RSS Amplifier

Mapa da Música Autoral · May 4, 2026

Confissões de um groupie da Schlop

0
Sign in to vote or save

This page did not load. You can still read it on the original site — the toolbar below keeps your place in the directory.

Entre referências, memórias e bastidores, as histórias por trás de “Cachorros e madames no fim do mundo”

Acho que eu nunca fiz isso aqui, mas passeando com o Marquinho, recolhendo o cocô dele e tal, fiquei pensando que pode ser uma coisa interessante.

Imagina se a Yoko tivesse uma coluna em um jornal nos anos 1960 e, bem durante o lançamento do disco branco, ela fizesse um texto contando um pouco sobre cada música.

Eu não sou a Yoko, isso aqui não é um jornal e, convenhamos, a Schlop não é os Beatles. Mas vou tentar um faixa a faixa de “Cachorros e madames no fim do mundo”.

No filme “Alta Fidelidade”, os personagens Rob, Barry e Dick conversam sobre a vontade de namorar uma musicista, completamente apaixonados pela cantora fictícia Marie de Salle, interpretada por Lisa Bonet. “Ela me perguntaria o que eu achei das músicas e talvez até incluiria uma piada interna nossa nos créditos do álbum”, diz Rob. Barry vai além: “Talvez ela pudesse colocar uma foto minha em algum lugar”.

Parece ridículo, mas é realmente uma das partes legais de se namorar um músico, e eu consegui tudo isso que eles queriam. Tudo começou com uma fitinha. Mas chega de conversa, vamos ao faixa a faixa:

1 - Clássicos

A ideia central da música foi criada depois de um rolê em que a Isabella se sentiu deslocada, com pessoas que ela achava que não eram genuínas. Alguns detalhes, entretanto, nem os ouvidos mais atentos vão perceber.

O trecho que diz “quando chegar a minha vez a lápide já vão encher de batom” é uma referência ao túmulo de Oscar Wilde em Paris. As pessoas que iam prestar suas homenagens ao escritor costumavam passar batom e dar um beijo na lápide. O cemitério colocou uma proteção de acrílico, e os fãs passaram a beijar o acrílico.

Na parte em que ela canta “e fazer como a música lá, ajoelhar e rezar”, a música lá é “Won’t Get Fooled Again”, do The Who.

2 - Marquinho Van Halen

Como qualquer pai de pet que se preze, eu fico inventando músicas para cantar pro nosso shih tzu, o Marco Antonio. A mais consagrada é uma versão de “Mandy”, do Barry Manilow, com a letra modificada para “ele é um cachorro bonzinho e o nome dele é Marquinho”. A Isabella apelou e fez uma canção original.

Lembra da parte do “Alta Fidelidade” em que eles falam em colocar uma foto em algum lugar? Pois é, o single de Marquinho nunca ganhou uma versão física, mas a ideia era uma foto minha passeando com ele na contracapa. Saiu no Instagram da banda.

3 - Trilho do trem

Nessa eu tô quase tão no escuro quanto vocês. Um dia eu tava num happy hour da firma e ela me mandou por WhatsApp a música prontinha. Eu só sei que a inspiração é “Trains Across the Sea”, do Silver Jews.

Acho que é uma das minhas preferidas dela e a letra é uma coisa absurda de boa.

4 - São Paulo, te amo, mas tá foda demais

A Isabella tinha feito a música “Quando vão terminar de construir São Paulo?” depois que nós lemos um texto da Gaía. Não lembro qual foi o gancho, mas ela teve a ideia de fazer um cover de “New York, I love you but you’re bringing me down”, do LCD Soundsystem.

Eu dei uns pitacos, mas minha parte preferida é “não penso no mundo cruel nem no valor do aluguel, como um filme do Buñuel, quem está no inferno ou quem está no céu, no prédio feio e no arranha-céu”. Era um trecho que ela tava com dificuldade de adaptar e do nada apareceu com essa genialidade.

5 - Rima triste

A demo era só ela no violão e, na época, lembro de achar uma das músicas pop mais bem feitas dos últimos anos. Ao vivo ela ficou mais pesada e por algum motivo eles nunca conseguiram tocar certinho. A versão do disco ficou ótima, mas na minha cabeça ainda tem aquela demo. Espero que a Isabella tenha guardado.

