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Brenno Augusto · Jul 20, 2026

Sunday Notes 78: Empresas extraordinárias não competem. Elas criam uma categoria própria.

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Brenno Augusto · Brenno Augusto

Durante um treino de corrida nesta semana, ouvi novamente algumas ideias do livro Zero to One, de Peter Thiel. Entre tantos conceitos interessantes, um deles continuou na minha cabeça: o conceito de monopólio criativo.

Para Thiel, enquanto a maioria das empresas passa a vida tentando ser apenas um pouco melhor do que os concorrentes, as empresas que realmente são extraordinárias constroem algo tão diferente que deixam de competir. Em vez de disputar o mesmo mercado, elas criam uma categoria própria.

Ao longo da semana, fiquei pensando em como esse conceito ajuda a explicar alguns dos negócios mais valiosos do mundo. Também passei a enxergar de outra forma a Mentoring League Society (MLS), projeto criado pelo meu pai e do qual participo desde a fundação.

Para dar um pouco de contexto, a MLS é um ecossistema que reúne mais de 200 mentorias de diferentes segmentos e mais de 10 mil membros ativos. Quando uma mentoria é aceita na Liga, ela continua sendo liderada pelo seu próprio mentor, mas passa a utilizar a estrutura da MLS. Seus membros também podem participar de eventos promovidos pela própria Liga e acessar outras comunidades do ecossistema.

Neste texto, quero explorar as quatro características que, segundo Thiel, constroem o que ele chama de monopólio criativo:

  1. Tecnologia proprietária

  2. Efeitos de rede

  3. Economias de escala

  4. Branding

Quanto mais fortes se tornam esses quatro elementos, menos a empresa precisa competir tentando ser apenas um pouco melhor do que os concorrentes ou reduzindo seus preços. É isso que vemos claramente na Apple e o que quero explorar, neste texto, a partir do caso da MLS.

O primeiro pilar é a tecnologia proprietária. Quando pensamos nesse conceito, normalmente imaginamos softwares, patentes ou invenções complexas. Mas ela também pode ser uma infraestrutura exclusiva daquela empresa, difícil de replicar e capaz de entregar valor de forma superior.

Na Apple, essa tecnologia proprietária não está apenas no hardware. O iPhone é um excelente aparelho, mas grande parte do seu valor vem do ecossistema construído ao redor dele.

Por meio do Apple ID, fotos, arquivos, mensagens, aplicativos e compras acompanham o usuário entre o iPhone, o Mac, o iPad e o Apple Watch. Tudo funciona de maneira simples e integrada.

Essa tecnologia é exclusiva da Apple e nenhuma outra empresa conseguiu replicá-la com o mesmo nível de integração. Quando o usuário experimenta esse ecossistema e depois utiliza produtos de outras marcas, percebe imediatamente o que está faltando. Essa é, inclusive, uma das razões pelas quais tantas pessoas não querem sair da Apple: quanto mais produtos utilizam, mais valioso se torna permanecer dentro do ecossistema.

Na MLS, o diferencial também está na estrutura exclusiva construída ao redor das mentorias. As MLS Houses, por exemplo, são espaços de alto padrão desenvolvidos especialmente para receber os encontros presenciais das mentorias. Nelas, os mentores contam com tecnologia, estrutura e equipes especializadas da MLS, o que permite realizar eventos com um nível de qualidade e eficiência que seria muito mais difícil alcançar por meio de fornecedores externos.

Os encontros também são gravados pelas equipes da MLS, que transformam esse material em conteúdos para o marketing das mentorias.

Toda essa estrutura da MLS torna a experiência mais completa para o membro. Para o mentor, representa mais qualidade na entrega, melhor aproveitamento de cada encontro e menos dependência de terceiros.

Além disso, a Liga oferece uma infraestrutura tecnológica que reúne vários sistemas de suporte à operação, como CRM, ERP, pagamentos, contratos e dados. O App da MLS funciona como o centro desse ecossistema.

No fim, em vez de cada mentoria construir tudo do zero, a MLS oferece uma infraestrutura compartilhada que melhora a experiência dos membros e permite que os mentores foquem em vender, ensinar e liderar suas comunidades.

O segundo pilar são os efeitos de rede, que acontecem quando cada novo participante aumenta o valor do sistema para todos os demais.

A Apple vive isso de forma clara: quanto mais pessoas compram iPhones, maior se torna o mercado para os desenvolvedores criarem aplicativos e, quanto mais aplicativos existem, mais valioso se torna o iPhone para os consumidores. O mesmo acontece com serviços como FaceTime e iMessage, que ganham utilidade à medida que mais pessoas passam a utilizá-los.

