Nos últimos meses, alguns empresários me procuraram para trocar ideias sobre marketing. Isso vem acontecendo com mais frequência desde que o Doc4u, onde sou sócio e CMO, ficou em primeiro lugar em faturamento na MLS entre mais de 180 mentorias.
Quando possível, tento ajudar, geralmente numa chamada no WhatsApp.
E, conforme essas conversas foram acontecendo, comecei a notar dores em comum quando o assunto era marketing. Aos poucos, uma coisa ficou clara: o problema não era falta de iniciativa dos empresários ou de seus times. Era outra coisa.
Faltava um modelo claro de operação. Uma forma menos aleatória de pensar sobre marketing. Um processo completo que unisse dados, estratégia, rotina e execução.
Das empresas que eu vi, muitas queriam postar mais, fazer mais campanhas, gravar mais vídeos, aumentar a frequência e encontrar a próxima grande sacada criativa. E embora essa iniciativa seja boa, tudo isso na direção errada não dá resultado. Antes de acelerar, precisamos entender onde realmente está a trava.
Foi então que, nesta semana, resolvi organizar os conceitos que costumo compartilhar nessas conversas e criar um framework do zero. Um método que não é só execução, mas também não é só estratégia. Trata-se de um modelo que une os dois.
Hoje, quero compartilhar esse raciocínio com vocês. E, para deixar mais interessante, consegui encaixar tudo dentro do acrônimo NOTES, uma pequena homenagem a vocês, leitores do Sunday Notes.
O método NOTES é a minha forma de olhar para o marketing orgânico. Foi esse o raciocínio que usei naquelas conversas com empresários e, mais do que isso, é o modelo mental que sigo usando para operar marketing na prática e tomar decisões melhores no dia a dia.
Espero que ajude.
“Quando se aprende a ver o mundo como ele é, e não como gostaríamos que fosse, tudo muda.” - Anônimo
Antes de discutir ideia, campanha, frequência de postagem ou qualquer ajuste no marketing, preciso entender o que realmente está acontecendo na operação. Então olho para os números.
Mas aqui existe um detalhe importante: não adianta ter um monte de dados soltos. Eu procuro os números certos, aqueles que representam etapas importantes do funil e ajudam a mostrar onde o problema pode estar.
No final, os números são pistas. Eles não entregam todas as respostas, mas mostram onde precisamos investigar.
E isso não precisa ser complexo. Muitas vezes, uma planilha simples no Excel já resolve, desde que tenha os indicadores certos, histórico e acompanhamento frequente.
Depois dos números, olho para a comunicação da oferta.
Muitas empresas tratam o problema de marketing como um problema de volume, achando que a solução está em fazer mais: mais canais, mais ideias e mais conteúdo. Mas tudo isso não tem força se o público-alvo não entende claramente o que está sendo oferecido.
Oferta, para mim, começa com clareza.
Antes de pensar em ideias de conteúdo, eu tento responder de forma simples e direta essas perguntas:
Para quem é a minha solução?
Qual dor ela resolve?
Qual transformação ela entrega?
Qual é o diferencial?
Uma boa oferta bem comunicada dá força para todo o resto. Ela melhora o conteúdo, melhora a página, melhora a abordagem, melhora o comercial e aumenta a chance de o lead certo entender que aquilo foi feito para ele.
Quando isso está bem estruturado, o time começa a direcionar seus esforços para a direção certa.
Depois de olhar os números e entender melhor a oferta, começo a procurar as travas.
Ou seja: o que está impedindo o crescimento?
Toda operação tem gargalos. Às vezes, o problema está no topo do funil. Às vezes, está na conversão. E, às vezes, está no time comercial, que é quando o marketing gera boas oportunidades, mas elas não se transformam em vendas.
Nessa etapa, minha cabeça vai para o diagnóstico. Tento entender onde está a maior trava, quais hipóteses fazem sentido e qual plano de ação pode destravar o crescimento.
Uma boa hipótese precisa ter uma premissa clara. Não é apenas “acho que precisamos mudar isso”.
