

—-

Li em algum lugar que a alegria é a coisa mais importante que existe. 

Escrita dessa forma, assim, eu não concordo 100%, mas se acrescentar a palavra fevereiro aí sim, aí eu valorizo. 

Em fevereiro, a alegria é a coisa mais importante que existe.

E sabe aquela onda de: “Carnaval tem todo ano”? Porra nenhuma! Tu imaginava que passaríamos dois anos sem ter, sendo um deles trancados dentro de casa? 

É hora de Aproveitar, com A maiúsculo! E mais: Tu sabe lá como estaremos no ano que vem? Tanto de forma pessoal, mas também de coletiva com o aquecimento global te impedindo até de raciocinar? 

Cheguei semana passada no Brasil, especificamente em Recife, e to sentindo aquecimento global fazer escoar por todos os meus poros, litros e litros de suor que nunca suei em todos esses 40 anos de vida. 

Não sei como é aí na tua cidade, mas aqui em Recife, sabe aquelas labaredas de fogo que saem da boca dos dragões de desenho animado? Eu sinto essas labaredas lambendo minhas costas, meu pescoço a cada caminhada na rua. 

Os dias estão cada vez mais quentes, então, vou ser redundante: Aproveita o Carnaval, pois ano que vem provavelmente estará mais quente, no ano seguinte mais quente, até um dia só existir Carnaval viável em clubes com ar condicionado ou com orquestras tocando na madrugada. 

— 

Então é isso. Tô te convidando a lembrar de comemorar. Te convidando a viver e aproveitar ao máximo. Seja descansando, lendo ou nos blocos, ao lado das orquestras, sentindo calor humano e desumano em alegria extrema. 

É isso, meu amigo e minha amiga. 

Independentemente de como será a sua programação, a newsletter desta semana é para tentar te balançar mesmo (espero ter conseguido). 

Folia pra quem é de folia. 

Meditação pra quem é de meditação. 

Netflix pra quem é de Netflix. 

Putaria pra quem é de putaria. 

Num trata fevereiro como qualquer coisa não. 

Aproveita o Carnaval. 

Se joga.

— 

E um recado importante: Se chegar aí uma newsletter na próxima terça-feira (de Carnaval) é certeza que escrevi bêbado. 

Enviar será um movimento arriscado, mas sim, é possível que aconteça. E caso eu envie, peço que entendam meu estado etílico. 

Mas se me faltar coragem de publicar o que escrevi bêbado, deixarei para enviar na sexta-feira após o Carnaval. Tudo bem? 

Vamo que vamo! 

Um cheiro bem grande para você, que leu até aqui. 

Se tu tá no grupo dos que não trabalham no Carnaval, aproveita esses dias. 

São os meus votos para esse momento lindo. 

Aquele abraço, e um carnaval bem massa pra tu.

Read on cadeandersonlopes.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.