RSS Amplifier

Bernardo.nxt · May 7, 2026

Eu me sinto sozinho, mesmo rodeado de pessoas

0
Sign in to vote or save

Bernardo.nxt · Bernardo.nxt

Eu sou a pessoa mais solitária do mundo, e tenho certeza absoluta disso.

Terça-feira, dia 05 de maio de 2026.

Estou no ápice dessa minha sensação de solidão.

Não se engane, eu convivo diariamente com pessoas. Mesmo morando sozinho, eu tenho boas relações afetivas e familiares. Recebo mensagens, dou risada, saio às vezes, converso, abraço, escuto. A vida acontece ao meu redor normalmente.

Mas sinto que nada nem ninguém nesse mundo consegue realmente me compreender. Eu me sinto sozinho quase o tempo todo, mesmo quando estou rodeado por milhares de pessoas.

Me sinto incompreendido porque parece que nunca ninguém realmente entende o meu lado. E não digo isso com arrogância, como se eu fosse profundo demais pro mundo. Acho que é justamente o contrário, talvez eu só seja alguém que sente demais e fala pouco sobre isso.

Sinto que ou eu sou um ser humano que deu errado, ou um louco perdido dentro da própria lucidez.

Parece que enquanto todo mundo mora na Terra, eu vivo em algum universo distante, cheio de certezas e incertezas que coexistem ao mesmo tempo e me tornam incapaz de ser alguém totalmente compreendido.

Às vezes eu olho pras pessoas conversando com tanta facilidade sobre coisas simples e penso no quão cansativo isso pode ser pra mim.

É estranho porque eu gosto de pessoas. Gosto de ouvir histórias, gosto de boas conversas, gosto de uma conexão verdadeira.

Talvez eu só não seja sociável o suficiente. Ficar em festas ou conversando por horas sobre assuntos que, na maioria das vezes, eu considero vazios, me desgasta bastante.

Porque o Bernardo já foi embora? Ele não está bem? Brigou com alguém?

Eu sempre ouço isso.

As pessoas pensam em tudo, menos em:

“Talvez ele só goste de ficar quieto.”

Sou quieto e tenho tendência a gostar de coisas quietas. Gosto do som da chuva entrando pela janela. Gosto de caminhar pensando na vida. Gosto de músicas que parecem cartas nunca enviadas.

Mas o mundo parece desconfortável diante de quem não está o tempo inteiro tentando provar alguma coisa.

Na escola, eu era o típico aluno que sempre sabia da resposta, mas nunca levantava a mão pra falar.

E talvez isso não tenha sido tão bom. Porque quando cresci, comecei a acreditar que existir em silêncio era desaparecer aos poucos. Passei a me sentir diferente de todo mundo, e isso é o que, em partes, acrescenta na minha solidão.

Existe um cansaço muito específico em ser alguém que pensa demais. Você começa a analisar tudo: as palavras, os olhares, os tons, os silêncios. E aí até os momentos leves ficam pesados dentro da própria cabeça.

E quando você sente solidão dentro da própria solitude?

Porque eu amo ficar sozinho. Amo ter meu espaço, meu tempo, meu mundo interno. Mas como também amo estar com pessoas, o grande problema é se sentir solitário mesmo estando acompanhado.

É olhar ao redor e perceber que ninguém faz ideia do que está acontecendo aí dentro.

E eu não falo isso como “não sinto suas presenças”, porque eu sinto. Sinto carinho, sinto preocupação, sinto amor vindo de algumas pessoas.

Mas sinto falta de compreensão.

Falta de alguém que, por algum momento, esteja verdadeiramente querendo me entender, sem tentar me corrigir imediatamente, sem transformar tudo em um conselho rápido, sem me reduzir a “uma fase”.

“A solidão é muito bela… quando se tem alguém a quem dizê-lo.”

— Gustavo Adolfo Bécquer

É um ciclo estranho: quanto menos eu falo, mais distante eu fico. E quanto mais distante eu fico, mais difícil se torna voltar a dizer qualquer coisa.

Talvez passar tanto tempo sozinho, ou entre quatro paredes, tenha me tornado alguém emocionalmente desacostumado da convivência.

Como se eu tivesse desaprendido a pertencer. Muitas vezes eu sinto que observo a vida mais do que participo dela.

Não há muita diferença minha pra um astronauta no espaço. Porque além de me sentir distante de todos, ainda consigo me sentir preso dentro da minha própria nave.

Aqui dentro existem pensamentos demais, memórias demais, reflexões demais.

Converso muito comigo mesmo. Com a minha mente, com a minha escrita, com um pedaço de papel, com músicas, com noites insones e tetos escuros.

O bom da nave é que eu ainda tenho contato com humanos.

Sim, você que está lendo isso. Talvez você seja alguém da Terra, ou talvez também esteja perdido dentro de alguma nave parecida com a minha.

Se estiver, espero que encontre coragem pra não desaparecer dentro de si mesmo.

Desejo que, onde quer que você esteja, tente ser inteiro. Não se acanhe. Não tenha medo de falar, principalmente sobre aquilo que te incomoda.

Porque eu também preciso aprender a falar melhor. Comigo mesmo, com as pessoas e, principalmente, com a minha própria sensação de solidão.

✍️ Leia meu e-book, Escrevivência — um guia pra quem quer escrever melhor e se entender no processo.

Escrevivência

Read the original on bernardonxt.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.