6 - Canção do fim do mundo

Se não me engano, ela fez essa um pouco depois que eu escrevi a letra de “Lua rosa”, que entrou no primeiro álbum da Schlop. Era uma época tão boa de começo de relacionamento. O mundo pode estar acabando, mas nós estamos aqui mobilizados para ouvir o lançamento da canção de amor. Ela tem uma qualidade cinematográfica, acho que porque a gente tinha visto o filme “Procura-se um amigo para o fim do mundo”.

7 - O rei do velotrol

Eu tava falando pra Isabella que queria escrever uma letra ou uma poesia sobre alguém que lembra da infância com nostalgia, de andar de velotrol e ser muito bom nisso e nada mais importar. No dia seguinte, ela voltou com a música e a letra prontas, minha contribuição ficou só pro nome da música mesmo.

8 - Peixes fora d’água

Essa foi escrita numa época em que o edifício Martinelli tinha festas quase toda semana. Era sempre um valor que não era impeditivo pra gente, mas era caro. Só que quando a gente via a galera que frequentava, dava um desânimo por não ter nada em comum.

Um tempo depois fomos a um aniversário com muita gente fazendo carão e um amigo disse que a dj só tocava música da Zara, isso pra dizer que eram músicas sem carisma, aquele som praticamente de fundo que ninguém se importa. Na tentativa de agradar todo mundo, a dj deixou a pista vazia. Isso entrou em “peixes” quando ela canta “e se eu fizesse parar essa música de loja cara”.

O mapa da música autoral de Fortaleza está no forno

Na próxima semana ou, na pior das hipóteses, na outra, vamos publicar uma pesquisa com bandas e casas de shows da capital cearense. Se você é ou conhece alguma de Fortaleza, o momento de falar é agora.

Veja o que já foi publicado até agora:

O Podcast da Música

Por motivos de feriadão, não gravamos uma nova edição nesta semana. Se você ainda não ouviu tudo, essa é a oportunidade de tirar o atraso. Abaixo todos os episódios, não se esqueça de assinar para receber tudo na sua caixa de e-mail.

O Podcast da Música
Animal invisível, Macaco Bong, Huey, Bufo Borealis e mais
Neste episódio, Kazu e Bazzan conversam sobre música instrumental e trocam uma ideia com o músico Guri Assis Brasil, que está lançando seu disco solo com o projeto Animal Invisível…
Listen now
4 months ago · 5 likes · 2 comments
O Podcast da Música
Festival C6 no Rock e discos nota 10
No episódio de hoje, Bazzan e Kazu conversam sobre discos NOTA DEZ: aqueles que sobrevivem ao tempo, influenciam outros artistas e que você consegue ouvir todas, sem pular…
Listen now
4 months ago · 4 likes · Bazzan
O Podcast da Música
Angine de Poitrine, Arrigo Barnabe, Battles e sons que vão além do microtonal
No episódio de hoje o Kazu recebe a Isabella Pontes para conversar sobre o Angine de Poitrine, o duo do Canadá que virou sensação nas redes sociais com instrumento microtonal, máscaras e um universo próprio…
Listen now
4 months ago · 4 likes · O Podcast da Música
O Podcast da Música
Mapa da música de Goiás, Festival 5 Bandas e Jazz Is Dead
Neste episódio, Fernanda Meireles fala sobre a pesquisa e um pouco da cena autoral de Goiânia, Alexandre Giglio (do Minuto Indie) conta como é colocar de pé o Festival 5 Bandas e Isabella Pontes explica o processo por trás da criação das ilustrações dos Mapas da Música Autoral…
Listen now
4 months ago · 6 likes · O Podcast da Música
O Podcast da Música
Schlop, Vermelha, Ottopapi, Drosóphila e mais nomes da cena brasileira
O episódio piloto de O Podcast da Música apresenta um primeiro recorte da música autoral brasileira recente, com destaque para artistas como Schlop, Vermelha, Ottopapi, Seu Psiquê, Los Otros, Araúnas, Ouriço e Maré Morta…
Listen now
5 months ago · 13 likes · 2 comments · O Podcast da Música

Read on bazzan.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.

    Reading · Mapa da Música Autoral · RSS Amplifier