A verdade, verdadeira mesmo, é que o fim de semana me levou prum canto que devora as intenções pré-combinadas. Eu tinha esse plano: postar algum trem sobre a gênese do próximo livro, mas passei do ponto, passei tempo demais analisando a gramática do rótulo de xampu.
Escrever um livro é um processo silencioso e solitário, foi assim nos últimos 10 anos com “Curvex no terceiro olho”, livro que estou autoeditando e autopublicando e provavelmente serei também o autoleitor. Este nem saiu das fraldas e eu já me vejo aqui com uma nova ideia. Entre os atropelos de um fim de semana cheio e o desejo de não deixar a página em branco, pensei que a melhor forma de seguir com esse domingo era abrir a porta do meu processo. Prometo que, se eu falhar no prazo de novo, a culpa será devidamente catalogada em uma nota de rodapé de quatro páginas. A partir de hoje essa seção se torna meu caderno de escrita. (Mas aqui moço) Quem vai querer ler isso? Sei lá, uai, cê já num tá aqui até agora? Um espaço semanal onde solto os fragmentos, pesquisas e a evolução real do meu próximo livro.
Vamos ao andaime e as vigas expostas.
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Sinopse? Ou sobre a minha incapacidade de não pensar sobre.
Nas madrugadas silenciosas da Rádio Contagem AM, a voz de Neusa é o único refúgio para porteiros, vigias e insones. Entre um clássico da MPB e um desabafo de ouvinte, ela se torna confidente de uma cidade. A rotina de discos de vinil e telefonemas banais é quebrada quando uma ouvinte utiliza a programação para enviar um pedido de socorro desesperado. Cada canção solicitada é uma pista de um crime doméstico que a polícia ignora, mas que Neusa não consegue esquecer.
Enquanto Neusa mergulha em uma busca perigosa para localizar sua ouvinte, o asfalto de Contagem ferve com uma revolta silenciosa. Um grupo de jovens, marcados por abusos cometidos sob o manto da fé, decide que o perdão divino não é suficiente. Entre outdoors denunciando pecados ocultos e o som estridente da rádio, os caminhos da locutora e dos justiceiros se cruzam.
Orelha?
Na Rádio Contagem AM, Neusa dá voz aos invisíveis. Quando uma mulher começa a usar o programa para denunciar um marido violento através de músicas, a radialista se vê diante de um dilema: ser apenas uma voz ou se tornar uma aliada.
Enquanto isso, a cidade assiste, atônita, a uma série de ataques contra líderes religiosos. Um grupo de sobreviventes de abusos eclesiásticos decidiu que a justiça não virá do céu, mas de ações diretas que vão da exposição pública ao sequestro. Em uma madrugada onde as frequências de rádio e os gritos de vingança se misturam, a verdade é a única coisa que não pode ser sintonizada.
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Morre a radialista Neusa Oliveira.
Segundo a Rádio Contagem AM, onde ela trabalhou por mais de 30 anos, a radialista conhecida como “companheira da noite” sofria de insuficiência renal. Neusa começou a trabalhar na Contagem AM 1240 Khz em 1974 e apresentou o programa Madruga até o mês passado. O programa era marcado por apresentar apenas músicas brasileiras e pelas conversas com ouvintes durante a madrugada.
O velório de Neusa começa às 00h deste sábado, mesmo horário que ela entrava no ar, no cemitério da Colina, no bairro Nova Cintra, onde familiares, amigos e ouvintes prestam as últimas homenagens. O corpo será cremado no mesmo local às 11h deste domingo. Neusa não tinha filhos e deixa saudades em todos nós.
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NADAPRASSUPEBAOPE
Parte 1 - o equívoco do olhar
Bastaria um único indivíduo, um corpo pela penumbra da Praça Itajaí para disparar o reflexo condicionado de Pistico, pervertido vigilante da praça, que consiste em discar, com uma urgência quase espasmódica, para o terminal de atendimento do 18º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais.
Desta vez, o objeto da sua patologia vigilante era Tulim. Tulim, que nos dias de fúria doméstica era invocado pela mãe através do batismo completo e solene de Getúlio Soares; um nome que carregava o peso de uma linhagem que ele parecia determinado a afogar num balde de parafusos da montadora da Fiat. Naquela noite, Tulim atravessava a praça em êxtase solitário, celebrando o que ele considerava uma vitória tática contra o sistema de segurança rudimentar da padaria de cima: uma garrafa de vinho Chapinha surrupiada, que ele segurava não como um item de furto, mas como um troféu de relevância existencial.
Dá licença, mas Pistico: olhos tão falsos que nos fazem empalidecer, um sorriso de lábios de hiena, dobras embrutecidas entre o nariz e o lábio, nariz cor de pão tostado que revela problemas no fígados, mil rugas que disfarçam seus 50 anos com a máscara de uns 80, uma linha na teste que parece desenhada por uma impressora 3D, autoritário e adúltero. Posso dizer isso tudo agora, pois Pistico já morreu e não deixou família.
Notas?
Praça Itajaí: Um espaço geográfico que, apesar da pretensão de ser um local de lazer comunitário, funciona primordialmente como um triangulo das bermudas dos jovens do Bairro Monte Castelo em Contagem, ensaio de “bandas cover” de Metallica, Charlie Brown Jr. e Korn, campeonatos de skate cujo prêmio era uma garrafa de Chora Rita,
Pistico: Nome mesmo não tive registro algum além desse, se sabe que não tinha nascido em Contagem pelas conversas de João Galo, morador mais antigo do bairro, quando disse: quando Pistico chegou aqui no bairro eu trabalhava na Magnesita, era chefe de área lá, nem tinha o Bairro das Indústrias ainda.
