RSS Amplifier

Cadê Anderson Lopes · Jan 9, 2024

O brasileiro, o europeu e o oriental.

0
Sign in to vote or save

Anderson Lopes · Cadê Anderson Lopes

Certeza que algum dia tu já pensou; “esse país tem jeito não”, em relação ao Brasil. Provavelmente chateadx com a forma como te atenderam em um comércio ou órgão público, ou talvez com a corrupção ou falta educação de alguma pessoa. 

Já fiz muito isso, e quando o fazia na frente da minha mãe, ela dizia “Você já foi a outro país por acaso? Para saber como é lá fora? Se não é igual ou até pior que aqui?”

Eu rebatia porque eu via o mundo pela TV, pelo Youtube ou Instagram, e achava que sei lá, na Europa, Canadá, esse lance meio “primeiro mundo”, as coisas seriam melhores. 

A real é que minha mãe estava certa.

E com tudo que tenho visto nestes países, afirmo que o Brasil é um lugar incrível, de gente boa, honesta, feliz e gente do bem.

——

Diariamente eu me desafio a respeitar, e entender como cultura local, situações que me trazem incômodo nas cidades que tenho passado durante essa viagem.

Neste momento estou no Vietnã, na cidade de Hoi An, que, como diria Hebe Camargo, é uma gracinha.

Eu já tinha lido sobre, mas aqui estou vivendo na pele, a cada compra no dia a dia, a necessidade de negociar preço. 

Tu acredita que ontem, quando perguntamos o preço de um garrafão de água em uma loja de conveniência a atendente deu o preço (nos olhando de cima a baixo) um pouco mais alto do que o normal? E quando agradecemos e saímos, ela veio atrás perguntando quanto gostaríamos de pagar por aquele item?

Era água!!

E era uma loja!!

Não estou falando do camelô ou de comércio informal não. 

Pois então, isso acontece em todos os lugares, e se você não fizer uma contraproposta, vai acabar pagando o preço inicial, que é sempre superfaturado.

Incomoda?

Sim, incomoda..

Mas é normal. É a cultura deles.

No primeiro momento, quando chegamos aqui, eu fiquei puto. Mas hoje até achei graça quando perguntei o preço de um boné, que o preço normal varia de 14 e 28 reais, e o vendedor falou que custava 90 reais. What?! Sorri, agradeci e saímos. 

Tu acredita que ele abandonou seu comércio e veio caminhando ao nosso lado, perguntando: 70? 50? 40? Quer pagar quanto? Eu só conseguia rir.

Óbvio que não compramos.

——

Outra parada que posso afirmar é que, achar que Europeu é mais educado que Brasileiro, só se for lá na terra deles. Aqui na Ásia, quem fura fila é Europeu. E não é pouco. Vi na Tailândia, na Malásia, no Vietnã. Em todos os lugares.

Ah, Anderson, e os orientais? São bem mais evoluídos, né?

Depende!

Primeiro que, meter tudo no mesmo barco só porque tem olhos puxados, é igual a falar que 267 povos indígenas no Brasil podem ser generalizados na categoria índio. Como se não houvesse diversidade. De linguagens, comportamento, sotaques, cultura, etc.

Ou que falar que brasileiro é corrupto e mal educado, sendo que somos 203 milhões, espalhados por 27 estados, num país gigante e desigual. 

Sabemos que (graças a Deus) a Bahia é totalmente diferente do Paraná. Então é isso. No nosso país continental, somos diversos, assim como os orientais também são.

——

Para mim, que morei em Portugal, é muito difícil não generalizar quando falo dos portugueses, mas posso afirmar que o atendimento em Lisboa é muito ruim. O Brasil da de 10 a zero neste quesito.

O Brasil segue também, muito à frente, nos quesitos: hospitalidade, simpatia, gentileza, alegria e muitos outros. 

Na Malásia tivemos que ficar muito espertos na hora que recebíamos a conta do restaurante. Diariamente vinham valores diferentes dos que estavam no cardápio.

São tantas diferenças, tantas variáveis.

Na Tailândia, por exemplo, o povo é gentil, cordial e hospitaleiro. Sou apaixonadíssimo pelo povo tailandês, mas no trânsito eles não vão te esperar atravessar a rua. Mesmo na faixa de pedestres. Mesmo com o sinal fechado para eles e aberto para vocês.

Para eles isso não é falta de educação. É normal. Lá, eu era o visitante, o diferente, o estranho.

Então é isso.

Tem regra não.

Todo mundo é bom, e todo mundo erra.

As culturas são diferentes, assim como os valores.

E vir ver o mundo viajando, me fez ficar ainda mais apaixonado pelo povo brasileiro.

——

Hoje tô com vontade de falar muito, de escrever muito, mas já são 23h e amanhã cedo iremos a outra cidade.

Prometo (para mim e para você) que na próxima semana não deixarei para escrever a nossa cartinha na terça-feira. Apesar de que, se eu fosse escrever mais que isso, a newsletter ficaria gigante, né?

Ah, e só para finalizar.

Para a próxima terça-feira tô pensando em compartilhar contigo, o conto que inscrevi naquele concurso literário que falei. Lembra?

Tem dias que olho para ele e gosto. Em outros dias a síndrome do impostor me atravessa de um jeito que acho tudo bem ruim.

Vamos ver o que acontece.

Mais uma vez.

De Verdade.

Do fundo do coração.

Obrigado por ler até aqui no finalzinho.

Que tua semana esteja sendo massa.

Aquele abraço.

Até terça. 

Nenhuma publicação

Read the original on cadeandersonlopes.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.