Por exemplo:
“Estamos recebendo muitas visitas no perfil, mas poucas pessoas clicam no link da bio. Os números mostram que o gargalo está na conversão do perfil para o próximo passo. Nossa hipótese é que o visitante ainda não entende com clareza a promessa do produto e por que deveria avançar. Por isso, vamos testar uma bio mais clara e novos posts fixados explicando melhor essa transformação.”
Essa forma de pensar muda o nível da conversa. É quando a discussão deixa de ser baseada apenas em achismo e passa a ser guiada por diagnóstico, hipótese e teste.
Com um plano de ação bem definido, está na hora de colocar em prática em ritmo de alta performance.
E aqui entra um ponto importante: marketing não pode ser apenas um departamento puramente artístico, em um ambiente sem pressão, esperando a inspiração aparecer.
Nessa etapa do NOTES, você precisa ser prático. O objetivo é gerar mais leads e construir um bom branding. Por isso, a execução precisa ter ritmo, prioridade, prazo e acompanhamento.
Trabalhamos com metas, e meta não é apenas uma referência. A meta é um compromisso.
Nas empresas que eu lidero, por exemplo, temos uma rotina de gestão muito presente. Todo dia olhamos para o que foi feito, o que foi publicado, como os conteúdos performaram e como estamos caminhando em direção à meta da semana.
Não é sobre criar um ambiente pesado. É sobre criar um ambiente de alta performance, e não tem como esse ambiente ser “tranquilão”.
Existe uma grande diferença entre pressão sem direção e cobrança com clareza. Quando o time sabe qual é a meta, qual é a prioridade e qual é o papel de cada um, a execução fica mais objetiva.
A pergunta deixa de ser apenas “o que vamos fazer?” e passa a ser “o que precisamos fazer para bater a meta?”
Isso muda a energia do time, cria senso de urgência, estimula proatividade, aumenta a criatividade e faz as pessoas pensarem em melhorias o tempo todo.
Por último, olho para o Social Selling.
Existe um princípio importante dentro do NOTES: marketing orgânico não deve ser apenas passivo. Criar conteúdo atrai pessoas, constrói autoridade e gera demanda, mas nem todo potencial cliente que acompanha sua marca vai “levantar a mão” sozinho.
Muitas pessoas seguem a página, consomem o conteúdo, têm o perfil certo e vivem dores que o produto resolve, mas nunca clicam no link, nunca preenchem o formulário e nunca chamam no direct.
Isso não significa, necessariamente, falta de interesse. Muitas vezes, significa apenas que ainda falta uma ponte.
É aqui que entra o Social Selling.
Na prática, Social Selling é usar as redes sociais para identificar pessoas com potencial dentro da própria audiência, iniciar uma conversa de forma elegante, construir relacionamento, entender o momento daquela pessoa e, quando fizer sentido, guiá-la para o próximo passo.
No nosso caso, esse próximo passo normalmente é preencher o formulário de aplicação para a mentoria, mas esse princípio vale para muitos negócios.
O cuidado é não confundir Social Selling com mensagem genérica mandada de forma desesperada. Quando mal feito, ele pode ter o efeito contrário: em vez de vender, ele “desvende” e diminui o valor percebido da marca. Mas, quando existe estratégia, organização e bom senso, essa abordagem pode transformar uma base de seguidores em boas oportunidades de venda.
O NOTES não é um hack, uma tendência ou uma fórmula mágica. É um sistema para organizar o pensamento e tomar decisões melhores no marketing.
Eu uso esse modelo todos os dias para analisar operações, conduzir reuniões e direcionar times. Ele ajuda a criar uma cultura orientada por dados, identificar gargalos com mais clareza, fazer ajustes com mais precisão e manter a equipe focada naquilo que realmente gera resultado.
Agora, a pergunta que fica é: se você tivesse que dar uma nota de 0 a 10 para cada ponto do NOTES no seu negócio hoje, onde estaria o maior ponto de melhoria?
Um forte abraço e até a próxima semana,
Brenno Augusto

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