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asd · Apr 29, 2026

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4CO I Comunicação e Cultura · asd

O mercado de trabalho não curte muito a ideia de maternidade

O Dia das Mães está chegando e as empresas vão começar a distribuição de brindes e encher o LinkedIn de mensagens sobre cuidado, força e inspiração. Mas sabemos que a maternidade segue cercada de frufrus no discurso e de puxada de tapete na prática.

A discriminação contra mães costuma aparecer mascarada em frases fofas como: “vamos aliviar sua carga”, “talvez agora não seja o momento”, “pensamos em alguém com mais disponibilidade”. A profissional volta da licença e, de repente, perde projetos estratégicos, visibilidade, promoções e espaço de decisão.

Na semana passada, veio à tona a denúncia de uma brasileira contra empresas ligadas ao youtuber MrBeast. Entre os relatos, ela afirma que precisou participar de chamadas de trabalho ainda durante o parto, seguir tocando lançamentos na licença-maternidade e viajar internacionalmente poucas semanas após o nascimento do filho. Depois do retorno, teria sido demitida em menos de três semanas. Essa realidade é bem comum: mais de 380 mil mulheres foram demitidas no Brasil, entre 2020 e 2025, em até dois anos após o fim da licença-maternidade.

Outra reportagem mostrou o caso de uma psicóloga que trabalhava em Harvard e, grávida do segundo filho, propôs dividir sua carteira de pacientes com outra colega também grávida, para que ambas pudessem seguir atuando em meio período. A resposta da liderança foi direta: seria “logístico demais”. O recado foi claro: quando a vida exige um rearranjo, muitas organizações preferem perder talentos a rever o desenho do trabalho.

Existe uma fantasia corporativa antiga: a de que o trabalhador ideal é alguém integralmente disponível, sem filhos, sem imprevistos e sem responsabilidades fora do trabalho. Como o cuidado ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, é a maternidade que paga a conta desse modelo.

É um baita desafio para as lideranças e mais uma prova de que cultura organizacional saudável se mede por quem cresce, quem fica, quem some e quem precisa escolher entre continuar trabalhando ou continuar cuidando.

persiste
Mulheres seguem recebendo, em média, 21,3% a menos do que homens no Brasil, com diferenças que chegam a quase 30% em alguns estados. | CNN Brasil

vulnerabilidade
Pesquisa Datafolha mostra que mulheres se sentem mais inseguras e impactadas pelas finanças do que homens, com maior incidência de endividamento e pior percepção sobre a própria situação econômica. | Folha de S.Paulo

mentalidade
Levantamento mostra que dois em cada três empresários ligados à ditadura militar descendem de famílias escravistas, indicando a continuidade histórica entre concentração de riqueza, poder econômico e legado da escravidão no Brasil. | Alma Preta

degrau quebrado
Relatório da McKinsey mostra que, para cada 100 homens promovidos ao primeiro cargo de gestão, apenas 81 mulheres recebem a mesma oportunidade. | Exame

falta de repertório (machismo)
Levantamento mostra que 4 em cada 10 brasileiros não conseguem nomear uma mulher em posição de poder. | Folha de S.Paulo

grande mistério
Pesquisa da B3 mostra que 91% dos brasileiros consideram o país preconceituoso, mas apenas 35% admitem ter algum tipo de preconceito, enquanto 64% das pessoas pertencentes a minorias relatam já ter sofrido discriminação. | InfoMoney

mais um passo
Vivo amplia presença feminina no conselho e atinge 42% de mulheres. | Exame

acesso
USP anuncia adoção de cotas para pessoas com deficiência a partir de 2028, ampliando políticas de inclusão em uma das principais universidades do país. | UOL

protesto
Corinthians retira cadeira da arquibancada da Neo Química Arena e lança campanha permanente após episódio de injúria racial contra o goleiro Carlos Miguel, incluindo ações educativas e canais de denúncia dentro do estádio. | Estadão

pipeline
Bradesco amplia presença feminina em diretorias para 34%, mas identifica que homens chegam à liderança, em média, sete meses antes e que a baixa presença de mulheres em tecnologia limita o avanço na alta gestão. | Folha de S.Paulo

vitória
Justiça autoriza funcionária dos Correios a reduzir jornada em 50% para cuidar de filho com autismo. | G1

mamata
Ministro do STJ afastado por denúncia de assédio sexual segue recebendo cerca de R$ 100 mil mensais, mesmo sem exercer a função. | G1

dados
Senado aprova criação de cadastro nacional de condenados por crimes contra mulheres, reunindo informações para apoiar ações de prevenção, segurança pública e acompanhamento de agressores. | Congresso em Foco

zero surpresas
Estudo aponta que partidos usam brechas para repassar menos recursos e com atraso a mulheres e candidatos negros, além de priorizar homens brancos nas primeiras semanas de campanha, período decisivo para desempenho eleitoral. | Folha de S.Paulo

