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Cadê Anderson Lopes · Mar 13, 2024

O acaso que mudou minha história

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Anderson Lopes · Cadê Anderson Lopes

Alô alô!

Mais uma terça-feira e espero que esta mensagem te encontre bem.

Passei estes dias curioso para saber se você percebeu algo de diferente no tom da newsletter. É que depois de um bom tempo, voltei para a terapia.

Foi um movimento muito arriscado, deixar por 05 meses minhas emoções e meus pensamentos (que não são poucos) caminharem só comigo. Sem a ajuda de um profissional.

E com um agravante. Eu tinha recém entrado numa relação amorosa, tinha mudado mais uma vez de continente, com outras comidas, longe de tudo que era familiar.

Sobrevivi e olhe que nem dei muito trabalho, mas posso dizer que “Crianças, não façam isso em casa!!”

Por falar em terapia, rimos bastante na sessão de hoje, quando minha psicóloga perguntou:

- Mas Anderson, como foi que você virou produtor? Como começou isso?

Contei.

—--

Eu era músico.

Não um bom músico.

Um bem mediano.

Tocava em bandas de pagode e de forró.

Eu fazia faculdade.

Cursava Administração.

Último semestre.

Ainda não tinha me jogado no mercado de trabalho e ele também não tinha se jogado em mim, e graças a isso eu não tinha experiência.

Agora você vê como os pontos se ligam, né?

Por meu irmão mais velho conheci Andreza Karla, uma excelente percussionista e hoje também cantora. Ficamos amigos. Andreza, neta de Selma do Coco e Filha de Aurinha, perguntou:

- Nego, porque tu não trabalha com mainha? 

Eu me empolguei! Era status, sair de músico para produtor. Uma promoção na carreira.

Topei. Conversamos, definimos percentuais em relação aos cachês. Tudo certo.

Ai uma curiosidade acontece e muda minha caminhada de uma forma interessantíssima.

Até 2006, para o artista tocar no Carnaval pela Prefeitura do Recife, Olinda ou Governo do Estado, bastava apenas enviar um ofício simples. Uma folha A4 com a proposta, valor.. Assinava no final da página e protocolava com duas vias na recepção da Secretaria de Cultura. Facinho.

Só que eu não peguei esta fase. No meu primeiro mês como produtor, quando comecei a parceria com Aurinha do Coco, a Fundarpe publicou um edital. Pela primeira vez, uma convocatória para artistas se apresentarem no carnaval. E neste edital havia um milhão de exigências.

Os caras exigiam milhares de documentos. Desde os da empresa que representaria o artista e emitiria a nota fiscal, que só aí já eram milhares de certidões de regularidade, CNPJ impresso (digaí que coisa antiga. Impresso), contrato social e vários outros.

Fora isso, material da banda, mapa de palco, rider técnico, release, fotos em alta resolução, lembro que cada proposta era um envelope com mil papéis e quase 1Kg cada.

Ta. Pra mim tudo bem. Eu não tinha vivido a fase que era apenas um ofício.

Deu certo! 

Fechei meu primeiro show. A Fundarpe nos mandou láaaa para Petrolina. O cache foi ótimo, e eu estava super feliz. Empolgadíssimo.

Eu tinha apenas 23 anos e um fato curioso mudou minha carreira.

Possivelmente por geral não ter se adaptado às mudanças bruscas da convocatória, e a todos estes papéis; dos artistas de cultura popular, apenas Aurinha do Coco entrou na programação daquele Carnaval.

Meu amigo, minha amiga.. aquilo gerou um zun zun zun no meio.

- Porque só Aurinha entrou na programação?

- Ah, parece que tem um menino que trabalha com ela que é muito bom.

E esse boato se espalhou, e vários artistas e grupos vinham falar comigo…

Eu tinha 23 anos.

Eu era verde. Inexperiente. Entendia de nada

Eu era produtor tinha apenas 04 meses.

Foi sorte.

Sorte de ter começado na época da mudança. Época em que se instituiu a convocatória.

Foi um presente, estar no lugar certo na hora certa.

A partir daí, comecei a trabalhar também com o Samba de Coco Raízes de Arcoverde, grupo que eu sempre fui fã, e ficamos juntos por 05 anos. Foi o grupo que trabalhei por mais tempo como produtor, enquanto paralelamente atuava como agente vendendo shows de outros artistas.

A partir daí veio Zé Manoel, Baiana System, Trio Elétrico Armandinho, Dodo e Osmar, Yusa, Devotos, Bongar. Grupos de Carimbó do Pará, de Samba de Roda do Recôncavo Baiano. Vixe! Foi tanta gente.

Viajava o Brasil para festivais. Só São Paulo ia umas 06 vezes no ano. E no meu melhor momento, larguei tudo.

Tan dan dan dan!!!! (música de drama/suspense)

Larguei para abrir um bar. O Nova Raiz.

Mas essa transição de carreira aí é assunto para outra newsletter.

Só tô te contando isso hoje por dois motivos. Primeiro é que isso foi assunto e fruto de muitas risadas com minha psicóloga na terapia hoje. E segundo porque estou voltando a trabalhar com música.

Isto também é assunto para as próximas edições da newsletter.

Inclusive lembrei que tenho muitas histórias engraçadas do tempo em que eu trabalhava com música. Contarei nas próximas.

Pra você que leu até aqui… Tu sabe, né, como eu fico feliz?

Que a semana seja leve e gostosa por aí.

Muuuuuito obrigado!

Aquele abraço!

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Read the original on cadeandersonlopes.substack.com

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