Na MLS, cada nova mentoria aumenta o valor do ecossistema tanto para os membros quanto para os mentores. Para os membros, isso significa acesso a mais comunidades, especialistas, conexões, oportunidades de negócio e experiências que uma mentoria isolada dificilmente conseguiria oferecer. Isso porque eles podem participar de encontros de outras mentorias como convidados e de eventos exclusivos da Liga, como o MLS Festival e o Family Circle, que reúnem milhares de pessoas em experiências viabilizadas pela escala de todo o ecossistema.

Para os mentores, cada nova mentoria amplia a inteligência coletiva da Liga. Nos encontros quinzenais, eles compartilham estratégias, aprendizados e desafios reais, o que permite aprender com diferentes modelos de negócio, evitar erros já cometidos por outros e melhorar continuamente a experiência entregue aos próprios membros.

Assim, quanto mais mentorias entram na MLS, mais conhecimento, conexões, oportunidades e experiências são gerados para todos que já fazem parte dela.

Negócios extraordinários conseguem crescer sem multiplicar seus custos na mesma velocidade.

Na Apple, milhões de pessoas utilizam a mesma infraestrutura de software, engenharia, distribuição e serviços. A empresa continua investindo para evoluir o sistema, mas não precisa reconstruí-lo para cada novo usuário.

Na MLS, a lógica é a mesma. À medida que novas mentorias entram no ecossistema, elas passam a utilizar uma estrutura que já existe, como o app, os sistemas, e as MLS Houses.

Em vez de cada mentor construir uma operação própria, todos compartilham uma infraestrutura de alto nível, o que reduz o custo marginal de crescimento da Liga.

Imagine duas caixas fechadas. Em uma, existe um iPhone. Na outra, um celular tecnicamente superior, mas de uma marca desconhecida. Mesmo sem comparar as especificações, muitas pessoas escolheriam o iPhone, porque não estão comprando apenas o aparelho, mas também a confiança na marca.

Na MLS, a lógica é semelhante. Em um mercado com milhares de mentorias, torna-se cada vez mais difícil distinguir quem realmente possui experiência e resultados de quem apenas sabe se comunicar bem.

Por isso, uma das teses da MLS é selecionar criteriosamente seus mentores e construir um padrão claro de qualidade. O objetivo é que fazer parte da Liga represente credibilidade e que a marca se torne um selo de qualidade no mercado de educação empresarial.

Ainda estamos no início dessa construção e não investimos em campanhas específicas de branding, mas essa percepção já começa a surgir organicamente por meio da qualidade dos mentores, das entregas, dos eventos e das experiências dos membros.

Enquanto organizava esses quatro pilares, uma lembrança me veio imediatamente à cabeça.

Por volta de 2022, meu pai se sentou comigo e com meu irmão em frente a um quadro branco para explicar uma ideia que vinha desenvolvendo há bastante tempo. Na época, ele ainda nem tinha lançado sua primeira mentoria.

Durante quase duas horas, desenhou caixas, setas e conexões enquanto explicava por que criar apenas uma mentoria não fazia sentido dentro da visão que possuía.

Segundo ele, uma mentoria isolada poderia gerar caixa e até se tornar um negócio lucrativo, mas dificilmente alcançaria o valor que poderia ser criado por um ecossistema completo. Ele não queria criar apenas uma mentoria, mas sim construir uma liga capaz de conectar diferentes comunidades, compartilhar infraestrutura e se tornar mais valiosa conforme novas mentorias entrassem.

Naquele momento, confesso que achei a ideia muito interessante, mas não compreendi completamente o tamanho daquela visão.

Hoje, depois de estudar Peter Thiel, e ver o desenvolvimento da MLS de perto, percebo que meu pai estava desenhando exatamente esses quatro princípios muitos anos antes de eu conhecê-los: tecnologia proprietária, efeitos de rede, economias de escala e uma marca forte.

O mais impressionante é que tudo isso já estava desenhado antes mesmo do lançamento da MLS. E a maior lição que você pode extrair de tudo isso não é sobre mentorias. É sobre estratégia.

Meu pai nunca construiu empresas pensando apenas no próximo ano ou em como gerar caixa rapidamente. Sempre pensou em negócios que pudessem existir por décadas e que, um dia, pudessem valer muito porque continuariam crescendo sem depender exclusivamente de uma única pessoa. Afinal, quando alguém compra uma empresa, não está comprando apenas o que ela produz no presente, mas sim a sua capacidade de continuar gerando valor no futuro.

Hoje entendo que aquele desenho que meu pai fez nunca foi apenas sobre criar mais uma empresa. Era sobre construir uma categoria própria.

Essa foi a maior reflexão que ficou comigo nesta semana. Me conte nos comentários os seus insights.

Um forte abraço e até a próxima semana,

Brenno Augusto

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