deu match
Madonna utiliza o Grindr para divulgar novo projeto musical, acionando diretamente a comunidade LGBT+. | CNN Brasil

resistência
Criadores de conteúdo tentam enfrentar a expansão de discursos redpill nas redes, mas apontam dificuldades em engajar homens, disputar atenção nas plataformas e romper com modelos de masculinidade ainda sustentados por violência e controle. | Meio & Mensagem

agenda anti-woke
Em artigo, Djamila Ribeiro afirma que editoras tratam debates raciais como tendência passageira e que o mercado vem se fechando novamente para autores negros. | Folha de S.Paulo

impacto sistêmico
Karoline Belo e João Pedro Caleiro defendem que o racismo não é apenas um problema moral, mas um fator que compromete o desenvolvimento econômico e social do país. | Folha de S.Paulo

filantropia performativa
Empresas destinam mais de R$ 6 bi a ações sociais, mas evitam apoiar causas estruturais como desigualdade, baixos salários e direitos humanos, mantendo iniciativas concentradas em frentes menos controversas. | Folha de S.Paulo

dureza
Empresas ainda operam a partir de um modelo de trabalhador “neutro” baseado no corpo masculino, o que pressiona mulheres a se adaptarem a estruturas que não foram pensadas para elas. | FastCompany

Steve, filme disponível na Netflix

Um drama intenso e bastante humano sobre um dia decisivo na vida de um diretor de reformatório, vivido por Cillian Murphy. Ambientado nos anos 1990, o filme acompanha Steve tentando manter a escola de pé, lidar com alunos em situação-limite e, ao mesmo tempo, enfrentar seus próprios desafios emocionais. A direção é de Tim Mielants e o roteiro é assinado por Max Porter, autor do livro Shy, que inspira a obra.

A força do filme está na tensão acumulada: o cansaço de quem cuida, a fragilidade das instituições, a violência que atravessa jovens deixados à margem e a dificuldade de sustentar algum tipo de esperança quando tudo parece prestes a desabar. Cillian Murphy entrega uma atuação contida e dolorida, dando ao personagem uma mistura de firmeza, exaustão e vulnerabilidade.

Um bom filme para analisar dramas sociais densos, com personagens quebrados, mas não reduzidos às suas feridas. Steve não é exatamente um filme confortável, mas trata de cuidado, abandono, saúde mental e responsabilidade com a complexidade que esses temas exigem.

As três estrelas do céu: Cordel para Cosme e Damião, livro de Luiz Antonio Simas

Um livro que carrega um mundo inteiro dentro. Em forma de cordel, a obra celebra Cosme, Damião e Mariazinha, aproximando infância, fé, partilha, cultura popular e imaginação brasileira com a delicadeza de quem entende que tradição também é uma forma de encantamento.

O enredo convida o leitor a reconhecer a beleza dos costumes que atravessam gerações: os doces, as crianças, os milagres cotidianos, a alegria compartilhada e a força simbólica dessas figuras tão presentes no imaginário popular. Simas combina poesia, memória e conhecimento, criando uma leitura lúdica e sensível, que conversa tanto com crianças quanto com adultos interessados em cultura brasileira, religiosidade popular e literatura de cordel.

Uma leitura bonita para quem gosta de livros que preservam saberes, afetos e tradições. As ilustrações vibrantes de Camilo Martins completam essa travessia, dando cor e presença a uma narrativa que fala de infância, generosidade e pertencimento.

#acessibilidade: a capa do livro mostra uma ilustração de uma criança negra correndo sobre chão em tom de terra, com uma das mãos estendida para receber um saquinho de doces entregue por uma mão adulta que entra pela lateral direita. A criança veste camisa branca estampada e shorts azuis. O fundo é azul claro, com um sol sugerido por raios no canto superior esquerdo, uma nuvem branca e pequenas plantas espalhadas.

Geisa Farini

A influenciadora que viralizou com tutoriais de maquiagem mesmo tendo deficiência visual total é uma daquelas criadoras que fazem a internet valer a pena. Ao transformar a maquiagem em linguagem, autonomia e expressão pessoal, ela amplia a conversa sobre beleza para muito além do olhar e mostra, na prática, que vaidade, cuidado e estilo também pertencem às pessoas com deficiência.

O mais interessante é que sua presença nas redes não se apoia em uma ideia simplista de superação, mas em algo mais potente: a possibilidade de ocupar espaços que muitas vezes foram negados ou pouco imaginados. Quando ela se maquia diante da câmera está disputando imaginários, quebrando expectativas e lembrando que acessibilidade também passa por representação, desejo, autoestima e liberdade.

Vale acompanhar seu conteúdo pela delicadeza e pela força com que ela desloca padrões. Seus vídeos ajudam a ver a beleza não como um território restrito a quem enxerga, mas como uma experiência sensorial, afetiva e profundamente subjetiva.

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