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Bernardo.nxt · Jun 26, 2026

Eu me sinto um fracasso absoluto (e este texto é a prova)

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Eu me sinto constantemente um fracasso, e parece que nada do que eu tento realmente dá certo.

Eu me sinto constantemente um fracasso, e parece que nada do que eu tento realmente dá certo.

Sinto que as pessoas à minha volta também me enxergam assim, de maneira sutil. Minha família, meus amigos, os conhecidos... eles me amam, eu sei. Mas, no fundo, parece que todos compartilham um segredo em silêncio: eles sabem o que eu sou.

Tudo o que planejei para o futuro simplesmente desmoronou. Eu queria ser de outro jeito, mas não sou. Queria estar em uma vida melhor, mas não consegui. Tudo o que faço ou tento fazer parece cair sempre no mesmo buraco. Eu encontro algo, me entrego e... fracasso.

Ano passado, me inscrevi em um curso — e do nada, larguei.

Voltei para a academia por um mês — e simplesmente parei.

Comecei um projeto novo, importante, mas a apatia me venceu e eu desanimei.

Sou um fracassado que se desanima com a própria tentativa de sair do fracasso, uma armadilha que eu mesmo criei.

Mas já nem me assusto. Em toda família existe alguém meio torto, o ponto fora da curva. Quem sabe eu seja o da minha? Talvez esse seja o meu papel.

O maior problema é que me sinto completamente refém de resultados, e buscar isso o tempo todo cansa a alma.

Lembro-me bem de um concurso que fiz, há uns dois anos. Eu me esforcei tanto, estudei até o limite e, no fim, não consegui. Ali, senti que tudo o que eu tinha feito tinha sido em vão.

E agora, o fantasma volta: tenho medo de que as coisas que estou construindo hoje também não deem em nada. Medo do tempo passar e de eu ser engolido pelo eco do "eu deveria ter feito diferente".

Eu só queria estudar para uma prova e ter a certeza de que o tempo dedicado valeu a pena. Mas a prova da vida é cheia de nuances. Você pode se dedicar por meses, anos, e ainda assim colher o mesmo vazio de sempre.

Recentemente, inventei de começar um canal no YouTube e já me sinto um completo ridículo. Os vídeos não retêm ninguém, minha fala não soa natural e, em muitas partes, me acho um péssimo editor. Já me parece o mais novo fracasso para a minha longa lista.

Todos os projetos que eu abandonei.

Eu poderia lançar um livro com esse título. Publicar para o mundo entender a minha capacidade cirúrgica de largar as coisas. Quem sabe, expor essa ferida me ajudaria a mudar.

Tento continuar acreditando que meus esforços darão frutos, mas de onde tirar forças para continuar quando todos parecem insuficientes?


Quem determina o tamanho do nosso fracasso?

“Eu trato de estar alegre, mas minha vida também está ameaçada em suas mesmas raízes e meus passos são igualmente vacilantes.” — Vincent van Gogh

Eu gosto de refletir sobre Van Gogh, porque não sai da minha mente o tamanho da angústia que ele devia carregar.

Ninguém comprou sequer um quadro dele em vida. Como ele se sentia? Por que continuava a pintar, afinal?

Que força, ou que desespero fez um homem produzir duas mil obras se, para o mundo e para si mesmo, ele era um fracasso?

Ele morreu com esse nó no peito para, anos depois, ser consagrado como um dos maiores pintores do mundo. Uma glória que não serviu para salvar a vida dele.

E a verdade é que eu olho para ele porque me vejo nisso. Será que eu me sinto um fracasso porque as minhas buscas não são reconhecidas pelos outros?

Se eu fizesse algo que eu considero um fracasso, e o mundo inteiro achasse grandioso e me aplaudisse, eu estaria satisfeito? O reconhecimento dos outros bastaria?

Se sou eu mesmo que determino o que é bom e o que é ruim, por que eu insisto em me ver sempre como o lado mau? Por que eu insisto em me condenar ao fracasso?

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O nome que eu dei às minhas tentativas

Enquanto escrevia este texto, tive a sensação de que estava tentando reunir provas de que sempre fui um fracasso. Só que, no meio do caminho, encontrei uma que contrariava todas as outras.

Nenhum dos meus fracassos existiria se eu nunca tivesse tentado nada.

Foi estranho perceber isso. Porque, por anos, eu enxerguei essas histórias apenas pelo fim: o curso que abandonei, o projeto que não deu certo, a academia que larguei, o canal que talvez não vá para frente. Nunca pelo começo.

Antes de serem fracassos, todas elas foram tentativas.

Isso não apaga os meus erros, nem faz as frustrações desaparecerem. Mas torna difícil continuar dizendo que eu sou um fracasso quando todas as minhas cicatrizes nasceram justamente das vezes em que eu tive coragem de começar.

Eu passei muito tempo me vendo como alguém que falha. Hoje eu ainda falho. A diferença é que isso deixou de parecer uma identidade e passou a ser apenas o preço de tentar.

E talvez seja isso que eu sempre tenha ignorado. Se eu falhei em tantas coisas, é porque também comecei muitas. E começar, por si só, já diz mais sobre quem eu sou do que qualquer resultado.

No fundo, o que eu chamo de fracasso é só o nome que eu dei para todas as vezes em que eu tentei ser mais do que eu era até então.


E, se você quiser conhecer o meu mais novo “fracasso”, passa lá no meu canal do YouTube.

Se tem uma coisa que este texto me ensinou, é que algumas tentativas só precisam de mais tempo. Espero que essa seja uma delas.

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