Pisticus do grego antigo πιστικός, adjetivo para: puro, genuíno.
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O julgamento de um recurso sobre pensão alimentícia na 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) nesta terça-feira (24), tornou-se palco de um debate acalorado sobre a modernização do Judiciário brasileiro. A tensão subiu quando o desembargador José Reginaldo manifestou resistência à aplicação da Resolução 492/2023 do CNJ, que estabelece diretrizes para julgamentos com perspectiva de gênero.
Durante a discussão, José Reginaldo expressou preocupação com a “ociosidade” da mulher no processo e questionou se o tribunal teria o mesmo rigor caso os papéis fossem invertidos. Ao ser confrontado pela desembargadora Joanice Maria sobre a natureza obrigatória do protocolo, o magistrado disparou: “Eu julgo de forma isenta. Eu não tô preocupado com isso não”.
A resposta da desembargadora foi imediata, classificando a fala como um retrocesso e lembrando que a perspectiva de gênero não é uma escolha ideológica, mas um dever legal para garantir a equidade em casos onde há desigualdade estrutural. Para ela, a própria necessidade de uma mulher pedir alimentos após anos de impedimento ao trabalho é uma situação “humilhante” que o Judiciário deve tratar com sensibilidade, e não com falsa neutralidade.
Capivara do Desembargador:
Folha de Pessoal Orientações 2026 Ano * Fevereiro Mês * Tipo Servidor Cargo José Reginaldo Costa Nome Situação Funcional
Nome Cargo Lotação Rendimentos Descontos Líquido JOSE REGINALDO COSTA RODRIGUES NOGUEIRA DESEMBARGADOR GAB DES JOSE REGINALDO COSTA RODRIGUES NOGUEIRA - SALVADOR
R$ 91.535,70 R$ 22.495,29 R$ 69.040,41
Itens por página: 5 1 - 5 de 1 Tribunal de Justiça da Bahia - 2026. Todos os direitos reservados. Versão 1.1.6 5ª Av. do CAB, nº 560 Salvador/BA - Brasil. CEP 41745-004.
NOSSAS REDES:
Detalhamento da Folha de Pagamento
Fevereiro/2026 Nome: JOSE REGINALDO COSTA RODRIGUES NOGUEIRA
Cargo: DESEMBARGADOR
Lotação: GAB DES JOSE REGINALDO COSTA RODRIGUES NOGUEIRA - SALVADOR
Situação Funcional: ATIVO
Rendimentos
Remuneração paradigma R$41.845,48
Vantagens pessoais
1 - Abono permanência R$6.804,93
Subsídio, diferença de subsídio, função de confiança ou cargo em comissão R$0,00
Indenizações R$3.690,98
Vantagens eventuais
1 - Ats - magistrados R$8.369,10
2 - Ind. exerc. cumul - folgas compensatórias R$8.369,10
3 - Indenização acúmulo de acervo R$13.947,09
4 - Indenização acúmulo de acervo (retroativo) R$10.000,00
Gratificações R$0,00
Total de rendimentos R$91.535,70
Descontos
Previdência pública R$6.804,93
Imposto de renda R$11.841,97
Descontos diversos R$0,00
Retenção por teto constitucional R$3.848,39
Total de descontos R$22.495,29
Rendimentos líquidos R$ 69.040,41
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O trajeto de todas as manhãs em direção ao que o zoneamento municipal insiste em chamar de centro, mas o centro de Contagem todo mundo sabe que é a Av. João César de Oliveira. Cê tá lá com aquela inércia consciente, calçando os tênis que exibem os cadarços coloridos, pé esquerdo amarelo e o direito vermelho, são sete e catorze.
E então, os ricos. Seres que parecem ter sofrido um tratamento de canal da consciência periférica. Avançam pela calçada da Elmo calçados e não se movem, faz de conta que eu não preciso passar do seu lado enquanto seu cachorro faz cocô na rua. O abjeto se autentica pela necessidade, pela ausência de oposição, pela resposta à sua própria relutância em existir: o mundo inteiro sob os auspícios do assassino melindroso, o assassino de espaços na calçada sem outra escolha senão considerar os outros como símbolos de sua própria exigência narcisista de se fazer presente novamente a si mesmo. Astrônomos e físicos se exaltam diante das maravilhas do universo visível, como se fosse um paraíso cósmico, e esse rico não pode me dar um espacinho na calçada.
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Ele se lembrou de um vídeo que poderia ter sido um anúncio para o futuro. Mostrava um homem vestindo seu terno como se fosse a pele mal ajustada de outro homem. Havia feridas ao redor do pescoço e das axilas com pequenos olhos azuis no centro. Seu pescoço estava inchado e ele tinha dificuldade para respirar e engolir. Quando tossia, espirrava sangue. Um orgulhoso cidadão de Contagem, pastor em seu ritual de benção após o culto das crianças, ele não iria embora. Não havia risco, o diácono, irmão Oraldino guardava a porta junto de Francisco. Do lado de dentro a música Viverei Viverás na vitrola. Refrigerante, precisamos de mais refri aqui, Oraldino.
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Figurino e cenário:
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Por enquanto, são essas as anotações na minha mesa. O caderno é um esforço de presença e continua aberto e, na próxima semana, espero trazer os desdobramentos desses primeiros rascunhos. Uma tentativa de não deixar o livro ser apenas uma ideia na minha cabeça. Caso alguma coisa aqui ressoou nas suas próprias leituras ou inquietações, adoraria saber nos comentários.
inté o próximo fragmento.
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