Liderança é um dos temas que mais busco desenvolver, porque é o que permite escalar os resultados da empresa. Sozinho, você consegue crescer até certo ponto. Mas, para ampliar seu impacto, precisa se multiplicar por meio de outras pessoas.
O problema é que essa capacidade de liderar não surge automaticamente.
Liderar é uma habilidade diferente de executar. Você pode ser um ótimo executor, mas isso não significa, necessariamente, que será um bom líder. Assim como qualquer outra habilidade, a liderança precisa ser desenvolvida de forma intencional.
Ao longo dos últimos anos, venho aprendendo muitas lições práticas sobre esse tema, tanto pela experiência quanto pelo direcionamento dos meus mentores. Hoje, quero compartilhar uma lição simples, mas que considero uma das mais fundamentais:
Liderança exige PRESENÇA.
Pode parecer óbvio, mas a realidade é que muita gente acredita que liderar se resume a contratar alguém, explicar as tarefas e esperar que tudo aconteça sozinho. Como se, a partir da contratação, a pessoa se tornasse completamente independente e não precisasse mais de direção.
Recentemente, uma conversa com um amigo me mostrou, na prática, o impacto dessa ausência de presença. Ele começou a trabalhar em uma empresa nos Estados Unidos há algumas semanas e logo percebeu que estava caminhando sozinho. Ninguém acompanhava seu desenvolvimento, dava feedback ou sequer cobrava resultados.
Ele é um bom profissional e continua dando o seu melhor, mas, sem liderança, seu potencial não está sendo aproveitado. O resultado é que já está procurando oportunidades em outras empresas.
Não tem jeito, uma liderança de verdade faz muita diferença.
Sempre me lembro de quando era mais novo e via meu pai falando com seus principais diretores no final do dia. Ele mantém esse hábito até hoje: acompanha o andamento das coisas, cobra quando necessário e se coloca à disposição para ajudar. E não é à toa que vários desses diretores caminham com ele há décadas, cada vez mais comprometidos, motivados e dispostos a assumir novos desafios.
Na prática, as pessoas precisam de atenção e direção, sejam estagiários ou diretores. Cabe ao líder acompanhar como cada pessoa está evoluindo, se os processos estão sendo seguidos e se os resultados estão acontecendo. E isso exige presença e proximidade.
Por isso, começo todos os dias com uma reunião que chamamos de Daily, na qual damos o pontapé inicial do dia. É um momento do qual não abro mão e que faço questão de conduzir pessoalmente.
Ao longo do dia, acompanho de perto o andamento das demandas, faço aprovações e realizo reuniões individuais com os gerentes.
Também procuro estar atento ao momento de cada pessoa. Quando percebo que alguém está enfrentando uma dificuldade, seja profissional ou pessoal, busco oferecer apoio, direção e encorajamento. E, quando vejo alguém performando muito bem, procuro desafiá-la a assumir novas responsabilidades e continuar crescendo.
Mas, de novo, nada disso acontece à distância. E aqui não me refiro à distância física. É possível trabalhar remotamente e, ainda assim, estar presente. Da mesma forma, é possível trabalhar presencialmente e estar distante. Porque o líder tem que estar presente na mente do seu time. Agora, quando o líder deixa de estar presente, ele também deixa de influenciar. E, se ele não influenciar, alguma outra pessoa influenciará. E cuidado, muitas vezes, essa outra pessoa é um colega que está desmotivado, que reclama da empresa ou está convencido de que “o mercado está ruim”. Aos poucos, essa visão começa a contaminar o time e a moldar a forma como as pessoas enxergam o trabalho, os desafios e até o próprio potencial.
O problema é que o líder distante muitas vezes nem percebe que isso está acontecendo. Então, quando alguém pede demissão, ou decide abrir um negócio concorrente, ele se surpreende.
Mas, na maioria das vezes, isso não acontece de uma hora para outra. Se o líder estivesse presente, provavelmente teria percebido a mudança antes, puxado para conversar, e ajudado aquela pessoa antes que a situação chegasse a esse ponto.
No fim, não tem jeito: liderar dá trabalho. Não dá para fazer isso de longe, e é um trabalho que nunca termina. É muito parecido com cuidar de um jardim: se você deixa de cuidar por tempo suficiente, as ervas daninhas aparecem.
Mas vale a pena. Além de potencializar os resultados da empresa, a liderança também permite deixar uma marca positiva na vida das pessoas que caminham com você.
Por isso, quero deixar uma reflexão para você: no seu dia a dia, você está investindo o tempo necessário para realmente estar presente para seus liderados ou está apenas delegando tarefas e esperando que os resultados aconteçam?
Um forte abraço e até a próxima semana,
Brenno Augusto

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