A nova cena de Fortaleza é formada por ao menos 65 bandas e artistas solo com som autoral, que tocam em 15 casas de shows espalhadas pela cidade.
Assim como aconteceu em SP, Aracaju, Rio e Goiânia, este é o começo da conversa. A pesquisa foi feita pelo Jack de Carvalho, que toca nas bandas Estereoh e O projeto fugaz e está inserido na cena local. Jack também é designer gráfico e fez as ilustrações. Você pode ver mais trabalhos dele aqui.
👉 [Baixe aqui o mapa ilustrado]
👉 [Google Maps com todas as casas de shows mapeadas]
👉 [Lista com todas as bandas de Fortaleza com até 5 anos de atividade]
A planilha tem abas por estado. Por enquanto só temos São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro, Goiás e Fortaleza preenchidos.
A playlist principal do Mapa da Música Autoral vai ser atualizada toda segunda com novidades da cena brasileira ou quando publicarmos um novo mapeamento. Nesta semana os artistas de Fortaleza tomam conta.
Cada cidade mapeada também vai ter sua playlist fixa que só será alterada para incluir artistas que não apareceram no nosso radar no momento da publicação. Aqui está a de Fortaleza.
Eu frequento a cena musical de Fortaleza e Região Metropolitana há 28 anos e nesse período já vi artista independente se virar de muitas formas. Shows em bares, galpões, centros culturais, teatros, praças, etc. Dos mais bem produzidos aos que são feitos na gambiarra, como chamamos aqui o que é feito de improviso. Pegar luz do poste, ligar amps, tocar no chão e ser feliz.
A cena é dinâmica, esse é um registro do momento
Eu vinha pensando em algo para os 300 anos de Fortaleza e ao saber do mapeamento em São Paulo, entendi que talvez pudesse somar forças com Alexandre Bazzan. Esse levantamento é um registro do agora e não se coloca como completo porque a cena é algo muito vivo e dinâmico: todo dia surgem e desaparecem artistas e locais de shows. Além disso, há nomes e lugares que não consegui identificar, mas que poderão ser inseridos com o tempo. Temos quase 200 artistas autorais, o que é uma riqueza em talento, mas é preciso destacar que ainda falta palco e cachê de qualidade para a grande maioria dessas pessoas.
Mesmo as rádios e tevês locais não pautam esses artistas o quanto poderiam. Isso faz o público ficar blindado desse talento local, ser dependente do algoritmo.
A diversidade
Inicialmente eu pensei em mapear a cena rock, mas no diálogo com Alexandre fomos expandindo para outros estilos. Listamos do metal extremo à soul music, passando pelo samba, afrobeat, etc. Fizemos uma planilha com a nova geração - que são artistas com até cinco anos de carreira, e outra com nomes que estão batalhando desde 1989, por exemplo.
Sobre os locais de shows autorais
Tem duas coisas que destaco logo de cara sobre os locais para música autoral mapeados. A primeira: basicamente metade é do poder público e metade é privada. A segunda: os locais ficam em três agrupamentos. Um na área mais nobre que é Praia de Iracema; outro na região mais universitária da cidade, que é o Benfica; e outro na periferia, região do Grande Bom Jardim. Nossa versão digital e impressa do mapa traz os endereços, arrobas e localização geográfica, apontando o terminal de ônibus ou a estação de metrô mais próxima.
Lojas de discos
Listamos também as lojas de discos mais próximas dessa cena autoral. Além de venderem a música, são palco e pontos de encontro, patrocinam shows, estão de mãos dadas com a cena. Acho que é importante reconhecê-las como parte estratégica da cena.

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